Pesquisadoras debatem sobre mulheres, maternidade e permanência na ciência

Nesta terça-feira, 20/10/2026, segundo dia da XVIII Mostra de Extensão UENF, UFF, IFF e X UFRRJ, foi realizado, no auditório principal do Centro de Convenções, o Momento “Mulher na Ciência” com o tema “Mulheres, maternidade e permanência na ciência”. 

As palestrantes foram a professora adjunta do curso de Psicologia da UFF, psicóloga, mestra e doutora em Psicologia pela UFRJ, mãe do Pedro e da Maitê, Bruna Pinto Martins Brito, e a licenciada em História e Pedagogia e mestra em Políticas Sociais pela UENF, mãe do Théo e da Maria Fernanda, Ingrid Fiuza Costa Barbosa. A mediação foi da mestra e doutoranda em em Cognição e Linguagem pela UENF, mãe da Liz e da Bela, a pedagoga Fernanda Cândido da Silva Santos Magalhães.

Fernanda Cândido da Silva Santos Magalhães

Para Fernanda, deve-se pensar sobre a mulher na ciência enquanto mãe.

— Devemos pensar a permanência dessa mulher na universidade, para além das oportunidades de acesso, mas as condições de permanência e de conclusão dessa mulher, para que ela não só passe pela ciência, mas que ela produza ciência para nós, por nós e para que mais pessoas pesquisem a maternidade na ciência — afirmou a mediadora. 

Bruna Pinto Martins Brito

Bruna contou que o tema da maternidade surgiu para ela em meio à pandemia de Covid-19.

— Eu iniciei uma pesquisa, junto com duas pesquisadoras, que na época eram mestrandas, na área de saúde, do trabalhador e da trabalhadora da Fiocruz, sobre a saúde mental das mulheres docentes. Desse resultado, 60% dessas mulheres eram mães e elas falavam dos desafios, das dificuldades, mas o que afetava a saúde mental era justamente essa exaustão, essa sobrecarga, a falta de rede de apoio, a suspensão das escolas naquele momento da pandemia — lembrou. 

Segundo a pesquisadora, a sobrecarga materna é uma realidade e é produtora de sofrimento psíquico.

— Junto com algumas alunas do curso de Psicologia da UFF Campos, a gente iniciou um projeto chamado ‘Mães na Rede’, que está em atuação até hoje, de acompanhamento de mulheres mães em intenso sofrimento psíquico, em situações de vulnerabilidade, de mães docentes e também de toda a comunidade, todo o território de Campos — informou Bruna, que comentou sobre o recurso da chamada “Cuidoteca”, um espaço para filhos de pessoas que precisam estudar e não têm com quem deixar as crianças.

Ingrid Fiuza Costa Barbosa

Por sua vez, Ingrid destacou a Lei Estadual nº 17.023, de 10 de outubro de 2019, do Ceará, que prevê que as instituições de ensino superior daquele estado precisam ter um espaço de cuidado para os filhos das alunas.

— A mãe precisa deste apoio. Na UENF sei que existe o Auxílio Creche. Se houvesse mais políticas institucionais para as mães e seus bebês, ajudaria muito a diminuir a desigualdade de gênero. Uma conquista do movimento Parent in Science é a possibilidade de registro da licença maternidade no currículo Lattes — relatou.

O evento teve a participação na plateia de estudantes, professores e técnicos da UENF, além do público em geral.

Com o tema “Mulheres Transformando Vidas ComCiência”, a XVIII Mostra de Extensão UENF, UFF, IFF e X UFRRJ prossegue até esta sexta-feira, 23/10/2026, no Centro de Convenções da UENF.

(Jornalista: Wesley Machado — Fotos: Clara Freitas — ASCOM / UENF)

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