Sala de Situação de Saúde no Hospital Veterinário monitora doenças humanas e animais em tempo real 

Espaço fica no primeiro andar do Hospital, e funciona como um centro de inteligência 

Está montada no Hospital Veterinário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) uma Sala de Situação de Saúde que vai acompanhar, em tempo real, notificações e ocorrências de doenças — tanto em humanos quanto em animais. A proposta une, num único espaço, dados que normalmente ficam separados entre a saúde pública e a sanidade animal, permitindo identificar riscos e agir mais rápido diante de surtos. 

A iniciativa é apresentada pelo professor Marcio Folly, do Laboratório de Sanidade Animal (LSA), vinculado ao Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) da UENF. Segundo ele, o ganho de agilidade é especialmente relevante nos casos de zoonoses — doenças transmitidas entre animais e seres humanos —, permitindo acelerar planos de contingência diante de notificações. 

— Queremos ter contato direto com as prefeituras. Por exemplo, nós sabemos que aqui no município de Campos, como em São Francisco de Itabapoana e na região de São Fidélis, tem raiva animal. Então, se a gente tem os casos de raiva notificados, imediatamente nós podemos auxiliar no plano de contingência. Mais agilidade também para programas de prevenção — declarou o professor Marcio Folly. 

O que é uma sala de situação de saúde 

Uma sala de situação de saúde trabalha como um centro de inteligência: reúne informações de diferentes fontes — como registros de doenças, nascimentos, mortes e atendimentos em postos e hospitais — para que uma equipe técnica identifique tendências e riscos antes que eles se agravem. O objetivo é apoiar gestores na tomada de decisão, seja para conter uma epidemia, seja para direcionar recursos a uma região específica com mais agilidade. 

No caso da sala instalada no Hospital Veterinário da UENF, o diferencial é monitorar lado a lado a saúde humana e a saúde animal — abordagem que ganhou força nos últimos anos sob o conceito de “Saúde Única” (proposta que reconhece a ligação entre a saúde de pessoas, animais e meio ambiente). 

Como funciona na prática 

  • Coleta de dados: reunião de informações de sistemas públicos sobre doenças, nascimentos, óbitos e atendimentos em unidades de saúde e clínicas veterinárias. 
  • Análise técnica: equipe multidisciplinar examina gráficos, mapas e tabelas para identificar riscos ou problemas em crescimento. 
  • Ação rápida: os dados ajudam a antecipar surtos de doenças — como dengue e síndromes gripais — e orientam o direcionamento de equipes e recursos para as áreas mais afetadas. 

Na fase atual, a ferramenta de análise de dados em tempo real está sendo desenvolvida por estagiários do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) da UENF. A expectativa, segundo Folly, é ampliar a equipe no futuro com um time interdisciplinar — incluindo epidemiologistas, sanitaristas e outros profissionais — para tornar a leitura dos dados ainda mais rápida, sem depender do retorno de informações consolidadas em Brasília, o que deve ganhar agilidade na tomada de decisões. 

(Felipe Paes – Fotos: Clara Freitas – ASCOM/UENF) 

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