05/03/20

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Campos dos Goytacazes, quinta-feira, 05 de março de 2020 – Nº 3.985

Reitor da Uerj defende autonomia universitária

Ricardo Lodi

Professor Ricardo Lodi proferiu a aula magna da UENF na última quarta-feira

A UENF recebeu na tarde da última quarta-feira, 04/03/20, a visita do reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), professor Ricardo Lodi Ribeiro. Ele proferiu a aula magna de 2020 da Universidade, com o tema “Autonomia Universitária”. “Para mim é uma honra proferir a aula magna da universidade criada por Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemeyer”, disse o professor, que é doutor em Direito pela Universidade Gama Filho e assumiu o posto de reitor da Uerj no início deste ano.

“Vocês estão de parabéns pela escolha que fizeram. Porque não é fácil tomar esta decisão no momento em que as universidades públicas vêm apanhando de todo lado. Também estudei em universidade pública e sei o quanto aquilo que outrora era motivo de orgulho de toda a sociedade hoje parece que incomoda vários segmentos sociais e políticos do nosso País”, afirmou o reitor da Uerj.

A aula magna foi realizada no Centro de Convenções Oscar Niemeyer

Em seu discurso, ele buscou fazer uma reflexão contextualizada sobre o panorama atual das universidades, à luz da evolução do neoliberalismo mundial. Segundo Lodi, o ataque às universidades públicas deve ser visto dentro do contexto da terceira fase do neoliberalismo, iniciada com a crise econômica de 2008.

A primeira fase, segundo ele, ocorreu com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, quando ainda havia alguma resistência do Estado Social. Este se consolidou na segunda metade do século XX e proporcionou a redução da desigualdade social.

“O que era mais retórico do que prático se tornou hegemônico nos anos 90, quando temos a segunda fase do neoliberalismo. Com o charme de Tony Blair e Bill Clinton, embalado no discurso da democracia e direitos humanos, o neoliberalismo se espalhou pelo mundo. Mas a ilusão acaba em 11/09/01. O “Ato Patriótico” de George Bush foi paradigmático, ao negar os direitos humanos previstos na constituição americana aos acusados de terrorismo”, disse.

Segundo Lodi, com a crise de 2008, os bancos ficaram à beira da falência devido à crise das hipotecas, “porque emprestaram para quem não podia pagar, de forma irresponsável”. Ele observou que, embora muitos dissessem que era o fim do neoliberalismo, por causa da intervenção do Estado, não foi o que ocorreu. “Foram gastos 15 trilhões de dólares com os bancos e quem pagou a conta foram os contribuintes. A partir daí tivemos leis draconianas, acabando com direitos dos trabalhadores, reforma da previdência, cortes orçamentários na saúde e educação”.

Ele afirmou que o Brasil, como toda a América Latina, desde os anos 2000 vinha na contramão desse movimento de restrição do Estado Social. “Esse fenômeno não se deu somente em governos de esquerda, como Venezuela, Bolívia e Equador, mas também em governos de centro-esquerda, como Brasil e Argentina, e de centro-direita, como México, Peru e Guatemala”, disse.

“Mas agora voltamos ao aumento das desigualdades, reduções sociais na área de saúde, educação etc. Nesse contexto, a educação superior é algo que deve ser combatido. Vemos uma cruzada contra as universidades, ciência, direitos humanos, cultura. Estamos tendo que voltar a discutir se a Terra é plana, algo impensável há pouco tempo atrás. Isso é estarrecedor. É como se o conhecimento científico não tivesse mais nenhum valor”, afirmou.

Segundo o reitor da Uerj, a luta pela autonomia universitária, neste contexto, é central não apenas para o fortalecimento das universidades públicas, mas também para o restabelecimento da democracia no País. “É só nas universidades que se abre espaço para toda pluralidade existente na sociedade. A universidade incomoda porque não tem compromisso com o imediato, mas com o desenvolvimento da ciência, tecnologia e ensino. É muito importante que consigamos trabalhar pela autonomia universitária não só para preservar nossos empregos, bolsas e matriculas. Estou falando como alguém que quer alertar sobre a importância das universidades autônomas para um Brasil soberano” , afirmou.

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Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

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