Deputada Élika Takimoto destaca na Rádio UENF a importância da valorização das universidades públicas

A professora e deputada estadual  Elika Takimoto (PT) defendeu a necessidade de se retomar a confiança nas escolas e universidades públicas ao participar, na manhã desta quinta-feira, 12/03/26, do Programa Bom dia UENF Entrevista, na Rádio UENF 87.1 FM. Segundo a deputada, o descrédito das instituições de educação públicas faz parte de um projeto da extrema direita voltado para a desvalorização da Educação no País.

— Precisamos devolver o respeito que essas instituições já tiveram um dia. Vai ser uma luta difícil, porque o estrago foi muito grande. Nunca se confiou tão pouco nas escolas e universidades públicas. Para muitas pessoas, esses são lugares que não se deve frequentar. A diversidade incomoda, e a elite precisa manter o padrão — afirmou.

A descredibilização do ensino superior público, na opinião da deputada, tem relação com o negacionismo científico. Ela ressaltou que 90% das pesquisas científicas no Brasil ocorrem dentro das universidades públicas.

— As pessoas recebem os benefícios do que é feito nas universidades públicas, mas não sabem disso. Isto porque existe um projeto de descrédito das universidades. Por isso dizem que nas universidades só tem drogados, que é lugar de balbúrdia etc. Tem até projeto de lei pra acabar com a Uerj — disse.

Para que esse processo seja revertido, segundo Elika, é necessário mudar os governantes, elegendo pessoas que defendam essas instituições. Segundo afirmou, esse é o maior desafio da Educação nos dias de hoje.

— O avanço da extrema direita trouxe mudanças negativas. Uma coisa era a gente ter dificuldade na escola e na profissão. Outra foi o professor passar a ser considerado inimigo da sociedade. Há quem nos veja hoje como adversários. Ou quem queira que só falemos o que deseja ouvir — destacou.

A deputada ressaltou que a valorização da educação passa principalmente pela dignidade dos professores e dos alunos. Não só os salários devem ser justos, como também as escolas devem possuir a infraestrutura adequada ao ensino.

Ela lembrou que, nas escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro, o salário dos professores está abaixo do piso nacional. Além disso, grande parte das escolas não conta com profissionais necessários, como pedagogos, psicólogos, entre outros. E muitas não oferecem salas de aula climatizadas.

— Quando falo na defesa da Educação é preciso explicar a que me refiro. Eu penso em professores com liberdade para pesquisar, incentivo para que eles continuem seus estudos, alunos estudando em salas climatizadas, escolas onde haja debate e reflexão crítica. Não estou falando só em conteúdos — afirmou.

Primeira mulher a ocupar o posto de presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Elika Takimoto informou que, dos 70 deputados estaduais, apenas 18 são progressistas.

— Somente os deputados progressistas votam a favor da Educação. A quantidade de projetos da direita que não ajudam em nada, só pioram a Educação, é absurda — disse.

Segundo a deputada, outro desafio hoje é fazer com que os jovens permaneçam na escola, uma vez que tem havido muita evasão.

— A escola está ficando um lugar desinteressante. Mas a gente está perdendo esses alunos para onde? Que possamos tornar a escola um local em que os alunos sintam orgulho, prazer de estarem ali — afirmou.

Elika também falou sobre como se deu a sua entrada na política. Graduada em Física, com mestrado em História e doutorado em Filosofia, a deputada começou trabalhando como professora da rede particular e da rede pública do Estado. Em 2006, ingressou no Cefet.

— Atuei em péssimas condições em escolas do subúrbio do Rio. Quando entrei no Cefet, me encantei e comecei a me perguntar por que não se consegue levar essa dignidade, essa estrutura para as escolas estaduais — contou.

Cronista, com 10 livros publicados, Elika também começou a escrever sobre Educação, fazendo sucesso nas redes sociais. Em 2017, um desses textos viralizou e acabou chamando a atenção do presidente Lula. Nesse momento, uma chave começou a virar em sua cabeça.

— Um ano antes, a Dilma saiu pelo que considero um golpe. Nessa época eu era coordenadora de Física do Cefet e pude acompanhar a queda orçamentária. Fiquei desesperada. Se estava acontecendo no Cefet, imagina o efeito dominó nas outras escolas. Entendi que era um projeto político de destruição da Educação — contou, relatando que foi ai que resolveu entrar para a política.

Com vários projetos na área de Educação, Elika vem se dedicando com afinco à região Norte Fluminense e também à UENF.

— Conheço essa região há muito tempo, sempre a visitei, lancei livros aqui. E também sei da importância da UENF para o desenvolvimento do Estado e do Brasil. Assim que fui eleita, comecei a pensar nisso — disse.

Dentre as ações da deputada, está a lei que tornou a Casa de Cultura Villa Maria Patrimônio Cultural, Material e Turístico do Estado do Rio de Janeiro nem 2024. Ela informou que também protocolou pedido para que seja feito o mesmo em relação ao Centro de Convenções Oscar Niemeyer, na UENF.

Ela ressaltou ainda a luta pelo Plano de Cargos e Vencimentos da UENF (PCV) e várias emendas parlamentares — R$ 200 mil para a melhoria do Restaurante Universitário (RU), R$ 150 mil para apoiar o Fórum dos Reitores das Instituições Públicas de Ensino do Estado do Rio de Janeiro (Friperj), além de R$ 200 mil para pesquisas e para o projeto da Rádio UENF.

— Acho importantíssimo a UENF se comunicar com o público. Não basta fazer, tem que comunicar. A Rádio tem uma capacidade imensa, que a Inteligência Artificial nunca vai conseguir substituir — afirmou.

O Programa teve a apresentação da jornalista Thábata Ferreira, da Rádio UENF.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Ana Letícia Bila – ASCOM/UENF)

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