INCT-FRUT recebe R$ 11 milhões para equipamentos, custeio e bolsas

Informação foi dada pelo coordenador do INCT-FRUT, professor Alexandre Pio Viana, ao participar do Programa Bom Dia UENF, na Rádio UENF 87,1 FM

Alexandre Pio Viana

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fruticultura Tropical (INCT-FRUT), coordenado pelo professor Alexandre Pio Viana, da UENF, vai receber um aporte de R$ 11 milhões para custeio, compra de equipamentos e pagamento de bolsas. Os recursos foram obtidos através do Edital CNPq/SECTICS/CAPES/FAPs 46/2024 – Programa Institutos Nacionais de ciência e tecnologia.

Diretor do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da UENF (CCTA), o professor Alexandre Pio Viana falou sobre o INCT-FRUT na manhã desta sexta-feira, 06/02/26, durante o programa Bom Dia UENF, que vai ao ar todas as segundas, quartas e sextas pela Rádio UENF 87,1 FM.

O professor disse que a articulação para a criação do INCT-FRUT começou em 2024, quando a UENF se uniu à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e à Universidade Federal de Viçosa (UFV) — instituições que possuem uma intensa tradição em pesquisas na área de fruticultura tropical, inclusive participando de exportações para a Europa e Estados Unidos.

— Isso deu muita força para que o CNPq financiasse nosso projeto.  A UENF também tem forte tradição na área de fruticultura. Com o programa Frutificar, nos anos 2000,  varias pesquisas nessa área foram incentivadas pelo governo do estado. Criou-se então um corpo de pesquisadores  que possui uma trajetória de quase 20 anos  em desenvolvimento de cultivares, teste de manejo de campo etc — disse.

Dentre os avanços obtidos pelo Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV), ele destacou o desenvolvimento de várias novas cultivares, como pimenta, milho, goiaba, feijão e maracujá. Recentemente, os pesquisadores conseguiram produzir uma nova cultivar de maracujá resistente á virose que dizimou as plantações na região. A cultivar é uma esperança para a retomada da produção de maracujá no Norte/Noroeste Fluminense, sem a necessidade de utilização de agroquímicos.

— Isso vai impactar diretamente o pequeno produtor, pois o maracujá é cultivado principalmente na agricultura familiar. O material está em fase de testes e em breve deverá obter o registro do Ministério da Agricultura. Acreditamos que este ano conseguiremos o registro e, em 2027, a gente possa fazer com que a semente chegue ao produtor — informou.

Durante a entrevista, o professor ressaltou que, além da formação de recursos humanos e produção de conhecimento científico, o Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da UENF tem como missão fazer com que os seus produtos cheguem ao produtor rural.

— Isso, por si só, já produziu uma transformação social na região. Nossas pesquisas não se limitam à produção de teses e artigos, mas estamos sempre nos perguntando como fazer com que nossos produtos, efetivamente, cheguem ao produtor. Hoje conseguimos disponibilizar todas as nossas cultivares para os produtores rurais da região Norte e Noroeste Fluminense — afirmou.

A criação da empresa Rio Norte Sementes surgiu exatamente com essa finalidade. Alguns anos atrás, após uma alteração na legislação, a UENF ficou impedida de entregar a semente no comércio, uma vez que não havia documentação fiscal que desse suporte a esta comercialização. A forma encontrada para fazer as sementes chegarem aos produtores foi criar uma empresa.

— A Rio Norte foi criada para fazer a parceria público-privada, superando, desta forma, essa etapa de comercialização do produto. A UENF hoje detém a propriedade intelectual das cultivares que ela desenvolve, produz as sementes, mas a comercialização quem faz é a Rio Norte Sementes. E os recursos obtidos voltam para a instituição. É um dos poucos modelos no país que funcionam assim — disse.

Acesse a Rádio UENF AQUI.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Foto: Rogério Fiúza – ASCOM/UENF)

NOTÍCIAS

EDITAIS