{"id":31982,"date":"2025-02-24T17:06:01","date_gmt":"2025-02-24T20:06:01","guid":{"rendered":"https:\/\/uenf.br\/portal\/?p=31982"},"modified":"2025-02-24T17:06:01","modified_gmt":"2025-02-24T20:06:01","slug":"pesquisa-resgata-contribuicao-africana-na-quimica-experimental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uenf.br\/portal\/noticias\/pesquisa-resgata-contribuicao-africana-na-quimica-experimental\/","title":{"rendered":"Pesquisa resgata contribui\u00e7\u00e3o africana na qu\u00edmica experimental"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"901\" height=\"600\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1-901x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31987\" style=\"width:678px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1-901x600.jpeg 901w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1-400x267.jpeg 400w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-1-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 901px) 100vw, 901px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma hist\u00f3ria que foi apagada, mas que vem sendo resgatada pelo mestrando em Ci\u00eancias Naturais da UENF Th\u00falio Lauzindo Finamor Pereira: a contribui\u00e7\u00e3o africana na qu\u00edmica experimental. Ao realizar um estudo de caso no CIEP Doutor Jair de Siqueira Bittencourt, em Itaperuna, Th\u00falio vem conseguindo n\u00e3o s\u00f3 desmistificar o tema entre alunos do primeiro e segundo ano do ensino m\u00e9dio como tamb\u00e9m propor a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas para sanar o problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Intitulada \u201cAfrociencia\u00e7\u00e3o \u2014 contribui\u00e7\u00e3o africana e afro-brasileira envolvendo os compostos f\u00e9rricos na qu\u00edmica experimental na educa\u00e7\u00e3o&nbsp; b\u00e1sica\u201d, a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado tem a orienta\u00e7\u00e3o do professor Fernando Luna, do Laborat\u00f3rio de Ci\u00eancias Qu\u00edmicas da UENF (LCQUI) e ser\u00e1 defendida em mar\u00e7o de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Legisla\u00e7\u00e3o estabelece inser\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria africana nos curr\u00edculos de todas as disciplinas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa est\u00e1 alinhada ao que preconizam as Leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008, que alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o, de 1996. De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o, a contribui\u00e7\u00e3o africana para a forma\u00e7\u00e3o da cultura brasileira deve estar presente no curr\u00edculo escolar como um todo, ou seja, o tema deve estar inserido em todas as disciplinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o que vem acontecendo, ficando o tema restrito quase sempre \u00e0 \u00e1rea de ci\u00eancias humanas. Isso se deve, em grande medida, \u00e0 falta de material did\u00e1tico para que os professores trabalhem o assunto nas demais \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 A lei diz que a hist\u00f3ria afro-brasileira, e tamb\u00e9m ind\u00edgena, deve ser inclu\u00edda em todas as disciplinas. Mas isso \u00e9 uma complica\u00e7\u00e3o muito grande porque falta material did\u00e1tico. Precisa haver mais pesquisas sobre a contribui\u00e7\u00e3o africana nas demais \u00e1reas. Para quem d\u00e1 aula de f\u00edsica e qu\u00edmica \u00e9 muito complicado \u2014 diz o professor Fernando Luna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Extra\u00e7\u00e3o do ferro era realizada na \u00c1frica h\u00e1 3 mil anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Th\u00falio, h\u00e1 cerca de 3 mil anos, na \u00c1frica Central e Subsaariana, j\u00e1 havia o conhecimento pr\u00e1tico de como extrair o ferro met\u00e1lico do min\u00e9rio de ferro. Este conhecimento \u2014 trazido por africanos escravizados para o Brasil Col\u00f4nia \u2014 n\u00e3o aparece, no entanto, nos livros de hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Eles usavam fornos de baixo custo, chamados de fornos de tamisa. Para extrair o ferro met\u00e1lico da natureza, eles utilizavam carv\u00e3o ativado. Assim podiam fazer ferramentas, armas e outros utens\u00edlios \u2014 conta o mestrando, que \u00e9 formado em Licenciatura em Qu\u00edmica pelo Instituto Federal de Itaperuna (RJ), sua cidade natal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua pesquisa de mestrado, Th\u00falio prop\u00f5e n\u00e3o s\u00f3 levar aos alunos a quest\u00e3o hist\u00f3rica sobre a produ\u00e7\u00e3o do ferro met\u00e1lico pelos africanos, como desenvolver pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que possam ajudar os professores de Qu\u00edmica a trabalhar com a quest\u00e3o dentro da sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 As discuss\u00f5es s\u00e3o importantes, mas \u00e9 preciso sair um pouco da teoria e ir para a pr\u00e1tica, pensar em formas de minimizar o problema, reverter esse quadro dentro da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante fazer a cr\u00edtica, levantar a quest\u00e3o, mas tamb\u00e9m poder dizer: olha, aqui tem uma possibilidade educacional para os professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica hoje, se quiserem cumprir com a legisla\u00e7\u00e3o \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"901\" height=\"600\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2-901x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31985\" style=\"width:672px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2-901x600.jpeg 901w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2-400x267.jpeg 400w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Afrociencizacao-2.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 901px) 100vw, 901px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estudo de caso foi realizado em CIEP de Itaperuna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para desenvolver a pesquisa, Th\u00falio optou por realizar um estudo de caso dentro de uma escola, no ciclo b\u00e1sico. A escola escolhida foi o CIEP Doutor Jair de Siqueira Bittencourt, em Itaperuna, onde atuou em parceria com a professora de Qu\u00edmica V\u00edvian Vasques, que tamb\u00e9m fez mestrado na UENF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 A parceria foi fundamental, porque ela tamb\u00e9m \u00e9 sens\u00edvel a estas quest\u00f5es. Passamos a dar aula juntos, sem que os alunos tivessem ideia do que eu estava fazendo ali. Eu precisava desse tempo de conviv\u00eancia com os alunos, sen\u00e3o a pesquisa n\u00e3o daria certo \u2014 conta Th\u00falio, que atuou junto a seis turmas, sendo cinco do ensino m\u00e9dio comum e uma do curso normal, totalizando 183 alunos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizado de abril a novembro do ano passado, o estudo de caso foi composto de v\u00e1rias sequ\u00eancias did\u00e1ticas. Inicialmente, Th\u00falio realizou uma observa\u00e7\u00e3o participante, com o objetivo de criar uma proximidade maior com os alunos, sem que eles soubessem os reais motivos da sua presen\u00e7a na escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade desenvolvida nesta etapa buscou identificar qual a percep\u00e7\u00e3o que os alunos tinham da figura do cientista. Para tanto, Th\u00falio pediu que desenhassem cientistas e informassem tr\u00eas caracter\u00edsticas essenciais: idade, ra\u00e7a\/etnia\/cor e o g\u00eanero. Foram recolhidos 207 desenhos, dos quais 125 retratavam homens brancos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda sequ\u00eancia did\u00e1tica, quando os alunos j\u00e1 sabiam o que Th\u00falio estava fazendo na escola, a pr\u00e1tica&nbsp; teve por objetivo desmistificar a imagem do cientista. Foi feita uma brincadeira, na qual eram mostradas imagens de cientistas reais e os alunos tinham que dizer &nbsp;\u201cfala s\u00e9rio\u201d se discordassem e \u201ccom certeza\u201d se concordassem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Atividades pedag\u00f3gicas buscaram desconstruir preconceitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00e1tica revelou preconceitos estruturais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras na ci\u00eancia. De uma maneira geral, os alunos demonstraram, mais uma vez, a cren\u00e7a de que cientistas s\u00e3o homens brancos trabalhando em laborat\u00f3rios. As falas mais preconceituosas, segundo Th\u00falio, estavam ligadas \u00e0s cientistas negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Ao final da sequ\u00eancia, eu revelei que todos eram cientistas e fizemos uma discuss\u00e3o das respostas. Fui desconstruindo muitas ideias err\u00f4neas que eles tinham. Chamei a aten\u00e7\u00e3o para o fato de a maioria deles serem pardos ou negros, mas n\u00e3o se verem como cientistas, e falei que eles tamb\u00e9m podem chegar l\u00e1 \u2014 conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Th\u00falio tamb\u00e9m levou os alunos a analisarem criticamente imagens de negros em livros de hist\u00f3ria, nos quais aparecem em posi\u00e7\u00f5es subalternas, inferiorizados, sofrendo viol\u00eancia ou sendo humilhados. Em contraposi\u00e7\u00e3o, mostrou imagens que trazem negros trabalhando na fundi\u00e7\u00e3o do ferro, que soaram como novidade para os alunos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Fiz com que eles refletissem sobre essa imagem ruim dos negros que os livros did\u00e1ticos mostram. Por que sempre o negro est\u00e1 no lugar de v\u00edtima? Por que s\u00f3 aparece a parte ruim, do sofrimento? Por que os negros n\u00e3o aparecem como protagonistas do conhecimento? \u2014 conta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"424\" height=\"600\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/capa-da-revista-1-424x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-31986\" style=\"width:409px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/capa-da-revista-1-424x600.jpeg 424w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/capa-da-revista-1-400x566.jpeg 400w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/capa-da-revista-1-768x1086.jpeg 768w, https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/capa-da-revista-1.jpeg 905w\" sizes=\"(max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pesquisa mostra import\u00e2ncia da qu\u00edmica experimental na escola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira etapa pedag\u00f3gica foi a fase da qu\u00edmica experimental, com a revitaliza\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio e a realiza\u00e7\u00e3o de experimentos utilizando o ferro. Na opini\u00e3o de Th\u00falio, \u00e9 indispens\u00e1vel que a Qu\u00edmica seja ensinada de forma experimental, pois se trata de um conhecimento abstrato, de dif\u00edcil compreens\u00e3o, principalmente para adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Eu acredito numa Qu\u00edmica alinhada com o cotidiano, para que possa fazer sentido para o aluno. \u00c9 preciso conquistar os alunos, afetar suas paix\u00f5es. Na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o carro-chefe tem que ser agu\u00e7ar a curiosidade do aluno. \u00c9 importante que eles vejam a qu\u00edmica acontecendo diante de seus olhos. Ent\u00e3o eu queria trazer esse olhar experimental \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Th\u00falio, na escola j\u00e1 havia um projeto pra fazer um laborat\u00f3rio, o qual ele ajudou a que sa\u00edsse do papel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Eu poderia fazer os experimentos na sala de aula, mas n\u00e3o seria a mesma coisa. Fizemos um laborat\u00f3rio incr\u00edvel, e agora os alunos negros podem se sentir dentro do laborat\u00f3rio como se fossem cientistas. Quero mostrar a eles que \u00e9 poss\u00edvel \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os experimentos utilizaram materiais do cotidiano para mostrar a oxida\u00e7\u00e3o do ferro. Primeiro, foi feito experimento com palha de a\u00e7o, refrigerante de lim\u00e3o, vinagre e \u00e1gua destilada. Depois, ele utilizou prego e \u00e1gua com sab\u00e3o. Ao mesmo tempo, Th\u00falio contextualizou os experimentos apresentando toda a quest\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o africana na qu\u00edmica do ferro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima parte do estudo de caso foi a realiza\u00e7\u00e3o de um grupo focal, com discuss\u00f5es entre um grupo de alunos selecionados dentre os que mais demonstraram identifica\u00e7\u00e3o com o projeto. O objetivo foi verificar, na vis\u00e3o deles, como foi a experi\u00eancia com o projeto, qual o resultado, um feedback.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pesquisa busca inser\u00e7\u00e3o de alunos negros no ensino superior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Th\u00falio explica que optou por alunos do primeiro ano do ensino m\u00e9dio porque \u00e9 nesta etapa que eles t\u00eam o primeiro contato com a Qu\u00edmica. Abordando a quest\u00e3o sob uma perspectiva decolonial (pensamento cr\u00edtico que se sobrep\u00f5e \u00e0 vis\u00e3o euroc\u00eantrica), a ideia era tentar desconstruir os fortes preconceitos que os alunos t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o africana na \u00e1rea cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Muitos artigos tratam da escassez de alunos negros nas \u00e1reas de ci\u00eancias da natureza. Isso ocorre porque, durante a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, n\u00e3o foi colocada essa figura para eles. Eles n\u00e3o se identificam com o universo da pesquisa em laborat\u00f3rio, acham que \u00e9 coisa de pessoas brancas. \u00c9 importante mudar isso, para que eles saibam que, se quiserem, t\u00eam todo o direito tamb\u00e9m de seguir nessas \u00e1reas \u2014 diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resgate da hist\u00f3ria africana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Th\u00falio observa que, de uma maneira geral, os livros did\u00e1ticos propagam o conhecimento cient\u00edfico euroc\u00eantrico. Isto porque sempre foi difundida a ideia de que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica s\u00f3 ocorria nas regi\u00f5es centrais, como Europa e Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Se a \u00c1frica tinha um conhecimento que despontava, acreditava-se que algu\u00e9m levou este conhecimento para l\u00e1. Houve uma massa de manobra, um apagamento dessa parte da hist\u00f3ria da ci\u00eancia africana. Ent\u00e3o a verdadeira hist\u00f3ria \u00e9 dif\u00edcil de ser contada \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Fernando Luna ressalta que os africanos escravizados possu\u00edam conhecimentos que eram aproveitados no Brasil colonial. Quando aqui chegavam eram direcionados para o trabalho que j\u00e1 sabiam fazer \u2014 agricultura, marcenaria, cozinha etc. Segundo ele, todo o trabalho de minera\u00e7\u00e3o era feito por africanos que detinham esse conhecimento, uma vez que na \u00c1frica j\u00e1 havia uma tradi\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2014 Eles tinham cultura, mas ela foi aniquilada. Havia v\u00e1rias formas de se fazer isso. Por exemplo, n\u00e3o gostavam de colocar escravos de uma mesma regi\u00e3o em uma mesma fazenda. Havia diferentes portos na \u00c1frica e uma diversidade muito grande de culturas \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(<em>Veja essa e outras reportagens na Revista NOSSA UENF<\/em> <a href=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/NossaUenf_Ano8_N5-rev-1.pdf\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria que foi apagada, mas que vem sendo resgatada pelo mestrando em Ci\u00eancias Naturais da UENF Th\u00falio Lauzindo Finamor Pereira: a contribui\u00e7\u00e3o africana na qu\u00edmica experimental. 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