Trabalho apresentou procedimento cirúrgico de alta complexidade feito no Hospital Veterinário da UENF, que salvou a vida de um muar utilizado em atividade de tração animal em Campos

Um procedimento cirúrgico de alta complexidade, feito gratuitamente e que salvou a vida de um animal de tração de Campos dos Goytacazes rendeu à UENF o 1º lugar no XX Fórum de Gastroenterologia Equina, na categoria Trabalhos na Área de Clínica Cirúrgica de Equinos. O Fórum foi realizado no período de 29 a 31/10/26 em Maceió, Alagoas, e teve a participação de 126 trabalhos inscritos.
Tendo à frente a professora Paula Di Filippo, do Laboratório de Clínica e Cirurgia Animal da UENF (LCCA), o trabalho teve como título “Ressecção parcial do ceco no tratamento de evisceração traumática em muar: relato de caso” e contou com a participação da discente de Medicina Veterinária da UENF Fernanda Nicoly Campos Gonzalez; as residentes do Hospital Veterinário da UENF, Gláucia Benevenute de Mendonça Souza, Luciliana Maria Silva Queiroz e Antonia de Castro Veja; a mestranda Maria Carolina Bezerra Medeiros (Universidade Federal do Ceará-UFC) e a doutoranda Luiza Maria Feitosa Ribeiro (UENF).
A professora Paula Di Filippo disse que, mais importante do que o reconhecimento científico e técnico de um procedimento cirúrgico de alta complexidade, o prêmio representa o verdadeiro propósito do trabalho do grupo: colocar o conhecimento e a medicina veterinária a serviço da vida.

Segundo a professora, o paciente era um muar utilizado em atividade de tração animal, pertencente a uma família que não dispunha de recursos para custear um tratamento veterinário especializado.
— Graças à UENF e ao Projeto de Extensão Carroceiro — Bem-Estar Animal e Preocupação Social, ele recebeu assistência integral e gratuita, incluindo um procedimento cirúrgico complexo que lhe proporcionou uma oportunidade de sobrevivência. Sem esse atendimento, infelizmente, seu desfecho seria o óbito — disse.
Segundo Paula, o propósito do Projeto Carroceiro não é estimular ou perpetuar o uso de animais em carroças — uma prática em processo de proibição — mas promover o bem-estar dos animais e a atenção às pessoas e famílias que dependem dessa atividade. A ideia é justamente minimizar o sofrimento animal, oferecer assistência médico-veterinária digna e contribuir para uma transição socialmente responsável.
— É extremamente gratificante saber que a universidade pública pode fazer a diferença na vida desses animais e de seus tutores, especialmente daqueles que não teriam acesso a tratamentos dessa natureza.Esse primeiro lugar é de toda a equipe! É o reconhecimento de um trabalho construído com dedicação, competência, compromisso com a ciência e, sobretudo, respeito à vida. Nosso orgulho não está apenas no prêmio conquistado, mas principalmente em saber que uma vida foi salva porque a universidade estava ali para oferecer essa oportunidade.
A evisceração — exteriorização de vísceras através da parede abdominal, decorrente de trauma ou de deiscência cirúrgica — é uma emergência cirúrgica, devido aos riscos de contaminação, necrose visceral e peritonite. O prognóstico depende do tempo de intervenção, órgão acometido, extensão das lesões e manejo instituído.

O animal atendido era uma muar fêmea de 10 anos, pesando 335 kg, utilizada na tração de carroça. Ela chegou ao Hospital com trauma abdominal causado por galho durante pastejo, ocorrido sete dias antes do atendimento. O exame físico constatou evisceração intestinal com severo comprometimento circulatório, impossibilidade de identificação do segmento intestinal acometido e lesão próxima ao esterno, com diâmetro entre 3 e 4 cm. O animal foi submetido a uma laparotomia exploratória emergencial.
“Apesar da gravidade da evisceração cecal e do atendimento tardio, a paciente apresentou evolução pósoperatória favorável. A ressecção do segmento necrótico, associada à técnica cirúrgica adequada e ao manejo pós-operatório, foi fundamental para o sucesso terapêutico, demonstrando a possibilidade de recuperação mesmo em casos graves. O caso ressalta a importância da intervenção cirúrgica adequada, do manejo pós-operatório criterioso e avaliação clínica cuidadosa favorecendo a recuperação e aumentando as chances de sobrevivência do animal”, escrevem os autores do trabalho.
(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM / UENF)



