UENF fortalece internacionalização com pesquisa sobre educação ambiental e turismo sustentável na Finlândia

Caio em seu primeiro dia de campo em um parque natural da Finlândia

De que forma os pontos turísticos naturais podem ser usados como espaços estratégicos de aprendizado? Esta é uma das questões que o doutorando Caio dos Santos Mendonça Bastos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais da UENF (PPGCN), pretende responder em sua pesquisa, que acaba de ganhar um novo impulso: desde o início do mês de fevereiro ele iniciou um doutorado-sanduíche na Tampere University (TAU), em Tampere, na Finlândia.

O doutorado sanduíche só foi possível porque Caio foi aprovado em primeiro lugar no edital interno “PGCN-PDSE nº 01/2025”, posteriormente homologado no Edital nº 17/2025 do Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da CAPES.

Vinculado ao projeto de extensão “Ciência pra Gente (CpG)” — iniciativa desenvolvida em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) — o pesquisador desenvolve um estudo que tem o objetivo de juntar educação ambiental, turismo sustentável e tecnologia no contexto escolar finlandês. Caio investiga como as escolas dialogam com territórios naturais por meio de seus meios de ensino, especialmente em uma cidade reconhecida pelas áreas verdes, lagos e políticas ambientais.

Além da observação das práticas pedagógicas finlandesas, o estudo envolve visitas técnicas, diálogo com o setor de turismo sustentável e análise das estratégias adotadas para integrar a sustentabilidade às experiências educacionais. A proposta também busca compreender como recursos tecnológicos podem aumentar o aprendizado em ambientes naturais, ampliando a conexão entre ciência, território e inovação.

A escolha da Finlândia não foi aleatória. Referência internacional em educação e políticas ambientais, o país oferece um campo vasto para observar práticas já efetivas e refletir sobre possíveis adaptações à realidade brasileira, especialmente no Norte Fluminense.

— Ir para a Finlândia significa estabelecer uma ponte entre o CpG e a TAU, para que possamos construir pilares fortes entre ciência, tecnologia, inovação, ensino, extensão e pesquisa — ressalta.

‘Ciência pra Gente’

A trajetória de Caio no “Ciência pra Gente” teve início quando ele ingressou no doutorado e passou a atuar no projeto Escola Sustentável, dentro do CpG. Ele ressalta que a inserção prática foi decisiva para seu crescimento acadêmico.

— O CpG me abriu portas que eu não imaginava e me colocou em contato com desafios reais de educação ambiental — afirma Caio, destacando que a pluralidade do projeto o levou a trabalhar com públicos de diversas idades e territórios.

Nos dois anos em que esteve envolvido no CpG, Caio acumulou experiência como palestrante e assessor técnico em eventos de divulgação científica. Participou de feiras de ciências e congressos, coordenou um curso de educação ambiental e orientou bolsistas de pré-iniciação científica.

— Ter orientado alunos e publicado capítulos e artigos me deu segurança para propor pesquisas maiores — conta Caio, lembrando que uma publicação no grupo Springer Nature e o prêmio internacional Valdir Barzotto são marcos dessa trajetória.

O que possibilitou a ida à Finlândia foi uma construção feita ao longo dos últimos anos por meio das redes estabelecidas pelo CpG. A conexão com a TAU contou com o apoio da professora Aline Chaves Intorne e a conexão com pesquisadoras como Kirsikka Kaipainen e Essi Aarnio-Linnanvuori, cujas linhas de pesquisa envolvem educação ambiental, sustentabilidade, mobilidade turística de baixo carbono e tecnologias aplicadas à educação.

Para Caio, o fortalecimento de redes como a Rede Internacional de Extensão Universitária (RIEU) e o Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental: uma construção transatlântica (GPEAT), além da participação em eventos como o Pint of Science Brasil e o Seminário Socioambiental Angola-Brasil, foram decisivos para construir sua trajetória acadêmica.

A preparação para o doutorado sanduíche foi resultado de uma construção de mais de uma década de formação, iniciada no curso Técnico em Meio Ambiente, passando pela Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e pelo Mestrado em Ecologia e Recursos Naturais na UENF.

Caio na Tampere University (TAU), na Finlândia.

A coordenadora do Ciência pra Gente no IFRJ e orientadora do Caio, Aline Chaves Intorne, avalia que a ida do doutorando para a Finlândia representa um marco para o grupo de pesquisa.

— Trata-se de uma conquista importante, que gera grande expectativa, em especial por envolver uma instituição reconhecida mundialmente pela excelência na área da educação — diz.

Aline destaca que a escolha da Finlândia levou em conta a qualidade acadêmica e o alinhamento com a pesquisa desenvolvida por Caio, que contará com a participação de três pesquisadoras da Universidade de Tampere interessadas em um trabalho conjunto nas áreas de educação ambiental, turismo e sustentabilidade. Para a coordenadora, o intercâmbio também funciona como estímulo para outros integrantes do grupo, ampliando as possibilidades de cooperação e de novos trabalhos no futuro.

— Caio sempre se mostrou dedicado, proativo e com forte postura de liderança, características que contribuíram para sua trajetória no grupo e para a conquista do doutorado sanduíche — afirma a pesquisadora Geórgia Peixoto Bechara Mothé, que também participa do “Ciência pra Gente”.

Para Caio, a experiência representa a realização de um sonho e a oportunidade de criar uma ponte duradoura entre o CpG e a Tampere University. Ele pretende trazer para a UENF novas visões de pesquisa, metodologias em turismo sustentável e avanços tecnológicos aplicáveis às ações de educação ambiental desenvolvidas no Norte Fluminense.

— Quero contribuir com novas linhas de pesquisa e possibilitar que outras pessoas da nossa comunidade acadêmica possam viver algo semelhante — diz Caio, acrescentando que essa mobilidade inédita junto à Assessoria de Assuntos Internacionais e Institucionais da UENF pode abrir caminhos para futuros intercâmbios.

(Texto: Jorge Rocha – Projeto Ciência pra Gente/UENF e Luana Fernandes – estagiária, sob supervisão de Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF – Fotos cedidas por Caio dos Santos)

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