
Fortalecer a integração e troca de conhecimento entre a universidade e o campo, oferecer apoio técnico e logístico ao pequeno produtor rural, possibilitar diferentes espaços para comercializar alimentos cultivados e produzidos de forma agroecológica. Essas são algumas ações realizadas pelas equipes da Rede de Agroecologia e do programa da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Itep/UENF), com produtores rurais da cidade, localidades vizinhas, principalmente oriundos de assentamentos. Por meio dessa parceria, os agricultores comercializam seus alimentos toda semana em três universidades de Campos.
As Feiras Agroecológicas acontecem às terças-feiras no espaço do Instituto Federal Fluminense (IFF) em Guarus, às quartas-feiras no varandão do Restaurante Universitário (RU) da (UENF) e às quintas-feiras na Universidade Federal Fluminense (UFF), sempre no turno da manhã. Os feirantes comercializam frutas, verduras, legumes, além de doces, biscoitos sucos entre outros alimentos cultivados e preparados por eles e família.
Fortalecer parcerias e descobrir potenciais agroecológicos também estão entre os objetivos das ações durante as visitas técnicas realizadas pela equipe nas pequenas propriedades rurais e assentamentos.


— Quando vamos até as propriedades, levamos cursos, oficinas, oferecemos apoio logístico, mas também trocamos experiências e conhecimentos porque a técnica agroecológica é passada de geração a geração — ressaltou a coordenadora das atividades do projeto, Kássia Guarnier.
A bolsista do projeto de Extensão da (Itep/UENF) Milena da Silva dos Santos é moradora do Assentamento Dandara – que fica localizado na divisa do município de Campos com o município de São Francisco do Itabapoana. Segundo ela, a parceria com a universidade dá autonomia aos produtores, promovendo a autogestão na comercialização dos seus próprios produtos.
— Os grandes empresários só compram caminhões fechados. Cada abacaxi, por exemplo, é vendido por 50 centavos. Nos supermercados, esses produtos são comercializados por R$ 7,00, R$ 8,00 até R$ 10,00 reais. É injusto porque o pequeno produtor investe tempo e dinheiro na plantação, mas o retorno para ele é muito pequeno. No padrão agroecológico, os produtos são vendidos com preço justo e o lucro é de quem produz — disse.
Para a produtora rural do Assentamento Josué de Castro, situado no distrito de Morro do Coco, Dalva Estela Rodrigues dos Anjos, a parceria que a universidade oferece tem uma importância fundamental.
— É tão importante que tenho dificuldade de explicar. Para vendermos para os atravessadores, precisamos de grande quantidade. Como moramos em locais de difícil acesso, não temos para quem vender. Se não fosse esse apoio que recebemos da universidade, perderíamos o que plantamos —relatou.
(Jornalista: Carla Rúbia – ITEP/UENF)



