Caravana da Ciência do Cecierj em Campos pela primeira vez, a convite da UENF

Museu itinerante transforma conceitos científicos em experiências práticas e encontra, na Mostra de Extensão, um público curioso também fora das salas de aula

Uma câmera que funciona sem lente, fósseis que podem ser tocados e experimentos que ajudam a entender conceitos de física e biologia. Na Caravana da Ciência, aprender passa pela curiosidade, pela observação e, sempre que possível, pela experiência prática. Pela primeira vez em Campos dos Goytacazes, o museu itinerante participa da XVIII Mostra de Extensão da UENF, UFF, IFF e X UFRRJ, a convite da Universidade.

Com 19 anos de atuação, a Caravana é uma iniciativa de divulgação científica da Fundação Cecierj, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. A estrutura reúne uma carreta adaptada, tendas, exposições, jogos interativos e um planetário móvel. A proposta é levar o conhecimento científico a diferentes regiões do estado, aproximando conteúdos acadêmicos de públicos diversos.

Na Mostra de Extensão, a Caravana encontra um público que acrescenta uma perspectiva diferente à experiência: estudantes que já estão no Ensino Superior e, muitas vezes, tiveram contato com aqueles conceitos durante sua formação.

O coordenador da Caravana, Bruno Henrique Gonçalves de Oliveira, conta que alguns visitantes reconhecem os experimentos, mas se surpreendem ao rever princípios que estavam esquecidos. É o caso da câmera escura, experiência que ajuda a compreender fundamentos relacionados à formação das imagens e ao desenvolvimento da fotografia.

Ele também destaca a curiosidade dos graduandos, que chegam por interesse próprio, fazem perguntas e se envolvem com experiências de áreas diferentes das suas. Para ele, esse encontro mostra que a ciência não precisa ficar restrita à especialidade de cada estudante: os experimentos ajudam a perceber como o conhecimento se conecta à vida cotidiana e pode ser aplicado em diferentes contextos.

A troca também acontece no sentido contrário. Ao conversar com o público universitário, a equipe identifica outras formas de explicar os conteúdos e de aproximá-los da realidade das pessoas.

— Eles também nos dão ideias. A troca é muito bacana e nos permite filtrar o que eles trazem para utilizar nas nossas abordagens futuras — afirma Bruno.

Uma ponte entre universidade e sociedade

A primeira passagem por Campos tem um significado especial para a equipe. Embora a Caravana já tenha participado de eventos científicos e circulado por diferentes regiões do estado, Bruno explica que convites para Mostras realizadas em universidades não são tão frequentes. Isso torna a experiência na UENF uma oportunidade particular de diálogo.

Para o coordenador, estar em uma universidade também reforça a proposta de aproximar o conhecimento produzido no meio acadêmico da população. A Caravana ajuda a tornar essa linguagem mais acessível, enquanto a convivência com estudantes e pesquisadores permite à equipe refletir sobre como comunicar a ciência de maneira mais clara.

A experiência dialoga com a própria proposta da Mostra de Extensão, que reúne instituições públicas de Ensino Superior para compartilhar ações e aproximar a produção acadêmica da sociedade.

Bruno lembra que a universidade deve ser um espaço aberto a todos, inclusive a quem não faz parte da comunidade acadêmica.

— A universidade, quando abre as portas, é para todos — afirma.

Mais do que apresentar experimentos, a Caravana leva a ciência ao encontro das pessoas. E, em sua primeira visita a Campos, encontra na UENF a oportunidade de ampliar essa conversa.

Missão: construir pontes

— A gente não fica num púlpito. A gente constrói pontes — resume Bruno.

A equipe é formada por educadores museais com diferentes formações, entre elas biologia, astronomia, história, geografia e pedagogia. Essa diversidade permite apresentar um mesmo assunto por diferentes caminhos, tornando conceitos complexos mais acessíveis.

Na prática, o visitante encontra atividades que convidam à participação. Há experimentos interativos, jogos de espelhos, exposição de fósseis reais da Serra do Araripe, um modelo em 3D de dinossauro brasileiro e o planetário inflável, que apresenta o céu de forma imersiva. Outro destaque é o Girotec, equipamento que simula movimentos associados à experiência de um astronauta.

A interação ajuda a transformar explicações em descobertas. Em vez de apenas ouvir sobre um fenômeno, o visitante pode observar como ele acontece e experimentar seus princípios.

Ao longo de sua trajetória, a iniciativa já percorreu 82 dos 92 municípios fluminenses, segundo Bruno. A prioridade é chegar a lugares onde o acesso a espaços de divulgação científica é limitado, levando a ciência para além dos ambientes tradicionais de ensino.

(Jornalista: Tatiana Freire – Fotos: Clara Freitas – ASCOM/UENF)

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