Geoparque Costões e Lagunas se mobiliza em torno da valorização do patrimônio histórico e geológico local

Instituição tem participação da geóloga da UENF, Maria da Glória Alves

Maria da Glória Alves

O Brasil integra a Rede Europeia de Geoparques da Unesco desde 2006, contando hoje com seis geoparques. Um deles — ainda em processo de reconhecimento pela Unesco — é o Geoparque Aspirante Costões e Lagunas (GpCL), que abrange 16 municípios da Região dos Lagos e do Norte Fluminense.

À frente da Câmara de Educação e Cultura do GpCL, está a geóloga, professora e pesquisadora do Laboratório de Engenharia Civil da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (LECIV/UENF), Maria da Glória Alves, que também coordena o projeto de extensão Caminhos Turísticos Fluminenses.

Desde o início de 2025, o GpCL está sediado na Casa de Cultura Villa Maria, da UENF. Desde então, ela vem organizando uma série de eventos voltados para a divulgação, conservação e valorização do patrimônio histórico e geológico da área abrangida pelo geoparque.

Segundo a geóloga da UENF, os Geoparques Mundiais da UNESCO correspondem a áreas geográficas onde sítios e paisagens de relevância geológica são administrados a partir de um conceito que reúne proteção, educação e desenvolvimento sustentável. O modelo une conservação e desenvolvimento sustentável e prevê a participação de comunidades locais no processo.

Um território com mais de 2 bilhões de anos de história geológica

A proposta de criação do GpCL está em discussão desde 2010 e ganhou contornos definitivos em 2011, quando uma série de reuniões públicas com prefeituras, órgãos estaduais e federais, ONGs e moradores definiu o perímetro do território: uma faixa litorânea que vai de Maricá a São Francisco de Itabapoana, reunindo 16 municípios, mais de 1,8 milhão de habitantes e cerca de 15% de área protegida por unidades de conservação.
A região reúne uma evolução geológica de mais de 2 bilhões de anos, que vai de afloramentos rochosos e formações costeiras a lagunas hipersalinas como a Lagoa Salgada, onde a ação de bactérias produz estromatólitos e dolomita recentes — verdadeiros laboratórios naturais de interesse internacional.

Ao patrimônio geológico soma-se um patrimônio histórico e cultural expressivo: sítios arqueológicos, vestígios das primeiras povoações do país, a passagem de naturalistas como Charles Darwin pela região, salinas em operação desde o século 19, faróis e histórias de naufrágios. Esse cruzamento entre rochas, paisagens e memória é o que sustenta boa parte das ações de educação e divulgação científica coordenadas por Maria da Glória Alves ao longo do último ano.

O conceito de geoparque nasceu na Europa em 1996, quando pesquisadores reunidos no Congresso Internacional de Geologia, em Pequim, concluíram que a proteção do patrimônio geológico só seria sustentável com o envolvimento direto das comunidades locais. Da ideia surgiu, em 2004, a Rede Europeia de Geoparques, incorporada pela Unesco em 2015 como Rede Global de Geoparques — hoje presente em dezenas de países.

Minicursos levam geologia às escolas da região

Exposição na Villa Maria

As atividades tiveram início em 27/07/25, com o minicurso “Um caminho pela geodiversidade, biodiversidade e patrimônio histórico”, realizado em duas etapas: a primeira na Casa de Cultura Villa Maria e a segunda no Centro Histórico de Campos dos Goytacazes. Na Villa Maria, os participantes conheceram rochas do Morro do Itaoca, região do Imbé, estromatólitos da Lagoa Salgada e a exposição permanente do espaço; no Centro Histórico, o roteiro relacionou construções e patrimônios locais à geodiversidade da região.

Em 07/10/25, a equipe do Geoparque esteve na Escola Municipal Domingos Santos, em São Francisco de Itabapoana, onde estudantes de diferentes turmas do ensino fundamental participaram de uma atividade prática com lupas, microscópio, medidor de pH e amostras de rochas e minerais coletadas na região e em outros locais do GpCL.

Presença em feiras de ciências

Feira de Ciências na ETE Agrícola

O primeiro semestre de 2026 reservou uma sequência de feiras e eventos de popularização científica. Em 1º de abril, o Geoparque participou da programação do Palácio da Cultura, em Campos dos Goytacazes, em parceria com a Gerência de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia da Prefeitura Municipal, além da XII Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que recebeu a visita de escolas da região.

Nos dias 2 e 3/06, durante a 18ª Feira do Meio Ambiente de São João da Barra, promovida em comemoração à Semana do Meio Ambiente, o público teve contato direto com rochas e minerais da região e de outros territórios. Já em 18/06, o Geoparque marcou presença na Feira de Ciências da Escola Técnica Estadual Agrícola Antônio Sarlo, com uma exposição de minerais e rochas voltada aos alunos da instituição.

Exposições e roteiros turísticos pela cidade

Exposição de minerais

Ao longo dos eventos do Geoparque, é comum a exposição de minerais como moscovita, pirita, biotita, diamante, quartzo, feldspato, ametista e monazita, entre outros. Também são usadas rochas como granito, gnaisse, charnoquito, leptinito, e os estromatólitos da Lagoa Salgada, como ponto de partida para explicar a geodiversidade e a biodiversidade da região. Em 07/05/26, a Casa de Cultura Villa Maria recebeu uma dessas exposições em referência ao Dia da Terra.

Roteiro turístico no Centro de Campos

O GpCL também conduz roteiros turísticos que cruzam história e geologia pelas ruas de Campos. Entre eles estão “Da Vila de São Salvador à cidade de Campos dos Goytacazes”, realizado em parceria com o Museu Histórico de Campos e o Instituto Histórico e Geográfico de Campos (IHGC), e “Memória Geológica no Patrimônio Histórico Cultural”, que percorre o Centro Histórico relacionando construções antigas às rochas empregadas em sua edificação. Em 16/07/26, um roteiro especial homenageou o pintor Clóvis Arrault e os Voluntários da Pátria de Campos, e em 6 de agosto um roteiro de geoturismo dedicado a templos religiosos incluiu visita guiada à Catedral do Santíssimo Salvador, padroeiro da cidade.

Turismo religioso e feiras acadêmicas

Em 19/05/26, Maria da Glória ministrou palestra no 1º Encontro de Turismo Religioso da Costa Doce, evento que reuniu representantes da Igreja, pesquisadores, gestores públicos e profissionais do setor de turismo para discutir o desenvolvimento da economia da região a partir desse segmento.

As ações também chegaram à própria UENF: em 14/08/26, o projeto de extensão Caminhos Turísticos Fluminense apresentou pesquisas voltadas à sociedade durante a Feira de Ciências em comemoração aos 33 anos da universidade. Dias depois, entre 19 e 21/08/26, o projeto participou do 3º Simpósio Caminhos de Barro, no Centro de Convenções da UENF, com o tema “Renovando Saberes”, encerrando um ciclo de atividades que reforça o papel da geologia como ferramenta de educação, memória e identidade para a região Norte Fluminense.

(Jornalistas: Fúlvia D’Alessandri e Wesley Machado — Ascom/UENF — Fotos: Divulgação)

NOTÍCIAS

EDITAIS