
Enchentes, deslizamentos de terra, seca, queimadas, desabastecimento de água, carestia. Problemas recorrentes que, em um país de tão grande desigualdade social como o Brasil, tomam contornos ainda mais trágicos. A proximidade do fenômeno climático El Niño — batizado pelos cientistas de “Super El Niño” devido à sua intensidade — coloca um ingrediente a mais neste contexto, exigindo ações que permitam a adaptação aos eventos climáticos extremos.
Mas será que o Brasil está preparado para os efeitos do Super El Niño? Para o geógrafo Marcos Pedlowski, professor e pesquisador do Laboratório de Estudo do Espaço Antrópico do Centro de Ciências do Homem da UENF (LEEA/CCH), a resposta é não. Embora o Super El Niño venha sendo anunciado há meses pela comunidade científica internacional, ele acredita que pouco tem sido feito no sentido de preparar os municípios para seus efeitos — que prometem ser drásticos.
Segundo o professor, a diferença entre um desastre climático e uma tragédia evitável está inteiramente na resposta institucional que vem antes.
— Já sabemos, com meses de antecedência, que o fenômeno vem forte. Se o poder público só age quando a enchente ou a onda de calor já estão acontecendo, o que temos não é falta de aviso — é uma escolha política. São desastres anunciados — afirma.
Pedlowski observa que não existe um único “efeito El Niño” no Brasil. As regiões devem sentir o fenômeno de formas diferentes.
O Sul deve enfrentar chuvas extremas, enchentes e deslizamentos. Norte e Nordeste tendem a sofrer com seca, incêndios e redução da água disponível. Já o Centro-Oeste e o Sudeste devem conviver com temperaturas altas, baixa umidade e ondas de calor. Os impactos não se restringem ao clima em si: alcançam a agricultura, a energia, o abastecimento de água, a logística, a saúde pública e a segurança alimentar.
Segundo o pesquisador, os riscos que as temperaturas muito elevadas trazem costumam ser subestimados, porque nem sempre são visíveis. Muitos óbitos de idosos ou pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias durante ondas de calor raramente têm a temperatura registrada como causa. É um calor que mata aos poucos, via aumento de internações e agravamento de doenças crônicas, sem nunca aparecer como estatística de óbito climático.
Municípios precisam criar planos de adaptação climática
Reduzir as vulnerabilidades estruturais antes que os eventos ocorram é um dos objetivos do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado pelo governo federal em março deste ano, em consonância com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. O Plano estabelece que, até 2035, pelo menos 35% dos municípios brasileiros tenham planos de adaptação climática.
Um estudo do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), da organização Transparência Internacional-Brasil, analisou 278 municípios de dez estados brasileiros e concluiu que apenas 13% das cidades avaliadas possuem o Plano de Adaptação à Mudança do Clima.
Pedlowski ressalta que Campos dos Goytacazes e outros 91 municípios fluminenses já constam de um Plano de Contingências elaborado pelo governo do estado. Ele cobra a criação de um “gabinete de crise” que reúna instituições como universidades, Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e Prefeitura para um planejamento integrado.
— A Defesa Civil hoje está voltada para a resposta a desastres já em curso — não para a prevenção. Em termos locais, existe uma grande possibilidade de termos uma crise de abastecimento de água entre o fim deste ano e março de 2027, dada a dependência do município dos rios Paraíba do Sul e Muriaé, com risco de proliferação de cianobactérias — afirma.

Temperaturas podem aumentar em 2ºC no Pacífico Equatorial
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o El Niño se estabelece ainda neste mês de setembro e deve continuar se fortalecendo, com probabilidade de persistir entre dezembro e fevereiro de 2027. A agência americana NOAA estima mais de 90% de chance de um El Niño muito forte no segundo semestre deste ano, com 69% de chance de superar em intensidade os maiores eventos já registrados.
— Num planeta já profundamente aquecido pela concentração de gases do efeito estufa, o El Niño acrescenta temporariamente mais calor a este sistema já aquecido — afirma Pedlowski.
Segundo um estudo publicado recentemente no Jornal Whashington Post, a combinação entre o Super El Niño e o aquecimento global pode fazer com que o planeta experimente, já em 2027, temperaturas que só eram esperadas para 2037.
— O fenômeno reorganiza a circulação atmosférica e modifica os padrões de precipitação e temperatura; ao interagir com um clima progressivamente aquecido, porém, aumenta a possibilidade de extremos mais severos em diferentes partes do planeta — afirma o professor.
Ele defende que o tema ocupe posição central no planejamento governamental, especialmente dos municípios.
— O país reúne grandes concentrações populacionais em áreas vulneráveis e uma infraestrutura urbana que frequentemente demonstra pouca capacidade de enfrentar eventos meteorológicos extremos. Conhecemos cada vez melhor os riscos, mas seguimos investindo muito menos do que seria necessário em prevenção e adaptação — afirma.
Adaptação climática deve estar na pauta das políticas públicas
As recomendações de Pedlowski se dividem em duas frentes. Para o poder público, ele defende planejamento territorial, sistemas de alerta antecipado, fortalecimento real da Defesa Civil — para além da resposta a desastres — e orçamento específico para adaptação climática, algo que, segundo ele, raramente sai do discurso para a prática orçamentária. Cobra dos municípios a elaboração e a implementação efetiva de Planos Municipais de Adaptação às Mudanças Climáticas, alinhados ao programa federal Adapta Brasil, além de planos diretores de arborização urbana.
Para a população, as recomendações são mais imediatas: bloquear a entrada direta de sol nas casas, apostar em ventilação cruzada, usar resfriamento por evaporação com tecidos molhados diante de ventiladores, pintar telhados e paredes de cores claras, manter hidratação constante e redobrar a atenção com crianças, idosos e trabalhadores que atuam ao ar livre. Em áreas de risco de enchente ou deslizamento, ele recomenda conhecer com antecedência as rotas de fuga; em regiões de estiagem, usar a água com mais cautela.
Mas Pedlowski faz questão de não transferir a responsabilidade inteira para o indivíduo. Adaptação climática, insiste ele, também é uma questão de desigualdade social — e é preciso democratizar as condições para sobreviver ao calor extremo, em vez de tratar a sobrevivência como um problema que cada família deve resolver sozinha.
— Não dá para pedir que a população se adapte sem que o poder público construa as condições para isso. Democratizar a adaptação climática é uma política pública, não um conselho de bem-estar — diz.
O professor considera urgente que os governos dos estados e municípios comecem a identificar, desde já, as populações vulneráveis aos eventos climáticos extremos. Hospitais e unidades básicas de saúde também precisam incorporar protocolos específicos para períodos prolongados de temperaturas extremas.
— Ao mesmo tempo, sistemas de vigilância epidemiológica deveriam ser capazes de relacionar rapidamente aumentos de internações e mortalidade às condições meteorológicas — diz.
Não apenas por conta do El Niño como também pelos efeitos do aquecimento global, Pedlowski acredita que já é hora de os municípios começarem a criar formas de se adaptar às altas temperaturas, com mais arborização, acesso gratuito à água potável e locais públicos climatizados que possam funcionar como refúgio para a população mais pobre durante ondas de calor.
— Uma temperatura de 40º não significa a mesma coisa para quem vive em uma residência arborizada e climatizada e para quem mora sob uma cobertura de fibrocimento numa periferia densamente construída. Assim como para quem pode trabalhar remotamente e para quem é obrigado a permanecer durante horas sob o sol. A vulnerabilidade ao calor é produzida tanto pela atmosfera quanto pela estrutura social — afirma.
Ele também chama a atenção para a necessidade de olhar com outros olhos para a arborização urbana.
— Árvore não é apenas paisagismo, é infraestrutura de adaptação. Um plano diretor de arborização deveria ser tão prioritário quanto um plano de saneamento — porque no calor extremo, a sombra também salva vidas — afirma.

Entraves à adaptação climática em Campos dos Goytacazes
Pedlowski vem orientando pesquisas sobre o tema ambiental em Campos dos Goytacazes. No ano passado, a dissertação de mestrado de Débora Silva Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF, investigou os entraves à adaptação climática no município ao longo de mais de cem páginas.
A pesquisadora ouviu a população em três pontos da cidade — Shopping de Guarus, Centro e Avenida Pelinca —, entrevistou pesquisadores da UFF e gestores da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, e analisou o Plano Diretor, a legislação municipal e os planos de governo dos candidatos a prefeito em 2024.
O retrato que emerge da pesquisa é de descompasso. A população já percebe a crise climática, sobretudo no aumento de temperatura e na irregularidade das chuvas, mas conhece pouco sobre as medidas adaptativas do poder público.
De acordo com a pesquisa, o Plano Diretor do município trata “resiliência” e “sustentabilidade” de forma superficial, restrita à Defesa Civil, sem articulação com a ideia de justiça climática. Observa ainda que os planos de governo dos candidatos a prefeito em 2024 quase não mencionaram a questão.
Outra questão crucial é que, apesar do orçamento bilionário de Campos, sustentado pelos royalties do petróleo, os recursos foram majoritariamente para infraestrutura e custeio — não para enfrentar vulnerabilidades socioambientais. A conclusão da pesquisa é direta.
— Os entraves não são apenas técnicos ou financeiros. São políticos e institucionais. Falta vontade política, falta capacitação técnica e faltam mecanismos de participação popular, pois recursos o município tem — afirma Débora.

Super El Niño já está acontecendo e tende a se intensificar até o final do ano
Segundo o professor José Ricardo Siqueira, do Laboratório de Meteorologia da UENF (LAMET), o Super El Niño já está acontecendo. Mais de 84 mil pessoas já perderam imóveis ou sofreram algum tipo de dano no Rio Grande do Sul só no mês de agosto — em pleno inverno. As águas do Oceano Pacífico, na região do Equador, estão entre 2,2°C e 2,6°C acima da média histórica. E a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já aponta 100% de probabilidade de o fenômeno se consolidar como um Super El Niño até o fim do ano.
Nesta entrevista à Assessoria de Comunicação da UENF (ASCOM), o professor fala sobre a força desse fenômeno, sua relação com o aquecimento global e os efeitos que devem se intensificar nas diferentes regiões do país. Explica ainda por que o El Niño tem se tornado mais frequente e mais forte, relembra os grandes eventos da história recente e alerta para as lacunas do Brasil no planejamento contra chuvas extremas e estiagens prolongadas.
ASCOM – Como podemos explicar a ocorrência do fenômeno El Niño? Trata-se de um fenômeno único ou existem outros similares no planeta?
José Ricardo – O El Niño é um fenômeno climático que ocorre devido ao enfraquecimento dos ventos alísios, que sopram no Equador, de leste para oeste. Quando estes ventos enfraquecem, as águas da região central do Pacífico e próximo da costa oeste da América do Sul evaporam menos. E, quando há menos evaporação, há mais aquecimento das águas. Com menos ventos, ocorre menos resfriamento das águas. Isso tudo acaba alterando o regime de circulação dos ventos no nosso continente, de modo que, na região Sul do Brasil, os sistemas frontais, as frentes frias, os ciclones que avançam sobre essa região acabam sendo bloqueados por fortes ventos nos altos níveis da atmosfera. Quando estes ventos bloqueiam essas frentes frias, elas ficam estacionadas no sul do Brasil, produzindo chuva bem acima da média, e em um tempo maior, e causando os problemas que temos observado. Já no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, temos períodos de seca mais prolongados e mais frequentes. Porque, se as frentes frias não conseguem avançar para a nossa região, naturalmente a gente tem longos períodos de seca. E isso acaba impactando também nosso clima aqui, com semanas ou meses de estiagem prolongada, como observamos no último El Niño, que ocorreu há dois anos atrás. O El Niño não é único, mas é o mais importante porque o impacto é maior globalmente. Então ele atinge mais regiões do planeta devido à enorme área do Oceano Pacífico, que é o maior oceano que temos. Mas temos outros fenômenos, como por exemplo o El Niño Atlântico, que altera a temperatura das águas no Oceano Atlântico. E modifica o clima da costa oeste do continente africano. E também temos outro evento semelhante no Oceano Índico que afeta a região da Austrália e da África.
ASCOM – Teremos realmente um Super El Niño este fim de ano? Que dados meteorológicos confirmam esta previsão?
José Ricardo – O El Niño já está acontecendo. E a Organização Meteorológica Mundial, a OMM, emitiu um último boletim indicando 100% de probabilidades da ocorrência de um Super El Niño. Então ele já está acontecendo, já está influenciando o clima aqui do nosso país. E o parâmetro que indica e que classifica o El Niño, conforme a sua intensidade, não é exatamente um dado meteorológico, e sim um dado oceanográfico, porque é a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico. Se elas estão muito altas, elas são indicativas da ocorrência do El Niño. Só para você ter uma ideia, a temperatura da superfície do mar, o Oceano Pacífico, na região do Equador, está atualmente mais de 2 graus acima da sua média. Está entre 2,2 e 2,6 graus. E estando acima de 2 graus da sua média, o evento já é classificado como muito forte. Então nós temos aí a confirmação do evento.
ASCOM – Existe relação entre o Super El Niño e o aquecimento global?
José Ricardo – É importante frisar que o aquecimento global não cria o El Niño. O aquecimento global ocorre devido à emissão de combustíveis fósseis, principalmente, produzindo gases de efeito estufa, como CO2, metano, entre outros, na atmosfera. Então, isso dá mais energia para a atmosfera e a gente acaba tendo ocorrências mais intensas de chuvas e também estiagens mais prolongadas em outras áreas. Agora, o El Niño, por conta do enfraquecimento dos ventos alísios — que é um outro princípio de formação completamente diferente do aquecimento global — ele pode ser mais intenso devido ao aquecimento global. Porque, se as temperaturas na Terra estão mais quentes devido ao aquecimento global, as águas do Oceano Pacífico podem se aquecer mais do que o normal. Então, a influência do aquecimento global sobre o El Niño está exatamente aí, em poder intensificar os impactos e a força desse fenômeno climático. Por outro lado, a ocorrência do El Niño pode contribuir para elevar ainda mais as temperaturas no planeta. Principalmente nas regiões onde nós temos estiagem prolongada, como aqui nas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste do Brasil.
ASCOM – Por que este fenômeno (El Niño) está ocorrendo com mais frequência?
José Ricardo – O El Niño acaba tendo uma intensidade maior e uma duração maior, e também tende a ocorrer com maior frequência, devido ao aquecimento global. Para você ter uma ideia, os oceanos absorvem mais de 90% do calor que é liberado pela Terra. Então eles são, vamos dizer assim, um sumidouro de calor, eles absorvem esse calor. E, ao absorver esse calor, naturalmente há uma elevação das temperaturas, o que é um processo normal, natural. Mas quando se tem um efeito estufa, quando você tem uma quantidade muito grande de calor retido na Terra, no planeta, essas temperaturas tendem a se elevar mais. Então, por conta dessa elevação acima do normal, nós acabamos tendo mais eventos de El Niño. Está exatamente aí a questão, a relação entre a frequência dos eventos e as mudanças climáticas, dadas pelo aquecimento global.

ASCOM – Já tivemos outros Super El Niños na história? Quando?
José Ricardo – Podemos destacar cinco grandes eventos El Niño. Um no século XIX (em 1876); outro em 1982; outro em 1997 — que foi um dos mais fortes que já se teve registro —; um quarto evento em 2015, com tempestades muito fortes também, e o último e também mais recente que foi em 2023/2024, o qual impactou demais no regime de chuvas e secas no Brasil. Muita chuva no Rio Grande do Sul, muita estiagem aqui no Sudeste, Centro Oeste e Nordeste. E esse último chamou muita atenção porque pôde-se observar realmente que esse evento foi potencializado pelo aquecimento global. Porque nós tivemos uma estiagem muito prolongada, muitos incêndios, a qualidade do ar, atmosfera muito poluída. Isso trouxe problemas respiratórios generalizados com muitas crises de sinusite, bronquite, pneumonia, então foi um efeito consideravelmente nocivo para a sociedade. O evento de 2015 também foi muito forte, acabou impactando até mais nas temperaturas e também nos reservatórios do nordeste brasileiro. Vale destacar também que os eventos do El Niño não são sempre iguais, não seguem uma cartilha. Por exemplo, pode chover mais no RS, em outro pode chover mais em SC, e assim por diante. Ou até mesmo pode-se ter um episodio de chuva mais intensa próximo do Sudeste, embora não seja muito comum.
ASCOM – Que efeitos podemos esperar no Brasil?
José Ricardo – É importante destacar que já estamos tendo chuvas acima da média histórica em várias cidades do Rio Grande do Sul. Isso já tem afetado dentro dos registros mais de 84 mil pessoas que perderam imóveis ou sofreram algum tipo de dano em função do El Niño. Isso ocorreu no mês de agosto, em pleno inverno. Então essas influencias já estão acontecendo lá no Sul do país. E a expectativa é de que no final do ano o fenômeno esteja mais intenso, com a intensificação das chuvas no Sul temperaturas acima da media aqui na nossa região. Há previsões feitas por modelos que oferecem previsão sazonal de que haja temperaturas acima de 1 a 2,5 graus no Sudeste, então acima da média. A questão do conforto térmico vai ficar bem comprometida. Também tende a produzir precipitações irregulares. No nordeste a tendência é que no final do ano haja um atraso na chegada da estação chuvosa, por conta do bloqueio das frentes frias.
ASCOM – Na sua opinião o Brasil está preparado para estes efeitos?
José Ricardo – Eu observo que tem havido um aumento no orçamento do governo federal visando tomar medidas de prevenção. Só que falta muito ainda no Brasil. O país carece muito de planejamento dessa parte. Principalmente na parte de infraestrutura. É preciso que o poder público, coordenado pelos ministérios, pelos governos municipais e pelo governo estadual, procure estabelecer medidas em relação à questão das chuvas intensas no Sul, melhorando a infraestrutura naquela região, para prevenir enchentes, deslizamento de terra, e nas regiões onde temos mais estiagem, principalmente na região Amazônica, que sofre muito neste evento, assim como o Norte e Nordeste, que tenha-se ai fiscalização em relação a queimadas, para procurar evitar a sua ocorrência. Porque isso acaba intensificando ainda mais a estiagem. Acaba elevando mais a temperatura, poluindo mais a atmosfera e tudo isso acaba criando uma condição muito nociva para a população e para o meio ambiente também. A vegetação é extremamente importante nesse aspecto, porque ela que mantém a umidade, e a queima dela acaba reduzindo a umidade, aumentando a temperatura, intensificando ainda mais as ondas de calor nessa regiões que sofrem mais com este tipo de fenômeno.
ASCOM – O Lamet tem pesquisas ou monitoramentos nesta área?
José Ricardo – Temos sim algumas pesquisas que foram realizadas no Laboratório estudando por exemplo o papel do El Niño sobre a variabilidade das chuvas no Nordeste, que é uma região que sofre bastante com a ocorrência do fenômeno. São trabalhos preliminares, ainda não temos tantos estudos nessa área, mas a gente espera intensificar essas pesquisas com o nosso programa de pós-graduação. Em relação à influencia do fenômeno sobre a região Sudeste, é importante destacar que não temos ainda um quantitativo, valores que mostrem a influencia do fenômeno sobre o aumento ou redução da precipitação na nossa região. Isso carece de mais pesquisas assim como também a questão das temperaturas. De qualquer forma, quando se estuda esse tipo de fenômeno é preciso considerar a necessidade de se ter uma grande base de dados climatológicos de décadas para que se possa fazer estudos que comprovem realmente a influencia do fenômeno ou não nas precipitações das temperaturas na nossa região. É um processo que a gente vai conseguindo desenvolver a medida que vai coletando mais dados, armazenando mais dados das estações meteorológicas, e dos modelos que fazem previsão também.
(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM / UENF)



