Setor de Importação

Importação no Brasil

Antes das regras da importação para a pesquisa, vale conhecer como a legislação brasileira organiza as importações em geral. Existem três modalidades. Clique em cada uma para ver os detalhes.

1. Importação por conta própria A pessoa física ou jurídica importa com recursos próprios, para estoque ou uso próprio.

Importar por conta própria (importação direta) significa que a pessoa física (CPF) ou jurídica (CNPJ) realiza todo o processo de compra, pagamento e desembaraço aduaneiro, sem intermediários. Essas operações são regidas principalmente pelo Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) e por normas da Receita Federal (IN RFB nº 1.937/2020).

1.1 Pessoa física (CPF): uso próprio

  • Finalidade: apenas uso pessoal, sem fins comerciais ou de revenda.
  • Regime de Tributação Simplificada (RTS): importações de até US$ 3.000 por operação podem utilizar o RTS.
  • Documentação: CPF regular e cadastro no site dos Correios (“Minhas Importações”) para acompanhar e pagar os tributos.
  • Limitações: alguns produtos exigem anuência de órgãos como a Anvisa (medicamentos).
  • Tributos: veja a seção Valores limites e tributos.

1.2 Pessoa jurídica (CNPJ): conta própria

  • Habilitação no RADAR/Siscomex: fundamental. A empresa precisa estar habilitada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) da Receita Federal para importar.
  • Responsabilidade: o importador é o único responsável pela operação, pelos custos (transporte, armazenagem) e pela conformidade legal.
  • Classificação fiscal (NCM): a mercadoria deve ter o código NCM correto, que determina os tributos (II, IPI, PIS, Cofins, ICMS).
  • Despacho aduaneiro: registro da Declaração de Importação (DI) ou da Declaração Única de Importação (Duimp).

A pessoa física que atuar como adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem só poderá realizar operações de comércio exterior para os fins previstos no § 3º do art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.984/2020, que trata da habilitação de declarantes de mercadorias e do credenciamento de seus representantes no comércio exterior.

2. Importação por conta e ordem de terceiros Uma empresa presta o serviço de importação para uma pessoa física ou jurídica, que fornece os recursos.

É uma prestação de serviço (IN RFB nº 1.861/2018) em que uma empresa importadora (mandatária) promove o desembaraço aduaneiro em nome próprio, com recursos financeiros de uma empresa adquirente (mandante). A adquirente é a real importadora e dona da mercadoria, e o contrato deve ser formalizado antes da operação.

Pontos fundamentais

  • Contrato e vínculo: é obrigatório um contrato firmado antes do embarque entre a importadora e a adquirente, vinculado no Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).
  • Adquirente (real importador): é a responsável legal pela compra internacional e quem disponibiliza os recursos financeiros.
  • Importadora (prestadora): é a empresa contratada, que promove o desembaraço aduaneiro em seu nome, atuando como mandatária.
  • Obrigações aduaneiras: as duas empresas devem estar habilitadas no RADAR (Siscomex).
  • Riscos e multas: a falta de formalização ou o uso de recursos próprios da trading, quando não previstos, pode configurar interposição fraudulenta de terceiros.
3. Importação por encomenda Uma empresa importa com recursos próprios para revender a um encomendante predeterminado.

Regulada pela IN RFB nº 1.861/2018 e pela Lei nº 11.281/2006: uma comercial importadora (trading) adquire mercadorias com recursos próprios para revendê-las a um encomendante predeterminado. Requer contrato prévio, vinculação no Siscomex e cumprimento das regras de preço de transferência.

Pontos fundamentais

  • Definição: compra internacional feita por uma trading (importadora) para um cliente específico (encomendante), com recursos da trading.
  • Contrato: obrigatório, com vinculação dos CNPJs no Portal Único Siscomex.
  • Regulação: a IN RFB nº 1.861/2018 estabelece os requisitos e as condições para as importações por conta e ordem de terceiro e por encomenda.
  • Fiscalização: a Receita Federal exige o Cadastro de Intervenientes no Siscomex e monitora as operações para evitar interposição fraudulenta.
  • Preço de transferência: aplicam-se as regras dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996.

Conta e ordem ou encomenda: qual a diferença

Conta e ordem Encomenda
Quem fornece os recursos A adquirente A trading
Natureza da operação Prestação de serviço Compra para revenda
Risco financeiro Da adquirente Da trading
Contrato prévio Obrigatório Obrigatório
Base legal IN RFB nº 1.861/2018 IN RFB nº 1.861/2018 e Lei nº 11.281/2006
Valores limites e tributos Limites por operação, tributos para pessoa física e jurídica, compras internacionais e regra de bagagem.

Pessoa física

As compras não podem ultrapassar US$ 3 mil por operação. Até US$ 500, o imposto é simplificado e corresponde a 60% da compra, incluindo o valor do produto e eventuais taxas de frete e seguro. De US$ 500 a US$ 3 mil, também incidem o ICMS, administrado pelos estados, uma taxa de despacho aduaneiro de R$ 150 e outras despesas de despacho.

Pessoa jurídica

Acima de US$ 3 mil, a compra passa a ser considerada de pessoa jurídica. Cada produto é tarifado conforme o Imposto de Importação, com o acréscimo de outros tributos, como IPI, PIS e Cofins.

Em casos específicos, pessoas físicas podem importar acima desses valores, como os pesquisadores que importam pela Lei nº 8.010/1990.

Compras internacionais e isenções

  • Em 2026 ocorreu o fim da isenção de US$ 50 nas compras entre pessoas físicas e jurídicas (sites de e-commerce).
  • Compras de até US$ 50: comumente, aplica-se alíquota de 20% de Imposto de Importação, além do ICMS de 17% (calculado “por dentro”).
  • Compras acima de US$ 50 até US$ 3.000: a tributação é mais elevada e pode chegar a 60% de Imposto de Importação, mais o ICMS.
  • Medicamentos: os comprados por pessoas físicas para uso próprio continuam isentos de Imposto de Importação, desde que sigam as regras da Receita Federal (geralmente até US$ 10.000).
Regra de bagagem para viajantes

Para quem traz itens

Pretende importar como pesquisador, pela UENF ou pelo CNPq?

As importações destinadas à pesquisa seguem regras e benefícios próprios. O SETIMP orienta cada etapa do processo.

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