Nota da Reitoria – Março se encerra, mas nossa luta é permanente

Encerrar o mês de março não é concluir uma agenda; é, na verdade, renovar um pacto. Iniciamos este mês lançando a campanha “Liberdade é viver sem medo”, um chamado à reflexão e à ação em nossos campi. Hoje, ao olharmos para o calendário, reafirmamos: a pauta das mulheres não se esgota em 30 dias. Ela é o alicerce da nossa busca por uma sociedade e uma universidade verdadeiramente democráticas.

Como espaço de produção de conhecimento, a Universidade não pode ignorar a urgência das estatísticas. Em 2025, o Brasil enfrentou a marca dolorosa de 1.568 feminicídios. Convivemos com uma realidade onde uma mulher é vítima de violência sexual a cada 6 minutos. Esses números são falhas graves do nosso pacto social e um desafio direto à nossa missão educacional.

Neste cenário, a Lei Maria da Penha permanece como nosso escudo civilizatório. Contudo, a lei precisa de braços operacionais, de intersetorialidade e de orçamento real. A Universidade cumpre seu papel ao produzir ciência e ao exigir que o acesso à justiça seja um direito de todas. A UENF tem se estruturado internamente para combater todo tipo de violência contra as mulheres. Contamos com a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários (ProAC) e o Programa ABRACE, além da Ouvidoria e da Corregedoria, que prestam apoio e oferecem mecanismos de escuta sigilosa e técnica para a nossa comunidade, garantindo que o acolhimento seja humanizado e os procedimentos, rigorosos.

Precisamos assumir coletivamente o compromisso de enfrentar os desafios que afligem as mulheres em diferentes espaços. A desigualdade de poder é a raiz da violência. A equidade deve atravessar todas as nossas instâncias e decisões. Precisamos de um letramento que confronte abertamente as chamadas “tradições”. Muitas vezes, o que se rotula como tradição nada mais é do que a perpetuação de espaços de poder para quem, historicamente, desprezou a opinião e a presença das mulheres. Não aceitaremos que costumes obsoletos sirvam de escudo para a exclusão e o silenciamento. As redes sociais tornaram-se território de uma ‘misoginia industrial’ que atinge as novas gerações. Combater o algoritmo do ódio e garantir segurança digital é prioridade para protegermos nossas estudantes e servidoras. Apoiar a autonomia econômica e o protagonismo feminino é o único caminho para o rompimento definitivo de ciclos de abuso.

A campanha “Liberdade é viver sem medo” continuará ecoando em nossas salas de aula, nos laboratórios de pesquisa, enfim nos nossos campi. Que o espírito de março nos acompanhe em todos os outros meses. Porque, enquanto uma mulher não for livre e segura, nenhuma de nós será.

Rosana Rodrigues

Reitora

Fábio Lopes Olivares

Vice-reitor

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