
Diretor do NUPERJ, Economista Alcimar Chagas é entrevistado na Rádio UENF
Ao participar na manhã desta quarta-feira, 08/04/26, do Programa Bom dia UENF Entrevista, na Rádio UENF, o economista Alcimar das Chagas Ribeiro questionou os indicadores socioeconômicos mais utilizados — os quais se baseiam na riqueza dos municípios, como o PIB e outros. Isso porque nem sempre essa riqueza se traduz em melhores qualidades de vida para a população.
— Essa é a nossa grande preocupação: mostrar que não adianta ter orçamentos e PIBs grandiosos. Volume de riqueza muito grande não garante bem-estar da população — disse Alcimar, que atua como professor do Laboratório de Engenharia de Produção da UENF (LEPROD) e coordena o Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro (NUPERJ).
Para sanar este problema, o NUPERJ desenvolveu um novo indicador: o Índice de Dinâmica Econômica Local (INDEL). Segundo Alcimar, o INDEL leva em conta primeiro a conjuntura econômica local. Ao invés de olhar o volume total de empregos, por exemplo, o INDEL analisa o emprego no comércio local. Isto porque grande parte dos empregos registrados refere-se aos empreendimentos portuário e petrolífero, em que maioria dos funcionários sequer reside nestes municípios.
— Quem não conhece a região, se olhar somente pelo indicador emprego, vai achar que os municípios estão muito bem. São João da Barra, por exemplo, em 18 anos, saiu de 3 mil empregos para 20 mil. Em Macaé também houve grande elevação de empregos. Mas esses empregos não guardam nenhuma relação com o município, pois as pessoas não usam o dinheiro que recebem lá. Elas vão trabalhar e retornam para seus municípios — disse.
Segundo Alcimar, a Região Norte Fluminense, apesar de se destacar no cenário nacional e internacional, apresenta muitas dificuldades. A Bacia de Campos já chegou a produzir 80% do petróleo nacional.
— Evidentemente que hoje é uma Bacia madura e tem uma participação menor na produção de petróleo, mas ainda é muito importante. No entanto, os municípios da região apresentam uma economia muito frágil, e as dificuldades são enormes. Por mais que os orçamentos de municípios como Campos, Macaé e São João da Barra sejam grandiosos.
Para Alcimar, grandes investimentos exógenos (que vêm de fora), não garantem o desenvolvimento socioeconômico da região. É necessário, segundo ele, pensar em investimentos endógenos (que vêm de dentro). Desta forma, criam-se cadeias produtivas no entorno do território, fixando a riqueza por eles gerada.
Segundo Alcimar, a promoção do desenvolvimento econômico local deve ser pensada de forma sistêmica, tendo a universidade como um de seus elementos — assim como os governos, empresas, entidades não governamentais etc. Na sua opinião, é preciso que todos esses elementos tenham entendimento bastante amplo de como conduzir esse processo.
— É a tal da governança. Como pensar num processo de governança para o desenvolvimento local? Como não existe essa interação num nível muito forte, o que acontece é que a universidade desenvolve suas funções (pesquisa, tecnologia, qualificação), mas isso precisa virar inovação. Aí precisa da empresa, do governo etc. Não existe desenvolvimento sem instituições fortes — disse.
(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF)
O link para a matéria pode ser encontrado a seguir: https://uenf.br/portal/noticias/economista-alcimar-chagas-entrevistado-na-radio-uenf/
NOTA: A equipe NUPERJ agradece pelas presenças no Seminário de Apresentação de resultados do INDEL (Índice de Dinâmica Econômica Local) realizado em 6 de maio, na Uenf. Somos gratos pela participação e contribuições ao debate sobre nosso território.
O seminário foi também um marco da trajetória do NUPERJ, que nesses quase seis anos de existência vem construindo sua atuação com base em pesquisa aplicada, publicações regulares e formação de jovens pesquisadores.
Seguimos dispostos ao diálogo para estabelecer parcerias institucionais estratégicas.
Fotos: Ascom Uenf.

Panfleto do seminário de resultados do Indel, realizado no dia 6/5 às 14h no Anfiteatro 1 do Centro de Convenções da Uenf.
Índice de Dinâmica Econômica Local – Indel
O Índice de Dinâmica Econômica Local (Indel) é uma ferramenta desenvolvida pelo grupo de pesquisa (Nuperj/Uenf), focada na análise da economia regional com uma abordagem distinta dos índices tradicionais. Seu objetivo é oferecer uma visão mais precisa e contextualizada da dinâmica econômica, especialmente em regiões como o Norte Fluminense, beneficiadas por investimentos e receitas exógenas como as de portos e empreendimentos offshore, as quais tendem a distorcer as análises convencionais.
Suas variáveis incluem investimento público, impostos sobre circulação de mercadorias e serviços, movimentação bancária, emprego e renda no comércio, e o estoque complementar do trabalho formal em relação aos benefícios sociais.
Esses indicadores compostos são ponderados para formar um índice médio que varia de 0 (zero) a 1 (um), oferecendo uma escala de avaliação mais refinada da dinâmica econômica local, atenta para a eficiência na articulação de recursos escassos no território entre famílias, empresas e governos.
Alta dinâmica: resultados superiores a 0,8 ponto
Dinâmica moderada: resultados compreendidos entre 0,6 e 0,8 ponto.
Dinâmica regular: resultados compreendidos entre 0,4 e 0,6 ponto.
Baixa dinâmica: resultados inferiores a 0,4 ponto
Indel 2019 a 2023 – municípios do estado do Rio de Janeiro
Clique no painel abaixo para selecionar dados por município, mesorregião e ano.
Para mais informações, acesse a página do INDEL no site do Nuperj.




