Workshop reúne cerca de 300 inscritos e mostra que a UENF tem conjunto de equipamentos sem igual no Estado

I Workshop Interdisciplinar de Nanotecnologia e Inovação começou na segunda-feira (05) e segue até quarta (07), com palestras, mesas de discussão e minicursos

Evento foi realizado no Centro de Convenções da UENF

Nenhuma outra instituição do estado do Rio de Janeiro tem reunido, num só lugar, o conjunto de equipamentos de grande porte para pesquisa em nanotecnologia que a UENF possui hoje. A afirmação foi feita pelo professor Sérgio Luis Cardoso, do Laboratório de Ciências Químicas (LCQUI), um dos integrantes do Grupo Interdisciplinar de Nanotecnologia Aplicada à Biotecnologia da UENF (GINAB/UENF), durante a abertura do I Workshop Interdisciplinar de Nanotecnologia e Inovação. O evento, que reúne cerca de 300 inscritos, começou na segunda-feira, 05/10, no Centro de Convenções da Universidade, e prossegue até quarta-feira, 07/10.

Segundo Cardoso, a estrutura é resultado de investimentos feitos nos últimos anos.

— Nanotecnologia não se faz com pouca coisa, é caro, os equipamentos são de grande porte. E hoje, graças a financiamentos institucionais e de projetos de pesquisa, aliados à união do conhecimento dos nossos pesquisadores, a gente vai poder avançar bastante numa área muito importante para o desenvolvimento, tanto do Brasil quando do exterior — disse.

O workshop, organizado pelo GINAB/UENF, reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento para discutir os avanços científicos, as aplicações tecnológicas e as perspectivas da nanotecnologia, com destaque para pesquisas voltadas ao diagnóstico e ao tratamento de doenças, novos materiais e aplicações biotecnológicas.

Além de palestras e mesas de discussão, a programação inclui minicursos teóricos e práticos, que capacitam os participantes em técnicas, metodologias e ferramentas usadas em pesquisas de ponta em nanotecnologia, biotecnologia e inovação. Um dos objetivos é promover a integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e estudantes, estimulando novas colaborações científicas e soluções inovadoras para desafios da saúde, da indústria e da sociedade.

A mesa solene de abertura foi composta pelo vice-reitor da UENF, Fábio Lopes Olivares, que representou a reitora Rosana Rodrigues, em reunião do Colegiado Acadêmico da UENF (COLAC); pela diretora do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT), Márcia Giardinieri; e pela diretora do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), Marina Suzuki. Também participaram os professores do GINAB Pablo Bernardo, do Laboratório de Ciências Físicas (LCFIS); Sérgio Seabra, do Laboratório de Biologia Celular e Tecidual (LBCT); e Sérgio Cardoso, do LCQUI.

Em sua fala, Fábio Olivares afirmou que o caminho da UENF é o da integração interdisciplinar e que a Universidade precisa aproximar seus Centros e as competências de cada um. Segundo ele, a própria nanotecnologia já convida a essa integração, além de estimular a inovação tecnológica. O vice-reitor citou aplicações como sensores e produtos para a agricultura, a chamada agricultura 5.0, e o diálogo da área com a inteligência artificial e com a aquisição e o processamento de dados.

— Seria muito bacana se a iniciativa de vocês em torno da nanotecnologia pudesse ser ampliada para outras áreas do conhecimento. A UENF precisa amadurecer cada vez mais nessa direção, e que vocês possam inspirar outros grupos também — disse.

Primeiro reitor da UENF, professor Wanderley de Souza

Após a mesa de abertura, o professor Wanderley de Souza, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), proferiu a palestra “A moderna Microscopia aplicada à Biotecnologia”. Wanderley foi o primeiro reitor da UENF e participou da implantação da Universidade, em 1993.

Ao agradecer o convite, ele disse que há dois anos não retornava à UENF e que se sente muito contente ao ver as mudanças positivas pelas quais a instituição passou desde sua implantação.

Para o pesquisador, a microscopia é um dos instrumentos fundamentais para observar o mundo. Ele apresentou um panorama do desenvolvimento e das tendências atuais da área, usando como exemplo os modelos que estuda em laboratório, protozoários patogênicos como o Trypanosoma cruzi. Segundo Wanderley, o estudo sobre esses protozoários se aplica a qualquer sistema.

Wanderley também descreveu o espírito de quem trabalha com microscopia.

— O microscopista é um sonhador; ele está sempre procurando observar estruturas menores, o detalhe das estruturas. Ele quer resolução: quanto maior a capacidade de resolução, maior é a chance de ver partículas e subpartículas, e isso numa profundidade bastante grande — afirmou.

Do câncer à separação óleo-água

Em seguida, o professor Pablo Bernardo falou sobre o tema “Nanomagnetismo: do tratamento do câncer por hipertermia à separação óleo-água”. Segundo ele, as nanopartículas magnéticas estão entre as ferramentas mais promissoras da nanotecnologia moderna. Na palestra, mostrou que os mesmos tipos de material podem gerar tecnologias tanto para a saúde quanto para a sustentabilidade, e apresentou resultados de pesquisas recentes e os desafios para o desenvolvimento de nanopartículas magnéticas multifuncionais.

Uma das aplicações desenvolvidas pelo professor é a hipertermia magnética. Saiba mais na matéria Esperança contra o câncer.

A programação do primeiro dia teve ainda as palestras “Espectrometria de massas, nanotecnologia e as novas fronteiras da química analítica”, com o professor Jefferson de Souza, e “Aplicação da Nanotecnologia na Saúde”, com o professor Sérgio Seabra.

O evento prossegue nesta terça-feira (06) com minicursos pela manhã e palestras à tarde. A programação completa está no site do evento.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: João Félix – ASCOM / UENF)

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