IA não vai substituir o ser humano na cultura, defende reitora na abertura do CAIS, na UENF 

Primeira edição do evento ocorre nesta terça-feira (22/09), no CCH da UENF, com painéis e fórum sobre cultura e tecnologia ao longo do dia 

A Diretoria de Cultura da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) abriu, na manhã desta terça-feira (22/09), a primeira edição do CAIS — Culturas, Artes, Inteligências e Sociedades. O evento, que discute o tema “Culturas do Sul e reinvenções nos fazeres tecnológicos”, foi realizado no Miniauditório do Centro de Ciências do Homem (CCH), no campus Leonel Brizola. 

A mesa solene de abertura reuniu a reitora da UENF, Rosana Rodrigues; o diretor do CCH, professor Geraldo Timóteo; e o diretor de Cultura da UENF, professor Giovanni Nascimento. 

Em sua fala, Rosana tratou da relação entre inteligência artificial e trabalho humano — tema que, segundo ela, tem gerado um clima de apreensão desproporcional: 

— Eu procuro acalmar as pessoas, porque dizem que não vamos ter mais emprego, que a inteligência artificial vai fazer tudo. Mas existem alguns papéis que a inteligência artificial não vai fazer. Ela é totalmente dependente do que é humano. (…) Se você fizer uma pergunta equivocada, ela vai te dar respostas absurdas — afirmou a reitora. 

Pesquisadora da área de melhoramento genético de plantas, Rosana recorreu à própria trajetória para relativizar o temor de substituição: 

— A cada década surge uma técnica nova que diz que vai acabar com os melhoristas de plantas, que nós não vamos ser mais necessários. E isso se mostra cada vez mais inverídico. A gente vai precisar cada vez mais da mente humana, porque o ser humano é o único capaz de sentir emoção — disse. 

A reitora também relacionou o debate sobre inteligência artificial a uma disputa mais ampla por soberania de dados, já que grande parte das informações produzidas no Brasil é hoje armazenada em servidores de outros países — um ponto que, para ela, exige investimento e atenção nos próximos anos. 

Painel “Máquinas de consenso: entre o hype e o pânico”

A fala da reitora dialoga diretamente com o tema do primeiro painel do dia, “Máquinas de consenso: entre o hype e o pânico”, que reuniu Lívia Boeschenstein, do Istituto Europeo di Design (IED); o artista Alexandre Mury; e Roberto Pessanha, do Instituto Federal Fluminense (IFF), com mediação de Iasmine Ribeiro, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem (PPGCL/UENF). O painel abordou os dois polos que hoje marcam o debate público sobre tecnologia: de um lado, o entusiasmo com as possibilidades de inovação, ampliação e transformação abertas pela inteligência artificial; de outro, discursos de medo ligados à substituição do trabalho humano, à perda de autoria, à homogeneização da criação e à sensação de perda de controle sobre aquilo que se produz. 

A programação inclui ainda outros dois painéis ao longo do dia — um sobre os limites digitais impostos por grandes plataformas, outro sobre economia política da comunicação —, além do lançamento de um livro e de um fórum de encerramento voltado à elaboração de um documento público sobre os rumos da cultura e da tecnologia na Região Norte Fluminense. 

(Felipe Paes – Fotos: João Marcos Félix – ASCOM/UENF) 

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