UENF lidera rede nacional e conquista aprovação do primeiro INCT de Fruticultura Tropical do Brasil

Projeto aprovado pelo CNPq reúne instituições estratégicas, prevê amplo investimento em bolsas de pesquisa e visa manter a liderança global do país na exportação de frutas.

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) consolidou sua posição de destaque nas ciências agrárias nacional ao ter aprovada a proposta para a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Fruticultura Tropical. Coordenado pela UENF, o novo instituto atuará em rede com outras importantes instituições localizadas em regiões estratégicas de produção de frutas no país: Unimontes (Norte de Minas), Univasf (Vale do São Francisco/Petrolina) e UFV (Viçosa). O coordenador do projeto é o professor Alexandre Pio Viana, professor do LMGV e orientador no Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento de Plantas (PPGGMP).

O projeto foi um dos poucos selecionados no rigoroso edital do CNPq. De um total de 142 novos institutos aprovados em diversas áreas do conhecimento, como saúde e inteligência artificial, apenas oito foram destinados à agricultura. Dentre eles, o liderado pela UENF é o primeiro e único do Brasil focado especificamente na Fruticultura Tropical.

Estratégia e Inovação

Segundo o professor Alexandre, a aprovação é fruto de uma articulação estratégica e do histórico de excelência da universidade. “A UENF já possui uma série de produtos tecnológicos estabelecidos, como cultivares de mamão, goiaba e maracujá. Esse histórico permitiu que liderássemos o processo”, explica.

O objetivo central do INCT é desenvolver novas tecnologias, incluindo cultivares e bioinsumos, para garantir que o Brasil mantenha e amplie sua liderança internacional na produção e exportação. “O Brasil é o segundo maior produtor mundial de mamão, mas em termos de qualidade para exportação, nós lideramos. Nosso desafio é manter essa política de desenvolvimento tecnológico”, completa o pesquisador.

Formação de Recursos Humanos e Bolsas

Um dos pontos altos do projeto é o forte investimento na formação de novos cientistas. Cerca de 35% do valor total do projeto será destinado a bolsas, abrangendo desde a Iniciação Científica (IC) até o Pós-Doutorado (no país e no exterior).

Estão previstas aproximadamente 50 cotas de IC e 30 de Pós-Doutorado, além de bolsas de apoio técnico. “O instituto age como um órgão autônomo na concessão dessas bolsas, desde que focadas na fruticultura tropical. Isso é um grande benefício, pois permite que pesquisadores acoplados ao instituto tenham acesso a fomento para desenvolver suas pesquisas”, destaca o professor.

Integração Regional e Mobilidade

O INCT também prevê mobilidade acadêmica entre as universidades parceiras e a realização de eventos anuais rotativos. A ideia é que Petrolina, Campos dos Goytacazes (UENF), Viçosa e Montes Claros sediem encontros para troca de experiências e apresentação de resultados.

Para a região Norte e Noroeste Fluminense, a conquista reforça a vocação local. “A região tem aptidão climática, de solo e água para frutas tropicais de alta qualidade. O projeto responde a problemas práticos da agricultura regional e nacional, como o desenvolvimento de cultivares resistentes a pragas, beneficiando diretamente o produtor”, conclui.