Esporotricose em foco na Rádio UENF

Adriana Jardim

Gatos com lesões que não cicatrizam precisam de atendimento médico urgente, pois podem estar com esporotricose — doença altamente contagiosa causada pelo fungo Sporothrix schenckii. O tema foi abordado na manhã desta quarta-feira, 22/07/26, durante o Programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’, da Rádio UENF 87,1 FM, pela médica veterinária e professora da UENF Adriana Jardim, especialista na área.

Adriana informou que o Hospital Veterinário realiza o atendimento gratuito dos gatos que chegam com suspeita de esporotricose. Todos passam por exame para confirmar ou não o diagnóstico, uma vez que outras doenças também podem ocasionar os mesmos sintomas. Em média, 75% dos exames têm resultado positivo para esporotricose.

Segundo a professora, o tratamento é feito com fármacos antifúngicos, em forma de comprimidos, que devem ser administrados por vários meses. No Hospital da UENF, os tutores são devidamente orientados não só quanto à necessidade de realizar o tratamento dentro do prazo — ainda que o animal apresente melhora antes disso — bem como acerca dos cuidados para não se contaminarem, uma vez que a doença também atinge seres humanos.

— Muitas vezes os tutores têm dificuldade em dar o medicamento pela via oral aos seus animais. Então é preciso pensar em estratégias para que eles possam fazer isso de forma segura. Também é necessário isolar o animal para que ele não vá para a rua e contamine outros animais — disse.

Segundo Adriana, a união de esforços é fundamental para o combate à zoonose. O Hospital conta com a parceria do Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Campos (CCZ), que fornece medicamentos gratuitos.

— Isso ajuda muito. Não que o remédio seja muito caro, mas o tratamento é muito prolongado — afirmou, lembrando que o Hospital também realiza exames gratuitos para os animais com suspeita de esporotricose atendidos na UBS Pet, que funciona no IPS.

Adriana ressaltou que a escolha dos medicamentos depende da severidade do caso, do número e gravidade das lesões. Muitas vezes, os animais chegam ao Hospital tão debilitados que são necessárias medidas paliativas antes de iniciar o tratamento.

Segundo ela, os principais sintomas são lesões de difícil cicatrização. Em alguns casos, as lesões começam internamente, na cavidade nasal. Isso ocorre porque o fungo pode ser aspirado pelo animal ao cheirar algum material orgânico. Neste caso, o primeiro sintoma são espirros.

Embora possa atingir todos os animais, os gatos são os mais acometidos. Dentre eles, os não castrados estão na frente.

— Isso ocorre porque o gato é territorialista. Ele tem o hábito de buscar as fêmeas e brigar com outros gatos. Nisso, eles se mordem e se arranham. Além disso, os gatos têm o hábito de cavar a terra para cobrir fezes e urina ou arranhar plantas — disse Adriana.

Ela explicou que o fungo é dimórfico, ou seja, assume dois formatos: um que se adapta à temperatura da pele e  o outro que se adapta ao solo, material orgânico e vegetais. Desta forma, o fungo pode ser transmitido por outros animais ou através do solo e plantas.

Até os anos 1990, a esporotricose era conhecida como “doença do jardineiro”, porque grande parte das infecções ocorria através do manuseio do solo e vegetais.

— O que ocorre é que antigamente não havia tanto gato dentro de casa.  De 90 para cá isso mudou, e o tutor de gato é muito permissivo, permite que o gato saia e volte. Então o animal sai, se contamina e traz esta e outras zoonoses para dentro de casa. Por isso é muito importante que o animal não saia — disse.

Adriana informou que o Hospital Veterinário da UENF atende em horário comercial, e as consultas podem ser agendadas pelo telefone 2739-7313.

— É importante levar o animal para uma consulta se ele apresentar sintomas da doença. Temos uma equipe muito bem treinada e com bastante experiência. Temos obtido muitos bons resultados. Esporotricose tem tratamento, mas, se não tratada, pode levar a óbito, inclusive seres humanos, principalmente quando estão com a imunidade comprometida — concluiu.

O “Bom Dia, UENF Entrevista” vai ao ar às 11h, nas segundas, quartas e sextas-feiras, pela Rádio UENF FM (87.1), pelo site radio.uenf.br e pelo aplicativo da Rádio UENF FM.

Equipe:

Locutor: Giu de Souza / Produção: Giovanna Toledo e Thábata Ferreira / Suporte técnico: Thiago Henriques / Cobertura para redes sociais, fotos e vídeos: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho, João Marcos Félix e Giulia Maia.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF)

NOTÍCIAS

EDITAIS