Estudo da UENF mostra que armadilha com fungo mata mosquito Aedes

Anderson Ribeiro, aluno do LEF

Anderson Ribeiro, 29 anos, nasceu em Salvador, na Bahia, mas foi criado em Campos dos Goytacazes, onde sempre estudou em escola pública. Assim que concluiu o ensino médio, em 2006, ele teve que trabalhar e não pode seguir nos estudos.

O primeiro vestibular veio em 2011, quando foi aprovado no curso de Biologia do CEDERJ/UENF. Atualmente, ele trabalha no controle biológico do mosquito Aedes aegypti.

Em 2013, Anderson conseguiu se transferir para o curso presencial de Licenciatura em Biologia na UENF. Ele descobriu o Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF/CCTA/UENF), onde atua, por meio de um amigo que trabalhava no grupo de Patologia de Insetos. “Sempre fui curioso em aprender mais sobre a biologia e o controle do mosquito Aedes. Foi então que surgiu a oportunidade de ingressar no laboratório como estudante Voluntário de Iniciação Científica”, lembra Anderson.

Atualmente, o estudante trabalha no controle biológico do mosquito Aedes aegypti, sendo orientado pelo doutor Adriano Rodrigues de Paula e supervisionado pelo professor Richard Ian Samuels. “Pretendo continuar meus estudos no mesmo laboratório fazendo mestrado, doutorado e pós-doutorado”, ressalta o estudante.

Conheça a pesquisa

O mosquito Aedes aegypti é o responsável pela transmissão da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana. Para minimizar o uso de inseticidas sintéticos, muitos estudos mostraram que os fungos entomopatogênicos Metarhizium anisopliae ou Beauveria bassiana foram eficientes para reduzir a sobrevivência de adultos Aedes.

Os conídios dos fungos são virulentos causando a redução da sobrevivência de fêmeas de Aedes. Entretanto, por volta de 30% dos mosquitos expostos aos conídios continuavam vivos. Um recente estudo publicado numa revista de alto impacto científico mostrou que a forma do fungo chamada de blastosporos reduziu em 100% a sobrevivência de larvas de Aedes aegypti em poucas horas. “Agora meu estudo visa investigar, pela primeira vez no mundo, se blastosporos reduzirão a sobrevivência de adultos machos e fêmeas de Aedes aegypti. E estamos tendo excelentes resultados com 100% de mortalidade dos adultos”, comemora Anderson.

O estudante explica que fungos entomopatogênicos são altamente promissores para serem utilizados no campo. “O estudo é realizado no Condomínio Mondrian, em Campos. Desenvolvemos uma armadilha suporte para um pano preto impregnado com fungo altamente atrativo para Aedes aegypti. Os mosquitos pousam no pano preto, se infectam com fungo e morrem. A redução da sobrevivência dos mosquitos é avaliada com um sistema de monitoramento utilizando armadilhas para coleta de ovos de Aedes aegypti. Com o estudo, observei que apartamentos com armadilha PET com pano preto mais fungo tiveram menor número de ovos de Aedes, comparado com apartamentos sem o tratamento com fungo”, explica Anderson.

Por Francislaine Cavichini

Retornar à home da Revista
Fechar Menu