Criada em 2003, a Editora da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro teve seu vigor renovado em 2012, com a formação do Conselho Editorial responsável pelo processo de elaboração do Regimento Interno da EdUENF, sob a condução do Prof. Sérgio Arruda de Moura, então o editor-chefe. Aquele documento, que vale como a verdadeira certidão de nascimento da editora, foi aprovado pelo Conselho Acadêmico da UENF em 6 de setembro de 2013 e publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro em 18 de março de 2014. O Regimento Interno reza que a EdUENF “tem por finalidade promover obras de natureza acadêmica, apoiando o ensino, a pesquisa e a extensão da universidade, norteada pelo critério de qualidade, em consonância com o Regimento e o Estatuto da UENF” (D.O.R.J 18/03/14, p.23). A editora se propõe a direcionar suas atividades para obras de conteúdo didático, científico, artístico, filosófico e de divulgação cultural e extensionista. Até o momento, cerca de 45 publicações levam o ISBN da EdUENF.

Em 8 de janeiro de 2016, o Magnífico Reitor da UENF Luís Cézar Passoni, designou o Prof. Dr. Leonardo Rogério Miguel para exercer o cargo de editor-chefe (D.O.R.J, 14/01/2016, p.12). Os demais membros do atual Conselho Editorial são:

Profa. Dra.. Maura Cunha (Centro de Biociências e Biotecnologia)

Prof. Dr. Sérgio Arruda de Moura (Centro de Ciências do Homem)

Profa. Dra.. Cláudia Lopes Prins (Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias)

Prof. Dr. Roberto Trindade F. Júnior (Centro de Ciência e Tecnológica)

TNS Ana Bianca Rocha Miranda (representante dos Servidores Técnico-Administrativos)

Não obstante as severas e restritivas condições orçamentárias que sofre, a EdUENF procura atuar, ainda que modestamente, no cumprimento da tarefa de difundir conhecimentos produzidos em seu meio acadêmico-científico. A EdUENF se centra na dinâmica interlocutiva típica da Universidade enquanto um dos instrumentos de apoio à sua atividade-fim, que é formar profissionais de alto nível, não apenas em termos técnico-científicos, como também humanísticos e culturais. Esta atividade se desdobra em três: no Ensino, na Pesquisa e na Extensão. A unidade entre as três atividades, ou missões, consiste no próprio espírito da Universidade, a tríade fundamental da vida acadêmica. O logotipo da EdUENF faz alusão a essa “trindade acadêmico-científica” e a articula metaforicamente com outro trio muito signifivativo: Eros, Philia e Agape, as diferentes palavras gregas para o amor.

O docente-pesquisador, ao se entregar a esse trio de missões acadêmicas evoca o ato de amar, porque também se entrega à busca e à pesquisa, para depois ofertá-la como ensino e extensão. É uma forma de amar como vetor do pensar. As analogias e metáforas envolvidas na marca EdUENF podem ser entendidas assim:

     Pesquisa-Eros[1] é o amor desejante, sempre na busca incessante e engenhosa por aquilo que lhe falta. Insaciável volúvel, egoísta. É o encontro de entidades que trocam prazeres, que se entregam ao outro, mas não totalmente. Eros cobiça e devora seu objeto, é capaz de consumir o outro por completo. Eros é o amor que conduz a Pesquisa, a investigação científica – a relação entre o sujeito do conhecimento e o objeto do conhecimento. O amor físico, tátil, empírico (o toque das mãos e dos olhos sobre livros e documentos; o contato com materiais sob investigação e com os experimentos no laboratório).  O desejo e a busca da Pesquisa-Eros pelo conhecimento na universidade não cessam, explora seus objetos de estudo ao máximo, está sempre insatisfeito com o que já tem. Uma vez se sentindo satisfeito ou encontrando obstáculos para seguir na sua exploração/investigação, dirige seus olhos para o outros lados, outros objetos e, assim, segue o sentido de sua existência. Pesquisa-Eros não gosta de amarras, não consegue ser o que é nem se expressar sem a Liberdade/Autonomia (o valor da liberdade científica, liberdade de pesquisa).

 

     Ensino-Philia[2] é o amor fraternal. A manifestação do amor da amizade, a alegria de estar com o amigo, a alegria da troca entre aqueles em quem confiamos, aqueles que escolhemos ou escolheram estar conosco. Há a alegria do diálogo. Philia é o Ensino – a relação entre mestres e aprendizes na vida acadêmica. É a relação generosa entre docentes e discentes na troca de conhecimentos e experiências. Philia é altruísta. Temos aqui um valor universitário imprescindível: a colaboração/cooperação. Ensino-Philia requer fraternidade e humildade intelectual.

 

 

     Extensão-Ágape, o amor da caridade, o amor generoso, incondicional, amor da entrega e do autossacrifício. Abraça os demais, pois é preciso ter uma medida de desejo pelo outro (Pesquisa-Eros), mas não em nome do egoísmo, da carência, da necessidade de ter a posse do que o outro tem de próprio. Extensão-Ágape vai além do Ensino-Philia, pois não precisa de laços afetivos tão estritos com o ser amado (“filiado”). Extensão-Ágape não se importa com quem é o ser amado, pois abarca a todos e a qualquer um. “É amar/fazer o bem sem olhar a quem”, como dizem. Extensão-Ágape contrabalançaria a relação entre Ensino-Philia e Pesquisa-Eros.  O compromisso de ambas é a um só tempo doar, entendendo nesta palavra não só a generosidade, mas a paixão, a amizade. E esta trindade aparece na universidade nas suas três ações fundamentais. Em suma, a atividade extensionista da universidade seria Ágape – expande os entrelaçamentos de Eros e Philia para além do local em que se dão.  Ao mesmo tempo, mostra o valor das realizações e do modus operandi universitário de Pesquisa-Eros e Ensino-Philia. Extensão-Ágape preza pelo equilíbrio entre as demais partes, procura garantir a igualdade de valor e atenção entre aquilo que lhe é familiar e aquilo que se mostra como diferente (relação academia-sociedade).

Assim, evocamos Eros,  Philia e Ágape, três conceitos para ilustrar as três esferas, ou semicírculos que a EdUENF tomou para si como identidade compartilhada com a própria identidade da nossa Universidade.

 

[1] Como é bastante conhecido, na mitologia grega, Eros é o deus do amor, filho de Porus, o esperto, e Penia, a penúria. Porus é a personificação da riqueza; Penia, da pobreza. Concebido enquanto Porus e Penia estavam embriagados de néctar servido em uma celebração à Afrodite, deusa da beleza, Eros compartilha características de seus pais e é adorador da beleza. Por ser filho de Riqueza e da Pobreza, o Amor “é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a carência. Conforme o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre aa tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece, ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como está no meio da sabedoria e da ignorância” (Platão, 1979, p.35).

[2] Philia é um termo grego encontrado na obra “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles.

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