‘Ciências Forenses’ é tema de minicurso na Mostra de Extensão

Historiadora Odete Rocha discute raízes históricas da violência contra a mulher e afirma que leis não são suficientes

Nas últimas décadas, houve um grande avanço na legislação de proteção à mulher, mas as leis não têm sido suficientes para uma mudança concreta da realidade brasileira. Foi o que afirmou a historiadora Odete Rocha, ao participar, na manhã deste sexta-feira, 23/10/26, do minicurso  “Ciências Forenses: do acolhimento à análise das evidências”, no Centro de Convenções Oscar Niemeyer, na UENF.

O minicurso teve também a participação da professora Nadir Sant’Anna, da Unifamesc, e marcou o último dia da XVIII Mostra de Extensão da UENF, IFF e UFF.

Para entender a questão da violência contra a mulher no Brasil, segundo Odete, é preciso analisar de que forma a história da construção da sociedade brasileira contribuiu nesse processo. Segundo afirmou, a “engrenagem do machismo” se construiu a partir das relações escravistas que se estabeleceram no Brasil Colônia e no Brasil Império.

— Essas relações estiveram fincadas na humilhação, na coisificação dos corpos. Aquilo que a história traz não muda com uma lei e de uma hora para outra, até porque a construção de uma sociedade é um processo que une relações sociais, econômicas e políticas. Isso não quer dizer que as leis não são importantes. Mas nós precisamos dialogar e dar vida a elas. É preciso que as leis tomem corações e mentes — disse.

De acordo com a historiadora, as marcas da sociedade escravista se perpetuam até os dias de hoje, através da violência simbólica — processo pelo qual as estruturas de dominação são internalizadas. A naturalização da opressão feminina, disse, encontra-se em vários tipos de violência enfrentados pelas mulheres.

— Além daquela violência visível, física, que deixa marcas no corpo, existe uma série de outras ações violentas que não são visíveis, mas que causam danos quase que irreparáveis à mulher na nossa sociedade — disse.

Odete informou que, segundo estudos, 46% das mulheres brasileiras já sofreram violência sexista e, dentre elas, 70% foram vítimas de parceiros e ex-parceiros.

— As mulheres deixam de ser vistas como pessoas no relacionamento, mas como propriedades dos homens. Esse comportamento está dentro da nossa herança colonial escravagista.

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