Os efeitos do programa bolsa família na educação e na desigualdade de renda

Escolher uma profissão logo após terminar o Ensino Médio ou enquanto aluno pode parecer assustador a princípio, por isso, ter oportunidade de conhecer o que as instituições de ensino superior oferecem é uma boa forma de começar. Foi assim que João Rodrigues Aguiar, de 20 anos, aluno da graduação em Ciências Sociais na UENF, apaixonou-se pelo curso.

João Rodrigues Aguiar, no XI CONFICT, em 2019

“A UENF entrou em minha vida sem que eu esperasse por isso. Meu ensino médio demorou a me proporcionar interesse por sociologia, política, antropologia, etc. Me formei no segundo grau com a mentalidade de fazer jornalismo fora de Campos. No entanto, uma série de eventos aconteceram para que isso se tornasse inviável: momentos sensíveis na família, recursos financeiros e medo da baixa qualidade de vida no RJ (lugar onde tinha, inclusive, aprovado para fazer). Assim, vi pelo Enem que existia a possibilidade de cursar ciências sociais na UENF. Sendo bem sincero, foi amor à primeira vista. Lembro até hoje de olhar a grade e achar sensacional o fato de que poderia estudar aquilo.”

Cursando, atualmente, o quinto período, João conta que buscou informações a respeito das bolsas de Iniciação Científica logo no começo. Com suas notas altas e muito estudo a fim de conhecer as linhas de pesquisa disponíveis, ele conheceu seu orientador e professor de economia, Marlon Gomes Ney, que avaliou o projeto de pesquisa do estudante.

Um dos resultados de toda essa dedicação já pode ser contemplado, pois João foi um dos premiados do XIII CONFICT. “Acredito que qualquer estudante que já consolidou em sua mente que o curso que faz é de fato o que quer fazer, deve olhar atentamente para iniciação científica. Em minha experiência, posso dizer que o ambiente de um laboratório de pesquisa é fundamental para a construção de um bom pesquisador. A relação professor-aluno, para além de sala, dentro desse espaço, engrandece aqueles que verdadeiramente têm prazer pelo que fazem e estudam. Sou muito grato por vivenciar e perceber meu amadurecimento.” conta o estudante, que pretende seguir na IC até o fim de sua graduação.

Conheça a pesquisa

A pesquisa de João, intitulada “Educação e as recentes mudanças na desigualdade de renda no Brasil”, é desenvolvida no Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico (LEEA) da UENF. Premiado no XIII CONFICT, ocorrido em 2021, o trabalho é orientado pelo professor Marlon Gomes Ney e tem como objetivo investigar os efeitos do Programa Bolsa Família na sociedade.

“De maneira simples, o objetivo do estudo é analisar, na última década, os efeitos do PBF na educação e na desigualdade de rendimentos no Brasil e unidades da federação, compreendendo as mudanças do perfil educacional   da população mais pobre, intermediaria e relativamente rica. Analisando também a relação entre o grau de escolaridade das pessoas e o nível de desigualdade na distribuição de renda. Para que isso seja feito, é claro, é preciso analisar os principais entraves do programa e, consequentemente, os desafios para sua continuidade e aprimoramento.” explica João.

Antes de debruçar-se sobre tal assunto, o estudante precisou dedicar-se a conhecer o contexto relacionado ao tema. Com isso, ele agregou outros conhecimentos, enriquecendo o seu trabalho, seus projetos futuros, além de dar visibilidade a questões pertinentes relacionadas à sociedade.

“Foi através dessa pesquisa que pude entender como os debates sobre transferência de renda começaram no Brasil, quais e como foram as experiências anteriores à Bolsa Família, que tipo de programas como este tem-se ao redor do mundo. Acredito que o tema é válido, atual e de suma importância para um país melhor e mais justo.” diz João sobre a relevância de sua pesquisa.

 

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