Atividade, realizada na manhã desta terça-feira, integrou a programação da 10ª Semana do Servidor da UENF em seu segundo dia

A transfobia é um dos principais motivos da evasão escolar, segundo afirmou a pedagoga Erickah Gomes Ribeiro, ao participar da mesa-redonda “Diversidade e Ambientes Inclusivos com PoAC”, realizada na manhã desta terça-feira, 27/10/26, no Centro de Convenções da UENF — evento que integrou a programação da 10ª Semana do Servidor da UENF e teve também a participação das psicólogas Jhayana Couto Ribeiro e Anizaura Lídia Rodrigues, assessora da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da UENF (ProAC)
Coordenadora do Programa Municipal de Vigilância em Saúde da População, Erickah — que se apresentou como uma “mulher travesti e preta” — atua desde 2017 como servidora da Prefeitura de Campos dos Goytacazes. Primeira coordenadora do Ambulatório de assistência à população LGBTQIAPN+ de Campos dos Goytacazes, ela contou que foi preciso muita luta para manter o ambulatório funcionando, haja vista o conservadorismo característico da sociedade campista.
Em sua fala, Erickah chamou a atenção para as dificuldades pelas quais as pessoas transgênero passam nas instituições de ensino. Seu trabalho de Conclusão do curso de Pedagogia abordou justamente o tema “Transgeneridade e evasão escolar”. Segundo ela, as pesquisas mostraram que a transfobia é uma das causas de exclusão social, levando vários jovens a desistirem da escola no Brasil. Ela ressaltou também que o índice de mortalidade da população trans é muito alto no país.
— O Brasil é o país que mais mata pessoas trans. A maioria vive em média até 27 anos. Eles não envelhecem, morrem antes. A gente precisa trazer esse olhar para dentro da universidades, saber como esses profissionais que atendem essa população estão sendo formados — disse.
Erickah contou que, ao iniciar seu trabalho na área de saúde mental do município, teve que aprender a lidar com a desconfiança da maioria das pessoas. Segundo a pedagoga, é comum que as pessoas trans sejam descredibilizadas e até demonizadas onde quer que estejam atuando.
— Como coordenadora do ambulatório, eu recebia muitas pessoas em sofrimento, e até casos de pessoas que queriam se suicidar. Tivemos que fazer grupos de trabalho com as mães, porque muitas não entendiam a questão dos filhos — contou.
Em sua apresentação, a psicóloga Jhayana Couto Ribeiro disse que a simples constatação da presença de realidades diversas dentro da universidade — seja entre alunos, professores ou técnicos administrativos — não garante a inclusão social. O que vai dar conta de tornar o ambiente inclusivo é o quanto se dá visibilidade a esta questão e quais práticas institucionais e pedagógicas são promovidas para contemplar de forma equânime essa diversidade.
Doutoranda em Sociologia Política pela UENF, mestre em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz e especialista em Saúde da Mulher pela UFRJ, Jhayana destacou a necessidade de pensar além da questão de grupos identitários específicos na universidade. Ela ressaltou que cada um que trabalha ou estuda na instituição traz muitas vezes realidades familiares complexas.
Entre estas realidades, ela destacou situações de servidores ou alunos que precisam cuidar de idosos, mães solo, neurodivergentes e pessoas com deficiência.
— E como dar visibilidade a tudo isso? Através de práticas institucionais e pedagógicas que tenham esse propósito — afirmou Jhayanna, que atua na área de Saúde Mental e Atenção Psicossocial, Políticas Públicas, infância e juventude na interface saúde e educação.
Segundo ela, a UENF hoje é referência por ter uma Pró-Reitoria que cuida justamente dessa parte: a ProAC — não somente voltada aos estudantes mas à comunidade universitária como um todo.
— A gente tem a presença de realidades de vida tão diversas que é impossível separar o que fica da entrada para dentro e da entrada para fora da universidade. Se a gente não assume esse compromisso de forma coletiva, algo que na esfera pessoal já está difícil fica ainda mais complicado — disse.
A mesa-redonda teve a mediação da assessora da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da UENF (ProAC), a psicóloga Anizaura Lídia Rodrigues — doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora do curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Clara Freitas – ASCOM / UENF)



