“Os dados são o novo petróleo”, afirma pesquisadora de história da Ciência

Tatiana Roque defendeu plano de inovação e economia tecnológica para o interior do estado do RJ

Tatiana Roque ao centro, ao lado de Rosana Rodrigues

A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) recebeu nesta sexta-feira, 22/05/26, a vereadora do município do Rio de Janeiro, professora titular e pesquisadora do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e escritora, Tatiana Roque.

Tatiana esteve na UENF para uma agenda extensa, que iniciou com o lançamento no Espaço Aquário do Centro de Ciências do Homem (CCH) do livro “Mulheres na Ciência: o que mudou e o quanto ainda precisa mudar”, de sua autoria, escrito em parceria com a autora Letícia de Oliveira. O livro, com artigos e relatos de cientistas mulheres brasileiras, pode ser lido online ou baixado gratuitamente no site mulheresnaciencia.org.

Livro lançado na UENF

Com uma plateia formada em sua maioria por mulheres, dentre elas professoras da UENF, estudantes do 1º período do curso de Ciências Sociais da UENF e outras pessoas convidadas, Tatiana comentou sobre a teoria do “Teto de Vidro”, que impede que as mulheres ascendam na sociedade.

— Temos de conscientizar vocês que existem algumas barreiras para as mulheres cientistas. Nas universidades nós temos muitas mulheres na base, mas quando vai subindo nas posições de poder, o número de mulheres em geral diminui. Portanto, para a sociedade mudar precisamos de mais políticas públicas para as mulheres, como a reserva de mulheres políticas eleitas e não só a reserva para candidaturas de mulheres —afirmou a vereadora.

Esta segunda atividade contou com a presença do ex-reitor da UENF, Raúl Ernesto López Palacio.

Inteligência Artificial: promessas e armadilhas

“Há habilidades humanas que não serão substituídas pela IA”, diz estudo da OIT

Após o lançamento da obra, em um novo momento, a escritora proferiu no Auditório Multimídia do CCH a palestra com o tema “Inteligência Artificial: promessas e armadilhas”, um recorte do seu novo livro, que está no prelo, intitulado “A máquina e nós” e com subtítulo homônimo ao da conferência ministrada na UENF.

— A OIT (Organização Internacional do Trabalho) fez uma pesquisa que calculou e mostrou o grau de exposição à IA (Inteligência Artificial) de diferentes tarefas e profissões. O que a OIT concluiu é que há habilidades humanas que não serão substituídas pela IA, como criatividade, flexibilidade, resiliência, capacidade de interação relacional, afetividade e aprendizado ao longo da vida, a mais importante, que é aprender a aprender. Outra coisa é a autoconsciência, refletir sobre seu próprio conhecimento — enumerou Tatiana.

Tatiana destacou que “é preciso desenvolver uma IA que não vá substituir os seres humanos e sim vai complementar o trabalho humano”.

— Por isso precisamos da política, porque a IA vai precisar de regulamentação, de leis. Tem uma lei sobre IA no Brasil, mas a gente precisa fazer mais. Para o Brasil ter soberania tecnológica e acabar com esta sina de ser exportador de commodities. A gente não pode ficar nesta posição subalterna de exportar nossos dados. Os dados são o novo petróleo. Hoje o Brasil tem uma política para isto, que se chama Infraestrutura Nacional de Dados. Mas a gente precisa desenvolver nossas ferramentas de IA para lidar com esses dados. Temos aqui universidades de ponta, UENF, UERJ, UFRJ — citou a pesquisadora.

Plano de inovação e economia tecnológica para o interior do estado do RJ

Tatiana Roque e Rosana Rodrigues na Rádio UENF

Em seguida, a escritora participou do quadro “Bom Dia UENF Entrevista” da Rádio UENF 87.1FM, ao lado da primeira mulher reitora da UENF, Rosana Rodrigues. 

Tatiana, que foi a primeira mulher secretária de Ciência e Tecnologia do município do Rio de Janeiro, ressaltou a importância do conhecimento científico que, segundo ela, articulado ao setor produtivo e ao governo, pode fazer com que o Brasil deixe de ser um país consumidor para ser produtor de tecnologia.

— Campos (dos Goytacazes) tem muito conhecimento, várias universidades de ponta, como a UENF, o IFF e a UFF, entre outras, que podem desenvolver um Plano de Inovação e esta economia mais tecnológica no interior do estado (do Rio de Janeiro), o que já acontece na agricultura com a Embrapa. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo em terras raras, que têm minérios de onde são extraídos elementos químicos fundamentais para a tecnologia atual, como bateria e semicondutores — informou a professora.

Também esteve presente à Rádio UENF o vice-reitor da UENF, Fábio Lopes Olivares.

Serviço:

O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” é apresentado por Giu de Souza e, nas edições especiais, por Thábata Ferreira. Vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, das 11h às 12h. A produção é de Thiago Henriques, Thábata Ferreira e Geovanna Cavoli, com direção de Vitor Sendra.

O programa “Bom Dia UENF” é transmitido de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h.

A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM, a primeira do Dial, pela internet(https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android(https://play.google.com/store/apps/details?id=hoostcomv2.oawghldq).

A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.

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(Jornalista: Wesley Machado – Fotografias: Clara Freitas / ASCOM UENF)

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