Pesquisa analisa tipo de coruja rasga-mortalha

Julia Gesualdi Villapouca, 23 anos, cursa o 4º período de Medicina Veterinária na UENF. Natural de Brasília, Distrito Federal, morou parte de sua adolescência no Rio de Janeiro e teve todo o período de formação em escolas da rede pública, pois a família não tinha recursos para custear instituições particulares. A estudante diz que os três anos do ensino médio foram fundamentais para criar o pensamento de cursar uma graduação e estar preparada para o mercado de trabalho.

“Cursar veterinária sempre foi um sonho, e me interessei em vir para a UENF devido a oferta de bolsas. Chegando na universidade logo ingressei na Iniciação Científica voluntária, pois sempre me interessei pela área de pesquisa. Em seguida, me submeti ao edital de bolsas do PIBIC-UENF, passando a participar do programa como bolsista”, disse a estudante.

Julia relata que a IC é muito importante, principalmente para mostrar o papel da universidade pública na sociedade, além de tornar as pesquisas públicas, abrindo portas para os estudantes de graduação conhecerem as áreas e se interessarem pelo mestrado e doutorado. A estudante teve sua pesquisa premiada no XI CONFICT.

“Pretendo fazer pós graduação e residência em veterinária, e todo esse treinamento em pesquisa e contato com diversos pesquisadores doutorandos e mestrandos do meu setor (NEPAS) despertou interesse para a área. Ter apresentado meu trabalho no CONFICT foi muito bom para mim, pois me incentivou a vencer barreiras e treinar a escrita e fala, e a conseguir apresentar meu trabalho de forma que as pessoas pudessem entender o que eu faço da pesquisa e também a importância dela para a área”, informou.


Conheça a pesquisa

Julia Gesualdi atua no Núcleo de Estudo e Pesquisa em Animais Selvagens (NEPAS), do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), onde desenvolve o seu projeto de Iniciação Científica. Naquele laboratório, sob orientação da pós-doutoranda Juliana Ywasaki Lima e do seu supervisor Leonardo Serafim, ela busca compreender a morfologia externa e cardíaca de Tyto furcata, que é uma coruja muito comum da região, mais conhecida como rasga-mortalha, suindara, ou coruja da igreja. Por ser muito abundante na região, ela é uma espécie de extrema importância sanitária, pois se alimenta de roedores, e outros vetores de doenças, fazendo controle das suas populações.

“Meu trabalho consiste em medir as corujas que vem a óbito depois do atendimento clínico no NEPAS, faço as medidas externas, de tamanho de garras, de unha, de asas e de bico para identificar um padrão da população. Essas medidas já permitiram anteriormente que outras subespécies fossem diferenciadas por regiões”, relata a estudante.

Outro ponto destacado por Julia em sua pesquisa é a análise dos corações das corujas, que depois de fixados em formol, são medidos e descritos os vasos e sua anatomia. Este trabalho contribui para entender o funcionamento e também para embasar o atendimento clínico, verificando possíveis patologias e padrões de normalidade.

“Realizo a técnica de estereologia também, que consiste na contagem dos cardiomiócitos do coração, para determinar a densidade e volume. No laboratório fazemos atendimentos clínicos com os animais selvagens e pets não-convencionais, além de pesquisa e extensão”, concluiu.

Por Jane Ribeiro

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