Estudos desenvolvidos no LENEP e no PPGERE analisam sistemas petrolíferos e reforçam o potencial exploratório em águas profundas e ultraprofundas

Pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo (LENEP), do Campus Carlos Alberto Dias da UENF, estão aumentando o conhecimento sobre o potencial exploratório das bacias que compõem a Margem Equatorial Brasileira (MEB). Os estudos utilizam dados geológicos, geoquímicos e geofísicos para identificar possíveis sistemas petrolíferos e áreas com características semelhantes às de regiões onde já foram registradas importantes descobertas de petróleo.
A Margem Equatorial Brasileira se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. A região é considerada uma nova fronteira exploratória devido ao potencial identificado em águas profundas e ultraprofundas. A importância da área aumentou após descobertas realizadas na Margem Equatorial Africana e na Bacia da Guiana-Suriname, que possuem uma história geológica relacionada à brasileira.
A pesquisadora Ediane Batista, que acompanha essa linha de pesquisa desde o mestrado e atualmente está no segundo ciclo de pós-doutorado, destaca que o cenário mudou significativamente ao longo dos últimos anos.
— Quando iniciei meu mestrado, em 2019, ainda se falava pouco sobre o potencial exploratório das bacias da Margem Equatorial Brasileira e sobre sua importância estratégica para a segurança energética do país — conta.
Segundo Ediane, o interesse pela região cresceu tanto no meio científico quanto entre empresas e na sociedade.
— Ao longo desses anos de pesquisa, pude acompanhar o crescente interesse das empresas, da comunidade científica e da sociedade pelo potencial dessas bacias. Também observei um aumento significativo no número de artigos científicos e projetos de pesquisa voltados para essa temática —afirma.
Um dos focos dos estudos desenvolvidos na UENF é a identificação dos chamados “plays exploratórios”, modelos que reúnem características semelhantes entre diferentes acumulações de petróleo. Para que uma acumulação comercial seja formada, é necessário que diferentes elementos e processos geológicos ocorram de maneira sincronizada, incluindo rochas geradoras, reservatórios, selantes, armadilhas e as condições necessárias para geração, migração e acumulação dos hidrocarbonetos.
A identificação dessas características é realizada a partir da integração de diferentes tipos de dados. As pesquisas utilizaram informações de poços exploratórios e de levantamentos sísmicos 2D e 3D disponibilizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os dados geoquímicos obtidos dos poços exploratórios permitem avaliar características das rochas geradoras, enquanto os dados sísmicos ajudam a compreender a distribuição e a profundidade dos possíveis reservatórios. A aplicação de atributos sísmicos também auxilia na identificação de feições que podem indicar a presença de hidrocarbonetos.

A linha de pesquisa começou após a descoberta de petróleo chamada Zaedyus, em 2011, na Bacia da Guiana-Suriname. A partir desse contexto, o professor Severiano Ribeiro, do LENEP, identificou a possibilidade de desenvolver estudos sobre o potencial exploratório da Margem Equatorial Brasileira dentro do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Reservatórios e de Exploração (PPGERE).
A pesquisa teve início com um Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido pelo estudante Bruno Carvalho, de Engenharia de Petróleo. Posteriormente a pesquisa deu origem a três dissertações de mestrado, uma tese de doutorado e, atualmente, a uma pesquisa de pós-doutorado, sempre contando com o apoio da professora Eliane Soares de Souza, também do LENEP, no tocante à geoquímica do petróleo
As dissertações analisaram diferentes áreas da Margem Equatorial, incluindo as bacias de Pará-Maranhão e Barreirinhas, a porção noroeste da Bacia da Foz do Amazonas e a Bacia Potiguar. Já a tese de doutorado da Ediane Batista ampliou a investigação para os potenciais intervalos de rochas geradoras de todas as bacias da Margem Equatorial Brasileira.
Os resultados permitiram identificar importantes intervalos de rochas geradoras e reservatórios, principalmente entre o Neocretáceo e o Paleógeno, entre aproximadamente 100 milhões e 23 milhões de anos. Esses intervalos apresentam características semelhantes às observadas em áreas de sucesso exploratório da Bacia da Guiana-Suriname.
— Os resultados destas pesquisas indicam um enorme potencial exploratório para a região — explica Ediane. Segundo ela, atualmente apenas as bacias Potiguar e Ceará apresentam exploração em águas profundas e ultraprofundas, enquanto nas bacias Pará-Maranhão, Barreirinhas e Foz do Amazonas esse tipo de atividade ainda é bastante limitado.
Os estudos desenvolvidos pela equipe contribuíram para identificar intervalos de interesse para a exploração de petróleo e gás. As informações podem servir de base para futuras pesquisas, auxiliar na redução dos riscos exploratórios e contribuir para o aprimoramento dos modelos geológicos utilizados pela indústria.
Entre os principais desafios encontrados durante o trabalho, está a necessidade de ferramentas computacionais mais avançadas.
— O maior desafio foi a disponibilidade de softwares mais robustos para interpretação sismoestratigráfica e modelagem desses sistemas petrolíferos — explica a pesquisadora. Segundo ela, ferramentas mais sofisticadas poderiam tornar as análises ainda mais precisas e fortalecer os resultados obtidos.
Além da produção científica, a pesquisa também está relacionada à formação de novos profissionais. Ediane atualmente orienta e coorienta estudantes de pós-graduação do PPGERE e, junto ao professor Severiano Ribeiro, ministra a disciplina de Geologia do Petróleo para estudantes da graduação e da pós-graduação.
A pesquisadora também destaca a importância da orientação recebida durante sua trajetória. Sobre o professor Severiano Ribeiro, que foi seu orientador no mestrado, no doutorado, e atualmente é seu supervisor de pós-doutorado, Ediane afirma:
— O professor Severiano sempre foi um excelente orientador, bem como a professora Eliane, que foi minha co-orientadora. Atualmente, é também meu supervisor de pós-doutorado — diz. Para ela, ambos contribuíram de forma significativa para a condução e o desenvolvimento da pesquisa.
Atualmente, Ediane dá continuidade às pesquisas sobre as bacias da Margem Equatorial Brasileira em seu segundo ciclo de pós-doutorado. A perspectiva é aprofundar o conhecimento geológico da região e, simultaneamente, contribuir para a formação de novos pesquisadores.
— O objetivo é continuar desenvolvendo pesquisas que contribuam para o conhecimento geológico e para a evolução da exploração de petróleo nas bacias da Margem Equatorial Brasileira, formando também novos pesquisadores nessa área — conclui.
(Reportagem: Luana Fernandes, estagiária, sob supervisão da jornalista Fúlvia D’Alessandri – ASCOM / UENF)



