Projeto – NOSSOS ALIMENTOS – Traduzindo a Ciência na Área de Nutrição, Alimentos e Alimentação

Universidade Estadual do Norte Fluminense
Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias
Laboratório de Tecnologia de Alimentos – Setor de Nutrição e Análise de Alimentos

Coordenador:
Karla Silva Ferreira – Laboratório de Tecnologia de Alimentos
Setor de Nutrição e Análise de Alimentos – Sala 109, P4.
Fone: 2739-7160 – e-mail: karlasf@uenf.br

NOSSOS ALIMENTOS – Traduzindo a Ciência na Área de Nutrição, Alimentos
e Alimentação

Grande Área do Conhecimento do Projeto: Ciências da Saúde

Linha de Extensão do Projeto:
17. Divulgação Científica e Tecnológica: Difusão e divulgação de conhecimentos científicos e tecnológicos em espaços de ciência, como museus, observatórios, planetários, estações marinhas, entre outros;
34. Mídias: Produção e difusão de informações e conhecimentos através de veículos comunitários e universitários, impressos e eletrônicos (boletins, rádio, televisão, jornal, revistas, internet, etc); promoção do uso didático dos meios de comunicação e de ações educativas sobre as mídias.
47. Segurança Alimentar e Nutricional: Incentivo à produção de alimentos básicos, autoabastecimento, agricultura urbana, hortas escolares e comunitárias, nutrição, educação para o consumo, regulação do mercado de alimentos, promoção e defesa do consumo alimentar.

Área Temática do Projeto: Saúde (principal) e Educação (secundária).

Resumo

Os governos e organizações nacionais e internacionais têm solicitado a implementação de ações que contribuam para a redução de doenças crônico-degenerativas, como: obesidade, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, hipertensão e alguns tipos de câncer, que estão se tornando causas significantes de invalidez e morte prematura. Em 2009 iniciamos o projeto “Nossos Alimentos”. Demos continuidade a ele em 2010. Os conhecimentos divulgados foram levados para fora da UENF. Em 2013, experimentalmente, o retomamos parcialmente publicando algumas matérias no “Blog da Ciência” da UENF, constando-se que há espaço, interesse e visibilidade destas informações. Em 2014, o projeto cresceu ainda mais, com elaboração de mais de 13 matérias e convite para divulgação em outras mídias da UENF. Em 2016 foi novamente aprovado e algumas matérias foram publicadas. Não tantas quanto prevíamos devido aos problemas que a UENF vem atravessando, com greves e atrasos nas bolsas dos alunos. Entretanto, devido ao interesse manifestado, tanto pelos estudantes bolsistas quanto pela comunidade, pretendemos dar continuidade ao mesmo nos mesmos moldes que anteriormente, isto é, preparando matérias sobre temas atuais e polêmicos relacionados com nutrição, alimentos e alimentação, com devida fundamentação cientifica, e divulgá-los na internet via ‘Blog da Ciência” da UENF além de fazer uma página no Facebook com link para o site da UENF. A execução deste projeto atende às solicitações da OMS no tocante ao desenvolvimento de estratégias para prevenir doenças e promover saúde dos indivíduos e cumpre um importante papel da universidade com a sociedade, que é a transmissão de conhecimento.

Palavras – chave: Educação alimentar e nutricional, valor nutritivo de alimentos,
Nutrição, Saúde, Prevenção de doenças.

Público-Alvo (qualitativo): Jovens e adultos com acesso à internet.

Público Atingido (quantitativo):.acima de 3000 mil pessoas. Carga Horária: 30 horas/semana (Suelen Galante Inácio, bolsista universidade aberta – formada em Nutrição, em substituição à bolsista Taylane Fragoso de Freitas); 20 horas/semana (Carolina de Mello Schelck, discente da UENF em Engenharia de Produção, que já era bolsista no projeto anterior) e Julia Torres Alcantara, discente da UENF em Engenharia de Produção, em substituição á
bolsista Sâmela Oliveira Barbosa).

Local de Atuação: no Laboratório de Tecnologia de Alimentos, setor de nutrição e análise de alimentos, a coordenadora do projeto dá uma aula sobre o assunto a ser abordado e orienta os bolsistas sobre os assuntos que devem pesquisar para complementar as informações desta aula. Então, os bolsistas pesquisam em livros e artigos científicos, boletins técnicos e resoluções buscados nos periódicos CAPES, sites do Ministério da Saúde do Brasil, Sciello e outros. Posteriormente, preparam a matéria que é avaliada pela coordenadora e enviada para a Assessoria de Comunicação da UENF postá-la no Blog da Ciência da UENF.

Período de realização: de 01 de Junho/2018 a 31/Maio/2019, ou a partir da aprovação do projeto, caso seja aprovado.

Fonte de financiamento: Não se aplica

Parcerias: Não há

Envolvidos: Suelen Galante Inácio (bolsista universidade aberta, formado em Ciências Biológicas pela UENF) e (Carolina de Mello Schelck, discente da UENF em Engenharia de Produção e Júlia Torres Alcantara, discente da UENF em Engenharia de Produção).

Contatos: o endereço, identidade, C.P.F, tel., e-mail e outras informações sobre os bolsistas estão na página 16.

Voluntários: não se aplica

INTRODUÇÃO

Em 2009 implementamos este projeto intitulado “Nossos Alimentos” que tinha o objetivo de preparar e divulgar, no Campus da UENF e adjacências, material informativo sobre alguns alimentos. Eram preparados e divulgados, semanalmente, duas matérias, com máximo de uma página, sobre dois alimentos, preferencialmente alimentos contrastantes ou complementares. Exemplos: refrigerante x suco, arroz e feijão, goiaba x maçã, mandioca x batata. Estas matérias eram afixadas em banner em todos os prédios da UENF e em duas academias de ginástica localizadas
próximo à UENF. Foi notório o bom resultado deste projeto. Houve manifestação do público-alvo (estudantes e funcionários da UENF) pessoalmente e por e-mail com sugestões de assuntos a serem abordados e elogios ao projeto. Os conhecimentos divulgados foram levados para fora da UENF por meio do público-alvo por serem
parentes ou amigos dos mesmos. Também houve divulgação do material científico em escolas da região por bolsistas de outros projetos de extensão. Em vista disso, demos continuidade ao projeto em 2010, com ampliação do assunto e introdução da divulgação na internet.

Nos anos seguintes não foi possível dar continuidade ao mesmo. A implementação de um projeto desta natureza requer muita disponibilidade e dedicação do coordenador bem como bolsistas com perfil adequado. Os bolsistas
devem gostar de ler e fazê-lo também em inglês; ter boa interpretação de texto e visão crítica para realizarem as pesquisas bibliográficas; escrever bem, ter curiosidade científica e gostar destes assuntos.

Em 2015, o projeto ganhou mais notoriedade, com elaboração de 13 matérias, e convite para publicarmos as matérias no jornal universitário da Uenf/CCH. Considerando a receptividade do projeto “Nossos alimentos” e as possibilidades de executarmos um projeto desta natureza, propomos implementá-lo de forma que abranja um público maior, além da UENF, com as matérias divulgadas online (site da UENF), em mídia impressa e aplicação de cursos e palestras. As matérias são divulgadas no endereço: http://uenfciencia.blogspot.com.br/p/nutricao.html.

Em 2016, apesar dos sérios problemas enfrentados pela UENF, com atraso nas bolsas dos estudantes e bolsista universidade aberta, greve dos professores e estudantes, foi possível publicar 5 matérias e rascunhar 15, que deverão ser publicadas até o fim da vigência deste projeto. Pelo fato da UENF não ter curso de nutrição, não faço exclusão de bolsistas discentes da UENF em razão de seus cursos de graduação. Por um lado, os alunos saem beneficiados pois tem possibilidade de aprender conhecimentos de áreas diferentes de seus cursos de graduação. Por outro, torna o trabalho mais lento, pois eles têm mais dificuldade em captar, compreender, pesquisar e rascunhar as matérias nas áreas de nutrição e alimentação. Mas o trabalho tem aparecido, o que é muito gratificante.

Em 2017 o projeto foi executado, com dificuldade em razão dos atrasos das bolsas e das greves, mais ainda assim foi possível a publicação de algumas matérias e a realização de diversas palestras e cursos. Outras matérias estão em
fase de publicação e correção.

Sendo assim, pretende-se dar continuidade a este projeto nos mesmos moldes que o anterior, isto é, elaboração de matérias sobre temas diversos relacionados com nutrição e alimentação, contando ainda com a contribuição de
outros voluntários, tanto da UENF quanto de outras Instituições na elaboração destes matérias informativas.

JUSTIFICATIVA

Os governos e organizações nacionais e internacionais (WHO/FAO, 2003) têm solicitado a implementação de ações que contribuam para a redução de doenças crônico-degenerativas, como obesidade, diabetes mellitus, doenças
cardiovasculares, hipertensão e alguns tipos de câncer, que estão se tornando causas significantes de invalidez e morte prematura. A incidência destas doenças compromete a qualidade de vida do ser humano e acarreta gastos evitáveis, tanto para o governo quanto para o envolvido. Elas podem ser evitadas e, ou controladas por meio de hábitos de vida saudáveis, dentre eles a alimentação.

Entretanto, há muitas informações equivocadas sobre alimentação, alimentos, saúde e nutrição veiculando nas mídias. Além das informações equivocadas e mitos sobre aspectos nutricionais, as indústrias de alimentos e suplementos nutricionais tem usado apelos enganosos nas propagandas de seus produtos, por exemplo, a
comercialização de colágeno com apelo de que faz bem para a pele e a sugestão de dietas exóticas para emagrecimento rápido mas que comprometem a saúde de quem as adota.

A ciência avançou muito, mas os conhecimentos estão demorando a atingir a população. São conclusivos os dados de que açúcar é um vilão para a saúde, que ovo é um alimento muito nutritivo, que a ingestão de carnes vermelhas, colesterol, laticínios integrais não é prejudicial e que nem toda gordura saturada deve ser evitada na alimentação.

1. Os açúcares são mais prejudiciais para a saúde que as gorduras. A ingestão dos mesmos está mais correlacionada com doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes tipo II, doenças cardíacas e câncer que a ingestão de gordura. Dentre os açúcares, a frutose, naturalmente presente em pequenas quantidades nas frutas, se destaca com um dos mais nocivos se ingerido em excesso (STANHOPEET al., 2009; JOHN, 2013; LUDWIG et al., 2001; BELLISLE et al., 2001; SCHULZE et al., 2004; HESSION et al., 2009; SANTOS et al., 2012)

2. O Consumo de ovos é benéfico para a saúde. Os ovos são alimentos muito nutritivos. Quanto ao teor de colesterol, o organismo faz um balanço entre a ingestão e síntese endógena. Um importante precursor do colesterol são os
açúcares (RONG et al., 2013; BLESSO et al., 2013).

3. Consumo de carne vermelha não é prejudicial à saúde. A carne vermelha é muito nutritiva, rica em ferro e vitaminas do complexo B. Já as carnes processadas e curadas são prejudiciais para a saúde e, portanto, devem ser
evitadas (MICHA et al., 2010; ROHRMANN et al., 2013).

4. Os mitos sobre os ácidos poliinsaturados. Nem todos são benéficos para a saúde. São três importantes grupos de ácidos graxos poliinsaturados: os da família ômega-3, ômega-6 e ômega-9. Os da família ômega-3, principalmente
os encontrados nos peixes e algas, são muito benéficos para a saúde. Mas o mesmo não acontece com os demais, principalmente se ingeridos em excesso. Os da família ômega-6 podem até aumentar o risco de doenças
cardíacas (RAMSDENETAL, 2013; LOTES et al. , 2005; RAMSDEN et al., 2010).

5. O consumo de laticínios com baixo teor de gordura não é vantajoso para a saúde. O leite integral e seus derivados contem nutrientes e substâncias cuja ingestão traz muitos benefícios para a saúde. Laticínios integrais contém
vitamina K2,butirato e ácido linoleico conjugado, que são escassos na dieta (KRATZ et al., 2013; BONTHIUS et al., 2010; SMIT et al., 2010).

6. Consumo de suplementos e alimentos ricos em antioxidantes, e popularização da dieta DETOX, recentemente criticada pelo Conselho Federal de Nutrição (CFN, 2015).

Enfim, os temas “alimentação”, “saúde”, “composição de alimentos e tecnologias” e “nutrição” tem despertado o interesse de jovens e adultos. Mas é preciso que haja veracidade nas informações e possibilidade de explicações
corretas, baseadas em comprovações científicas ou conhecimento popular consolidado. Do contrário, os indivíduos serão levados à aquisição e consumo de produtos desnecessários ou até mesmo prejudiciais a sua saúde bem como adoção de dietas erradas e perigosas.

Sendo assim, a execução deste projeto busca dar continuidade à proposta anterior, “NOSSOS ALIMENTOS: Traduzindo a Ciência na Área de Nutrição, Alimentos e Alimentação”, visando promover educação nutricional, principalmente aos estudantes universitários da UENF e funcionários (que somam aproximadamente 6.867 pessoas), além da população externa por meio de informativos eletrônicos. Com isso estaremos atendendo as solicitações da OMS no tocante ao desenvolvimento de estratégias para prevenir doenças e promover saúde
dos indivíduos e cumprindo um importante papel da universidade com a sociedade, que é a transmissão de conhecimento e transformação social.

OBJETIVOS E METAS

Elaborar material informativo que a população jovem e adulta possa compreender, com devida fundamentação científica, abordando os seguintes temas: composição e valor nutritivo de alimentos, dietas da moda, doenças relacionadas com a alimentação, mitos alimentares e tecnologia de alimentos. Estas matérias, pelo menos 24, serão postadas no “Blog da Ciência” da UENF semanalmente. Ministrar um curso sobre “composição de alimentos à luz da fisiologia bioquímica” para ser oferecido para graduandos da área de saúde pela escola de extensão da UENF. Ministrar um minicurso sobre “alimentação saudável” na Semana de Ciência e Tecnologia na UENF.

METODOLOGIA DE AÇÃO

1- Definição do assunto da semana com base em informações veiculadas na mídia sobre novas descobertas científicas e sugestões dos leitores.
Exemplo: estratégias para controle da hipertensão, alimentos para diabéticos, suplementos alimentares inadequados, gorduras trans, rotulagem nutricional de alimentos, alimentos com caloria negativa etc.
2- Aula dada pela coordenadora para os bolsistas sobre o tema em questão.
3- Pesquisa bibliográfica realizada pelos bolsistas sobre o tema escolhido.
4- Preparo da matéria e adaptação para a linguagem que o público possa entender pelos bolsistas.
5- Envio da matéria para o Coordenador do projeto para revisão final. Se necessário, a matéria é retornada para o bolsista fazer as devidas correções. Se está de acordo com as exigências do coordenador do projeto este a envia para ser postada no Bolg da Ciência da UENF.
6- Preparar os recursos audiovisuais para o curso sobre “Composição de alimentos à luz da fisiologia e bioquímica”
7- Preparar os recursos audiovisuais para o minicurso “alimentação saudável” que será ministrado na Semana de Ciência e Tecnologia da UENF.

A matéria a seguir, publicada no blog da UENF, exemplifica o tipo de trabalho que os propomos fazer e versa sobre um assunto polêmico que é o uso dos corantes caramelo III e IV em alimentos e bebidas.

Coluna Nutrição – Corantes caramelo IV e III: o veneno que ingerimos sem saber

Corantes caramelo IV e III: o veneno que ingerimos sem saber

Pamela Oliveira Vargas, Karla Silva Ferreira e Luiz Fernando Miranda da Silva

Os aditivos alimentares têm sido cada vez mais utilizados no desenvolvimento de novos produtos com os objetivos de melhorar aroma, sabor, cor, textura e conservação. Ao considerar que o aspecto visual é um fator importante para a seleção e escolha do produto, os corantes destacam-se entre uma das classes de aditivos mais utilizadas. Seu uso poderia ser dispensado se não fosse a importância que os consumidores dão ao aspecto visual dos alimentos.(1)

Dentre os diversos tipos de corantes, os caramelos estão entre os mais utilizados pelas indústrias de alimentos. São utilizados para conferir cor escura a alimentos e bebidas. Existem quatro categorias de corante caramelo: Caramelo I, Caramelo II, Caramelo III e Caramelo IV. A diferença entre eles é o processo de fabricação.

O caramelo I é um corante natural. Já os caramelos II, III e IV são corantes orgânicos sintéticos iguais ao natural. Os corantes caramelos III e IV são fabricados com amônia (processo amônia) que leva à formação de 4-metil-imidazol, substância que tem sido associada com o desenvolvimento de câncer, particularmente no intestino e pulmão, conforme demonstrado pelo Programa Nacional de Toxicologia do Governo dos Estados Unidos.(2) Na Tabela 1 são listados os tipos de corante caramelo, código e processo de fabricação.

A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa) estabelece que o teor do 4-metilimidazol não deve exceder a 200 mg/kg de corante e que uma pessoa adulta de 60 kg pode consumir, sem riscos para a saúde, até 3 mg de 4-metilimidazol /dia, enquanto que, para uma criança de 30 kg, o consumo não deve ultrapassar 1,5 mg de 4-metilimidazol/dia. Com base nos cálculos dos teores de 4-metil-imidazol presente nos corantes e este nos alimentos, a Anvisa considera que sua concentração em bebidas e alimentos encontra-se abaixo do limite máximo aceitável 3.

É interessante o fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária utilizar como argumento para a utilização de corantes que contenham o 4-metil-imidazol o fato desta substância ser formada no processamento e/ou cocção de alimentos. Por exemplo, ela cita o seguinte em seu informe técnico número 48: “Cabe ressaltar que os níveis de 4-metilimidazol encontrados pelos autores em cafés são maiores que aqueles obtidos para refrigerantes de cola. Apesar de os cafés não serem adicionados de corantes caramelos, o 4-metilimidazol pode ser formado durante o processamento térmico dos grãos, bem como em outros alimentos submetidos a aquecimento, inclusive no preparo caseiro”. Ora, se uma substancia prejudicial para a saúde já é encontrada naturalmente em alimentos tradicionais de uma população, o mais prudente é que não seja adicionada em nenhum outro alimento.(4)

O corante caramelo I, sendo um produto considerado natural, consta na lista dos corantes sem estabelecimento de limite de quantidade para uso (Legislação de corantes segundo as boas práticas de fabricação).(5) Já os demais (II, III e IV) não constam nesta lista, o que significa que existe um limite de ingestão acima do qual são prejudiciais para a saúde. Entretanto, as legislações específicas para adição de aditivos em alimentos não estabelecem quantidade máxima para estes corantes. A indústria pode colocar a quantidade que considerar necessária para obter o efeito desejado.(6)

A alegação da Anvisa para isso é que a quantidade necessária para proporcionar o efeito desejado é abaixo da quantidade que poderia ser prejudicial para a saúde. Alega também que, se colocados em maior quantidade, antes de atingirem o nível máximo permitido, estes corantes acarretariam gosto indesejável no alimento. No caso das bebidas não alcoólicas, eles podem ser utilizados na quantidade necessária para se obter o efeito desejado.(7)

Ora, se é assim, fica a pergunta: porque então tais corantes não estão na lista dos aditivos segundo as boas práticas de fabricação, isto é, dos aditivos que podem ser utilizados na quantidade necessária para se obter o efeito desejado? Outra questão que nos intriga: por que as indústrias optam por utilizar o corante caramelo IV ou III ao invés do caramelo I ou II? Certamente por questões tecnológicas e, ou custo de produção.

O panorama que se tem é que o corante caramelo IV é o mais utilizado nos alimentos e bebidas. Sua produção é de 200.000 toneladas/ano e representa 90% em peso de todos os corantes adicionados em alimentos e bebidas no mundo.(8) A Coca-Cola tem sido o produto mais visado pela presença do corante Caramelo IV e, em consequência, do 4-metil-imidazol. Entretanto, outros refrigerantes e alimentos que contêm calda de caramelo também têm em sua formulação o caramelo IV ou o III, como por exemplo temperos em tabletes, caldas de doces, guaraná, guaravita, pepsi, kuat, mineirinho, dentre outros. Quem quiser evitar a ingestão deste corante deve ler a lista de ingredientes dos alimentos e bebidas antes de comprá-los. As Figuras 1 e 2 são fotos de listas de ingredientes de alguns destes produtos.

De acordo com o Centro de Ciências de Interesse Público dos Estados Unidos, a Coca-Cola vendida no Brasil contém 267 mcg (microgramas) de 4-metil-imidazol em 350 mL (mililitros), ou seja, cerca de 267 mcg em uma latinha. Dentre os nove países citados por este centro, a Coca-Cola comercializada no Brasil é a que contém maior quantidade de 4-metil-imidazol. Essa é uma concentração muito elevada. A segunda maior concentração foi encontrada no refrigerante do Quênia, 177 mcg. E a menor, no Estado da Califórnia, Estados Unidos, apenas 4 microgramas.(9) Veja na Tabela 1 as quantidades de 4-metil-imidazol encontradas nos refrigerantes dos outros países.

O governo do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, estabeleceu que os fabricantes deveriam colocar uma advertência nos alimentos que contivessem mais que 29 mcg de 4-metil-imidazol. Ao invés de fazer este alerta para a população, a Coca-Cola optou por reduzir a quantia do corante utilizado na formulação de seu refrigerante na Califórnia.

A utilização de aditivos em alimentos suscita uma série de dúvidas, principalmente se a quantidade de cada aditivo ingerida pela população ultrapassa a quantia considerada segura para ser ingerida diariamente. Isso porque, até o momento, não existe obrigatoriedade legal para que as indústrias declarem as quantidades de cada ingrediente presente no alimento. O que é exigido pela legislação é que os ingredientes sejam escritos na lista de ingredientes começando pelo ingrediente utilizado em maior quantidade e finalizando com o utilizado em menor quantidade.

Contudo, o fato de não somente refrigerantes, como diversos outros alimentos terem este tipo de corante em sua composição, torna o assunto preocupante, pois pode haver casos de ingestão superior ao limite aceitável. Os venenos são colocados à disposição das pessoas e estas não são informadas sobre a quantidade que podem estar ingerindo.

Sendo assim, por se tratar de uma substância comprovadamente carcinogênica, o bom senso diz que seu consumo deve ser evitado para excluir qualquer possível risco à saúde.

REFERÊNCIAS

1. ASHFAQ, N.; MASUD, T. Surveillance on Artificial Colours in Different Ready to Eat Foods. Pakistan Journal of Nutrition, v. 1, n. 5, p. 223-225, 2002.

2. NATIONAL TOXICOLOGY PROGRAM et al. Toxicology and carcinogenesis studies of 4methylimidazole (Cas. No. 822-36-6) in F344/N rats and B6C3F1 mice (feed studies). National Toxicology Program Technical Report series, n. 535, p. 1, 2007.

3. BRASIL. ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico nº 68, de 03 de setembro de 2015 -. Classificação dos corantes caramelos II, III e IV e dos demais corantes autorizados para uso em alimentos.

4. BRASIL. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Informe Técnico nº 48, de 10 de abril de 2012 – Esclarecimento sobre a segurança de uso do corante Caramelo IV – processo sulfito amônia (INS 150d).

5. Brasil. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC n. 45, de 03 de novembro de 2010. Dispõe sobre aditivos alimentares autorizados para uso segundo as Boas Práticas de Fabricação (BPF). Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 11 de novembro de 2010.

6. BRASIL. Resolução nº 34, de 09 de março de 2001. Regulamento Técnico que aprova o uso de Aditivos Alimentares, estabelecendo suas funções e seus limites máximos para a Categoria de Alimentos 21: Preparações culinárias industriais”, constante do Anexo desta Resolução. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 12 de março de 2001.

7. BRASIL. Resolução nº 5, de 15 de janeiro de 2007. Anexo com lista de aditivos para uso em bebidas não alcoólicas. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 de janeiro de 2007.

8. NETO, R. C. M. Dossiê dos Corantes. Food Ingredientes Brasil, n. 9, 2009.

9. CSPI – Center for Science in the Public interest. http://www.cspinet.org/new/201206261.html

 

IMPACTOS DESEJADOS

Que as informações sejam difundidas e gerem mudança de comportamento
no público-alvo, com melhoria da alimentação e redução da incidência de doenças
crônico-degenerativas evitáveis por meio da dieta.

AVALIAÇÃO
A avaliação será feita por meio de relatos do público alvo e conhecimento do
número de acessos ao site.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. WHO/FAO Expert Consultation.Geneva, 2003 (WHO Technical Report Series, No. 916).

2. STANHOPE, KL et al. Consuming fructose-sweetened, not glucose-sweetened, beverages increases visceral adiposity and lipids and decreases insulin sensitivity in overweight/obese humans. J Clin Invest. 2009; vol.119:1322–1334.

3. WHITE, JS. Challenging the Fructose Hypothesis: New Perspectives on Fructose Consumption and Metabolism. AdvNutr March. 2013; vol. 4: 246-256.

4. LUDWIG, DS et al. Relation between consumption of sugar-sweetened drinks and childhood obesity: a prospective, observational analysis. The Lancet, 2001, vol 357: 505-8.

5. BELLISLE, F, Marie-Françoise Rolland-Cachera, MF.How sugar-containing drinks might increase adiposity in children. The Lancet. 2001, Vol 357: 490-49.

6. SCHULZE MB et al. Sugar-Sweetened Beverages, Weight Gain, and Incidence of Type 2 Diabetes in Young and Middle-Aged Women. Journalofthe American Medical Association. 2004, 292:927-34.

7. RONG, Y et al. Egg consumption and risk of coronary heart disease and stroke: dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. British Medical Journal, 2013;346:1-13.

8. BLESSO, CN et al. Whole egg consumption improves lipoprotein profiles and insulin sensitivity to a greater extent than yolk-free egg substitute in individuals with metabolic syndrome. Metabolism. 2013, 62:400-10.

9. HESSION, M et al. Systematic review of randomized controlled trials of low carbohydrate vs. low-fat/low-calorie diets in the management of obesity and its comorbidities. Obesity Reviews. 2009,10:36-50.

10. SANTOS, FL et al. Systematic review and meta-analysis of clinical trials of the effects of low carbohydrate diets on cardiovascular risk factors. ObesityReviews. 2012, 13:1048-66.

11. MICHA, R et al. Red and processed meat consumption and risk of incident coronary heart disease, stroke, and diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Circulation.2010, 121: 2271-2283.

12. ROHRMANN, S et al. Meat consumption and mortality – results from the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition. BMC Medicine. 2013.

13. RAMSDEN, CE et al. Use of dietary linoleic acid for secondary prevention of coronary heart disease and death. British Medical Journal, 2013.2013;346 1-18p

14. LANDS, WE et al. Dietary fat and health: the evidence and the politics of prevention: careful use of dietary fats can improve life and prevent disease. Annals of the New York Academy of Sciences. 2005, 1055: 179–192.

15. RAMSDEN, CE et al. n-6 fatty acid-specific and mixed polyunsaturate dietary interventions have different effects on CHD risk: a meta-analysis of randomised controlled trials. British Journal of Nutrition. 2010,104:1586-600.

16. KRATZ, M et al. The relationship between high-fat dairy consumption and obesity, cardiovascular, and metabolic disease. European Journal of Nutrition. 2013,52:124.

17. BONTHIUS, M et al. Dairy consumption and patterns of mortality of Australian adults. European Journal of Clinical Nutrition. 2010, 6:569-77.

18. SMIT, et al. Conjugated linoleic acid in adipose tissue and risk of myocardial infarction. The American Journal of Clinical Nutrition. 2010, 92:34-40.

19. Conselho Federal de Nutrição. Dieta DETOX: nota técnica. Disponível em
http://www.cfn.org.br/index.php/dieta-detox-nota-tecnica-do-cfn/. Data de acesso: 26 de novembro de 2015.

PLANO DE TRABALHO/METAS DOS BOLSISTAS

Nome do bolsista:                                                                           Plano de Trabalho/Metas
Taylane Fragoso de Freitas                                            Elaborar pelo menos 24 matérias sobre temas relacionados com                                                                                                 alimentos, nutrição e saúde e auxiliar na ministração de um                                                                                                         curso de extensão Carolina de Mello Schelck Auxiliar na pesquisa                                                                                               bibliográfica, ilustração e elaboração de, pelo menos, 12 matérias                                                                                               condizentes com o objetivo do projeto.

Julia Torres Alcantara                                                    Auxiliar na pesquisa bibliográfica, ilustração e elaboração de,                                                                                                      pelo menos, 12 matérias condizentes com o objetivo do projeto.

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO
Cronograma de Execução
Meta                                                                                                  Período
Seleção dos temas a serem abordados                              Junho/2018 a maio/2019

Pesquisa bibliográfica em literatura científica                Julho/2018 a maio/2019

sobre os tópicos a serem abordados

Preparo das matérias a serem divulgadas                        Julho/2018 a maio/2019

Postagem do material na internet                                     Junho/2018 a maio/2019

Preparo de curso para ser oferecido pela escola             Setembro/2018

de extensão da UENF

Preparo de minicurso sobre para ser dado na                Outubro/2018

semana de Ciência e Tecnologia na UENF

Preparo do seminário para apresentação na                 Agosto/2018

semana de ciência e tecnologia

Agrupamento das matérias e preparo                           Maio/2019

do relatório final

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