Pesquisadores da UENF publicam boletim para marcar Dia Nacional da Restinga

Para marcar o dia Nacional da Restinga (28 de abril), pesquisadores da UENF publicaram o boletim “Propagação de Melanopsidium nigrum (Rubiaceae) como estratégia de resgate de germoplasma”. Importante ecossistema costeiro associado à Mata Atlântica, a restinga se caracteriza por vegetação sobre solos arenosos e salinos, atuando como escudo natural contra a erosão. A espécie Melanopsidium nigrum é endêmica da restinga e classificada como vulnerável, devido à sua distribuição restrita e aos impactos da ação humana.

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O boletim é assinado pelos professores Mara Gomes (LMGV), Eliemar Campostrini (LMGV) e Deborah Barroso (LFIT), além dos biólogos Gabriel Braga e Larissa Cordeiro, egressos da instituição, e da Dra. Amanda Lúcia da Silva. Também contribuíram membros das equipes da Gás Natural Açu (GNA), representados pela Dra. Luana Mauad; o Dr. Leandro Cardoso (UFRJ); Daniel Nascimento e
Juliana Feritas (Reserva Caruara); e João Vitor Gomes (IPF Soluções Florestais).

Segundo a professora Mara Gomes, a espécie Melanopsidium nigrum é uma planta dióica que, embora se reproduza por sementes, apresenta dificuldades para geração de frutos viáveis. Além disso, exigências de órgãos ambientais determinam o transplantio de indivíduos em áreas de supressão de vegetação, prática que nem sempre apresenta resultados satisfatórios. Nesse contexto, a propagação vegetativa surge como uma estratégia fundamental para a conservação da espécie, permitindo a produção de clones a partir de plantas matrizes.

O boletim apresenta um estudo pioneiro que avaliou a aplicação de técnicas tradicionais de propagação vegetativa — como estaquia, alporquia e miniestaquia — para a formação de novos indivíduos de M. nigrum. Todas as técnicas demonstraram potencial, ainda que com variações nos índices de sucesso. Uma das principais evidências indica que propágulos mais jovens apresentam maior probabilidade de enraizamento e desenvolvimento.

Outro aspecto relevante destacado é a necessidade de considerar o tempo disponível para o resgate de germoplasma, especialmente em situações vinculadas ao licenciamento ambiental. Nem sempre há condições para empregar todas as técnicas, sendo fundamental selecionar aquelas mais viáveis para cada contexto. Em cenários de supressão imediata da vegetação, por exemplo, a estaquia — especialmente de brotações herbáceas — associada ao transplantio pode ser a alternativa mais adequada, mesmo com taxas de sucesso mais modestas. O boletim busca justamente oferecer subsídios técnicos para orientar essas decisões.

— Além disso, as técnicas apresentadas também podem ser aplicadas por comunidades situadas em áreas de restinga, desde que haja acesso a estruturas como câmaras de nebulização. Considerando a importância da conservação de uma espécie vulnerável, a implementação dessas estruturas pode ser incentivada pelos órgãos competentes — explica a professora.


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