Professor da UnB Edson Farias fala sobre livro na Rádio UENF

O professor Edson Farias, do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), foi o entrevistado do Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’ da última quarta-feira, 24/06/26. Na ocasião, o professor falou sobre o seu livro “Política e Economia do Simbólico: Ensaios de Sociologia da Cultura”, lançado em 17/06/26 em Brasília e que teve pré-lançamento na UENF em 09/06/26.

Com 511 páginas, o livro é fruto da tese de titularidade de Farias na UnB, condensando pesquisas acadêmicas feitas pelo autor de 2001 a 2020.  A obra reúne ensaios que analisam as relações entre cultura, economia e política na sociedade contemporânea, com foco na centralidade dos processos simbólicos. Farias oferece uma interpretação crítica da cultura como dimensão central das relações sociais contemporâneas, destacando sua inserção nas lógicas econômicas e políticas do mundo globalizado.

Na entrevista concedida à jornalista Thábata Ferreira,  Farias  explicou que o percurso que o levou à publicação do livro começou em 2001, quando terminou o doutorado e ingressou como docente na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi nessa época, segundo afirmou, que teve início seu interesse pelas relações entre cultura e desenvolvimento.

— Era uma agenda que começava a ganhar importância do ponto de vista institucional, no que diz respeito ao Estado. Na estrutura organizativa do Estado Brasileiro, começam a surgir as secretarias de cultura. Ao mesmo tempo, se discutia como viabilizar  a sustentabilidade das comunidades — disse.

Segundo Farias, foi no início do século XXI que teve início o debate sobre como potencializar a produção cultural para que ela se torne também um meio adequado de sobrevivência dessas comunidades.

— Isso ganha muita importância sobretudo a partir de 2002,  com a ascensão dos governos petistas e a administração do Gilberto Gil no Ministério da Cultura. Ao mesmo tempo, se deflagra no âmbito acadêmico uma discussão sobre politicas publicas voltadas para a cultura — comentou.

O professor lembrou que o direito à cultura — ou seja, o direito à identidade e também ao acesso à produção cultural — foi inserido na Constituição de 1988, o que contribuiu para substancializar políticas públicas nesta área. Em outras palavras, a Constituição definia que o Estado Brasileiro deveria encontrar meios de tornar possível o direito à cultura.

Farias lembrou que a década de 1980 foi dedicada à cultura pela Unesco, que até então se voltava muito mais para a educação. Neste período uma parcela dos economistas começam a se preocupar com as chamadas agendas pós-desenvolvimentistas. Ou seja, com formas de desenvolvimento que passassem por outros caminhos — e um deles seria potencializar a produção cultural.

— Será gerada a agenda de cultura e desenvolvimento, que  vai sincronizar esse dois caminhos: o da autonomização da cultura e o seu entendimento como uma possibilidade de desenvolvimento socioeconômico das comunidades. O primeiro governo Lula dá importância a essa tônica, e as universidades discutem muito. A UFBA foi polo importante na elaboração do que seria essa agenda de cultura e desenvolvimento — disse.

Segundo o professor, o termo cultura só se tornou uma realidade muito recentemente. É no período entre 1980 e 2010 que o termo cultura torna-se transversal, alcançando outras áreas, como política, economia etc. Também vão surgir, pela primeira vez no Brasil, políticas públicas voltadas para soluções de afirmação identitária de grupos marginalizados. Além disso, passam a ocorrer conflitos vinculados à cultura, sendo criados conceitos como, por exemplo, guerra cultural.

— Culturas foram apagadas, e as pessoas vão reivindicar o direito a uma cultura que elas entendem que lhes pertence, mas que deixou de ser reconhecida — disse.

O Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’ vai ao ar todas s segundas, quartas e sextas na Rádio UENF 87,1 FM.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF)

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