Taxonomia dos Parques Tecnológicos

O  propósito de uma Taxonomia é identificar e classificar grupos com características específicas. Desta forma, é possível abordá-los de forma diferente e precisa. Apresentaremos a seguir a Taxonomia proposta pela ABDI/ANPROTEC, que permite a definição de uma metodologia objetiva para caracterizar um Parque Tecnológico, sua relevância e impacto na região onde está inserido.

O “mundo dos PqTs” busca oferecer as condições favoráveis para que se encontre um EQUILÍBRIO, uma onda de “NÃO RESISTÊNCIA” ou um “ESPAÇO DE MÁXIMA PERFORMANCE” para o desenvolvimento de novas empresas, a interação universidade-empresa e a prática da inovação com competitividade. Tal relação é demonstrada na figura 1.

figura 1

Figura 01: Atores Fundamentais

Fonte: ANPROTEC/ABDI,2008

 

Desta forma, a Taxonomia proposta se estrutura a partir de DOIS EIXOS BÁSICOS:

  1. Base de Ciência e Tecnologia (C&T): leva em conta os parâmetros, indicadores e características do Parque Tecnológico e da região entorno no que diz respeito à base de conhecimento existente na região na forma de universidades, instituições de C&T, profissionais qualificados, histórico de projetos de P&D, infra-estrutura para pesquisa, sistema educacional, investimentos públicos e privados em P&D, etc.
  2. Base Empresarial: Leva em consideração fatores relacionados à densidade de empresas inovadoras e à cultura de empreendedorismo e inovação existente na região, avaliada na forma de empresas de tecnologia estabelecidas, histórico e geração de start-ups, existência de organizações de venture capital, receitas geradas por empresas inovadoras e nível de globalização dos negócios, entre outros fatores.

Dentre os vários sistemas e metodologias de indicadores analisados para se avaliar a “base de C&T e a base Empresarial” de um Parque Tecnológico vale destacar os cinco grupos de indicadores do “European Innovation Scoreboad” utilizados para avaliar o progresso e a evolução dos países da Comunidade Européia na área de Inovação: Innovation Drivers (Motores da Inovação), Knowledge Creation (Criação do Conhecimento), Innovation and Entrepreneurship (Inovação e Empreendedorismo), “Application of Knowledge” e Intellectual Property (Propriedade Intelectual).

Este e outros sistemas de avaliação permitem a definição de uma metodologia objetiva para estabelecer o “Nível de Relevância” da base de C&T e empresarial de um Parque e da região onde está inserido. Este “Nível de Relevância” se constitui na escala de graduação dos dois Eixos Básicos da Taxonomia, dividida em:

  1. Relevância Nacional/Mundial – aplicável àqueles PqTs que apresentam uma Base de C&T ou Base Empresarial de destaque nacional e capaz de posicionar o país de forma significativa no cenário internacional.
  2. Relevância Regional – aplicável aos PqTs cujos indicadores de C&T e empresarial se destacam no país no âmbito regional
  3. Relevância Local – aplicável aos projetos cujos indicadores ficam restritos ao âmbito Local

Este esforço permite a devida orientação a projetos futuros, estabelecendo as políticas de desenvolvimento e as diretrizes de investimento. A proposta evidencia elementos que definem (i) a Estratégia de Posicionamento do Parque Tecnológico, (ii) a Caracterização do Entorno e a (iii) Caracterização do Parque.

Assim, como ilustrado na figura 2, a Taxonomia desenvolvida propõe quatro grandes categorias para classificação dos Parques Tecnológicos:

  1. Parque Tecnológico “consolidado” – contemplando os empreendimentos que possuem “base de C&T e base Empresarial” de relevância mundial/nacional.
  2. Parque “CIENTÍFICO-tecnológico” – PqTs com destaque da base de C&T em relação à base empresarial
  3. Parque “EMPRESARIAL-tecnológico” – PqTs com destaque da base Empresarial em relação à base de C&T
  4. Parque Tecnológico “emergente” – PqTs que apresentam base de C&T e Empresarial de nível regional.

 

figura 2

Figura 2: Eixos Básicos da Taxonomia

Fonte: ANPROTEC/ABDI, 2008

 PERFIL TÍPICO DOS PARQUES TECNOLÓGICOS NO BRASIL

Apesar de constituir uma experiência relativamente recente, o movimento de Parques Tecnológicos no Brasil já permite identificar algumas características típicas que configuram a base que pode se consolidar como um modelo brasileiro de PqTs:

Os PqTs brasileiros possuem um forte relacionamento com mecanismos e iniciativas de promoção de empreendedorismo inovador, especialmente incubadoras de empresas:

  • Em geral os parques estão relacionados com um programa formal de planejamento regional, constituindo uma parte importante da estratégia de desenvolvimento econômico e tecnológico;
  • Os projetos de PqTs normalmente têm sido liderados por entidades gestoras de programas bem sucedidos na área de incubação de empresas, transferência de tecnologia universidade-empresa e pesquisa e desenvolvimento para o setor empresarial;
  • Os espaços físicos escolhidos para implantar os PqTs geralmente são originários de órgãos públicos ou de universidades;
  • Empresas estatais de grande porte e competência tecnológica tem desempenhado papel cada vez mais importante na alavancagem e consolidação de PqTs;
  • Em função do caráter emergente da indústria de tecnologia no país, os PqTs vêm ocupando um espaço como verdadeiras referências físicas do processo de desenvolvimetno dos pólos tecnológicos brasileiros.

Referências Bibliográficas:

  • ANPROTEC-ABDI. Parques Tecnológicos no Brasil – Estudo, Análise e Proposições. In XVIII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas. ANPROTEC – ABDI, 2008.
  • REINC – Rede de Incubadoras, Pólos e Parques Tecnológicos do Rio de Janeiro. Proposição de uma Política Estadual de Implantação e Consolidação de Parques Tecnológicos do Rio de Janeiro. REINC, 2009

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