Pesquisadoras da UENF lançam livro sobre trajetórias de mulheres negras cotistas na pós-graduação

Obra de Pauline Aparecida Ildefonso Ferreira da Silva e Shirlena Campos de Souza Amaral reúne experiências de mulheres negras cotistas das universidades estaduais do Rio de Janeiro

Shirlena Amaral e Pauline Ildefonso

Nesta quarta-feira, 30/09/2026, a Sala Multimídia do Centro de Ciências do Homem (CCH) da UENF foi palco do lançamento do livro Quando as cotas tomam corpo de mulher: trajetórias e experiências de mulheres negras cotistas pós-graduandas das universidades estaduais do Rio de Janeiro, de autoria das pesquisadoras Pauline Ildefonso e Shirlena Amaral.

A obra reúne trajetórias e experiências de mulheres negras cotistas na pós-graduação e propõe uma reflexão sobre os efeitos das políticas de ações afirmativas para além do acesso à universidade, considerando dimensões como raça, gênero, classe, território, maternidade, trabalho, memória e ancestralidade.

Gabriela, Shirlena e Pauline com seus pais Jonas e Naara e os filhos Vitória e Paulo

O lançamento contou com a presença de familiares das autoras, professores da UENF, UFF e UCAM, representantes de movimentos sociais, além de alunos e técnicos da UENF. Emocionadas, as pesquisadoras falaram sobre os sentidos concretos da política de cotas na trajetória de mulheres negras. Conforme Pauline Ildefonso:

— Para nós, os reflexos da política de cotas e o sentimento e o sentido da sua existência materializam-se na concretude da vida, nas trajetórias de corpos negros que passam a acessar espaços historicamente negados. E esse corpo tem cor, tem gênero, tem classe, tem território, tem memória, tem ancestralidade, tem trabalho, tem maternidade, tem fome, tem sonhos, tem história — destacou.

Obra reúne trajetórias e experiências de
mulheres negras cotistas na pós-graduação

Pauline também ressaltou que o acesso à pós-graduação precisa estar acompanhado de condições para a permanência e para a inserção profissional das mulheres negras.

— E não basta formar doutoras. É preciso criar condições para que essas doutoras encontrem espaço para trabalhar, produzir e transformar a sociedade. E essa é a maior mensagem que as mulheres desta pesquisa deixaram para nós. Que o lugar que ocupamos é um lugar político. Porque ser e reconhecer-se como mulher negra dentro e fora da academia é por si um ato político. É um ato de aquilombamento, luta e resistência — declarou.

Autoras autrografaram os livros

A professora Shirlena Amaral destacou a importância de tornar conhecidas e divulgadas as experiências das mulheres que integram a pesquisa.

— A gente espera que muitas mulheres negras estejam na pós-graduação. E que estas mulheres negras estejam como professoras universitárias e em outros locais de trabalho. Se não quiserem ser pesquisadoras, estejam onde desejarem, mas que não falte oportunidade — afirmou.

Durante sua fala, Shirlena também fez referência às escritoras Bell Hooks e Conceição Evaristo, destacando, respectivamente, a teoria como prática libertadora e a escrevivência como forma de dar visibilidade a experiências e vozes historicamente silenciadas.

Livro foi publicado pela editora Encontrografia

A publicação resulta de uma trajetória de pesquisas dedicadas ao estudo das ações afirmativas, das desigualdades e das experiências de mulheres negras na universidade. Parte desse percurso foi desenvolvida por Shirlena com apoio da FAPERJ, como Jovem Cientista do Estado e, posteriormente, como Cientista do Nosso Estado.

O lançamento também integra uma trajetória acadêmica em que pesquisas desenvolvidas no âmbito da pós-graduação e orientações de doutorado ultrapassam os limites da tese e se transformam em livros. Esta é a quarta obra decorrente de uma tese de doutorado de uma das orientandas de Shirlena Amaral.

Evento foi muito bem prestigiado

A professora e pesquisadora da UENF Gabriela do Rosário Silva também participou da mesa de lançamento e assina o prefácio da obra, publicada pela Editora Encontrografia. Sua trajetória de pesquisa também integra esse percurso de transformação de trabalhos acadêmicos em livros.

Estiveram presentes ainda a pró-reitora de Extensão da UENF, professora Deborah Guerra; o Diretor do CCH, professor Geraldo Timóteo; a professora Wania Amélia Belchior Mesquita; a professora Gisele Pessin; a professora Maria Eugênia Totti; a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliana Desidério Lobo; e o professor da Universidade Candido Mendes (UCAM), Douglas Lemos, dentre outros participantes.

Ao mesmo tempo, o livro também está sendo lançado no 56º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS), na modalidade virtual. Para mais informações, acesse o site do evento no link abaixo:

https://www.encontro2026.anpocs.org.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiMTM1MzlcIn0iLCJoIjoiM2FmMmMyOWEyZDI3ZTI5YTg0ZTc5YTI3N2YyNDdkNTUifQ%3D%3D

Público lotou a sala multimídia do CCH

A ANPOCS é uma das principais entidades científicas brasileiras na área das Ciências Sociais, reunindo pesquisadoras(es), docentes, estudantes e instituições de todo o país para o debate e a divulgação da produção científica.

Ainda de acordo com Shirlena, a presença do livro nesse espaço possui um significado especial: amplia sua circulação para além do território local e o insere em um dos mais importantes fóruns nacionais de produção, diálogo e reflexão sobre a sociedade brasileira.

— É também uma forma de reafirmar que as experiências, trajetórias e vozes das mulheres negras que constituem esta pesquisa devem ocupar os espaços de produção e circulação do conhecimento científico — considerou.

(Jornalista: Wesley Machado — Ascom UENF — Fotos: Divulgação)

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