
Grupo reúne representantes de cinco laboratórios do Centro de Biociências e Biotecnologia
Pela primeira vez na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), o Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB) tem uma comissão dedicada exclusivamente à gestão dos resíduos gerados em seus laboratórios. Criada pela diretora do Centro, professora Marina Satika Suzuki, a comissão reúne representantes dos cinco laboratórios do Centro: o Laboratório de Fisiologia e Bioquímica de Microrganismos (LFBM), o de Biologia do Reconhecer (LBR), o de Ciências Ambientais (LCA), o de Química e Função de Proteínas e Peptídeos (LQFPP) e o de Biologia Celular e Tecidual (LBCT).
A iniciativa surge dentro de um movimento maior de atualização da política de resíduos da universidade. O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da UENF é de 2013 e, à época, não considerou os laboratórios de pesquisa como geradores de resíduo — o documento previa apenas o hospital veterinário e o biotério. A Reitoria formou uma comissão para revisar esse plano, e neste ano a universidade contratou, pela primeira vez, uma empresa especializada na coleta e autoclavagem de resíduos biológicos em todo o campus, coordenada pelo setor de gestão ambiental da Prefeitura da UENF.
O professor Diogo de Abreu Meireles, representante do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica de Microrganismos (LFBM) na comissão, deu mais detalhes sobre o avanço da gestão de resíduos no campus.
— É uma iniciativa até inovadora. Acho que é a primeira vez que se tem algo assim, que surgiu da necessidade das atividades dos laboratórios aqui do CBB, de organizar esse fluxo: você tem quem gera o resíduo, no caso os pesquisadores, que precisam organizar em seu laboratório como isso vai acontecer, até chegar ao saco branco de descarte — explicou Diogo.
Segundo o professor, a comissão do CBB nasceu para dar conta, na prática, dos resíduos biológicos especiais produzidos rotineiramente nos laboratórios do Centro — desde agentes de classe de risco 1 e 2 usadas em suas próprias pesquisas, até patógenos que exigem contenção mais rigorosa, como as bactérias da tuberculose e da hanseníase, manipuladas no laboratório de nível de biossegurança 3 do LBR. Depois de descontaminados e acondicionados nos sacos específicos, os resíduos seguem para um contêiner, de onde a empresa contratada faz a coleta periódica pelo campus.
Três instâncias, funções diferentes
Diogo faz questão de esclarecer que a comissão do CBB não se confunde com outras duas estruturas que também tratam de resíduos e biossegurança na UENF.
A CIBio (Comissão Interna de Biossegurança) é a mais antiga das três, ligada à Reitoria, e regulamenta o trabalho com Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) e credencia os laboratórios junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão federal do Ministério da Ciência e Tecnologia — como parte desse credenciamento, também exige o descarte correto dos resíduos gerados nesse tipo de pesquisa.
Já o NEARES (Núcleo de Educação Ambiental, Reciclagem e Sustentabilidade), formado majoritariamente por pesquisadores da área de química, deve concentrar-se na gestão dos resíduos químicos — um tipo de material que, segundo Diogo, exige cuidados próprios, já que reagentes incompatíveis (como ácidos e peróxidos) não podem ser armazenados juntos, sob risco de reação ou explosão.
A comissão do CBB, o setor de gestão ambiental da Prefeitura do Campus e a CIBio devem se reunir em breve para alinhar esse trabalho conjunto. Por enquanto, o grupo do CBB está concentrado em organizar internamente o fluxo de descarte e em preparar orientações — cartilhas explicando, por exemplo, como descartar corretamente resíduo líquido, sólido ou perfurocortante — para os laboratórios do Centro.
(Felipe Paes -ASCOM/UENF)



