Criado em 1994, o PPGPV conecta formação de mestres e doutores a soluções para os desafios agrícolas da região

O Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal (PPGPV) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) reúne pesquisa científica, formação de mestres e doutores e desenvolvimento de tecnologias voltadas à agricultura. Vinculado ao Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), o programa tem conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e busca ampliar a contribuição da universidade para a economia e a sustentabilidade do Norte e Noroeste Fluminense. Para o ingresso no primeiro semestre de 2027, são oferecidas 38 vagas, sendo 17 para o mestrado acadêmico e 21 para o doutorado, com inscrições prorrogadas até 4 de novembro de 2026.
Criado em 1994, o PPGPV consolidou sua trajetória com o credenciamento do mestrado, em 1997, e do doutorado, em 1999. Desde então, sua atuação está associada à produção de conhecimento sobre plantas, solos, técnicas de cultivo, controle de pragas, processamento de alimentos e outras áreas que influenciam a produtividade agrícola e a qualidade dos produtos destinados ao consumo e à indústria.
A relevância regional do programa está relacionada à própria realidade econômica e social do território onde a universidade está inserida. A agricultura tem peso na região, mas convive com desafios de desenvolvimento e desigualdades socioeconômicas. Nesse contexto, a coordenadora do PPGPV, Daniela Barros de Oliveira, destaca a importância de aproximar a produção acadêmica das demandas da população e do setor produtivo.
— A UENF está localizada em uma região estratégica do Norte Fluminense, marcada por forte vocação agrícola e por indicadores socioeconômicos que revelam desafios importantes, como o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Essa realidade confere ao PPGPV uma missão singular: promover ciência de excelência em diálogo direto com as demandas locais, regionais e nacionais — afirmou.
O programa procura formar profissionais capazes de desenvolver pesquisas e tecnologias que contribuam para uma agricultura mais produtiva, sustentável e adaptada às condições de cultivo. Essa orientação abrange desde a investigação científica sobre o funcionamento das plantas até a criação de soluções que possam ser incorporadas às atividades rurais e às cadeias de processamento de alimentos.
A organização acadêmica também acompanha a diversidade de questões relacionadas à produção vegetal. A partir de 2026, as linhas de pesquisa passaram a se estruturar em três frentes, denominadas “Processos Tecnológicos para Agricultura”, “Produção Agrícola” e “Solos, Nutrição Mineral e Sanidade Vegetal”. A reorganização reúne temas que vão da biotecnologia e da tecnologia pós-colheita ao manejo do solo, à nutrição das plantas e ao controle de doenças.

Da pesquisa nos laboratórios às soluções para a agricultura
A estrutura do CCTA oferece condições para investigar diferentes etapas da produção agrícola. Entre os espaços envolvidos nas atividades do programa estão o Laboratório de Engenharia Agrícola (LEAG), o Laboratório de Entomologia e Fitopatologia (LEF), o Laboratório de Fitotecnia (LFIT), o Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV), o Laboratório de Solos (LSOL) e o Laboratório de Tecnologia de Alimentos (LTA). A infraestrutura inclui ainda casas de vegetação, campos experimentais e unidades de apoio à pesquisa.
Essa diversidade permite estudar, por exemplo, o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima regional, a eficiência da irrigação, a fertilidade dos solos, a resistência das plantas a doenças e o aproveitamento de matérias-primas e resíduos agroindustriais. Os resultados podem contribuir para reduzir perdas, melhorar a qualidade dos produtos e ampliar as possibilidades de geração de renda no campo.
Entre as iniciativas citadas pela coordenação está a criação da Rio-Norte Sementes, empresa voltada à produção e à comercialização de sementes de diferentes espécies, como milho, milho-pipoca, maracujá, pimentas ornamentais, abóbora e feijões. Segundo Daniela, a iniciativa representa uma forma de aproximar o conhecimento produzido na universidade das necessidades dos produtores, com geração de empregos, renda e oportunidades comerciais.
O desenvolvimento de cultivares com características adequadas às condições climáticas do Norte e Noroeste Fluminense também integra esse esforço. A seleção de materiais vegetais com potencial produtivo e características valorizadas pelo mercado pode favorecer a adaptação das lavouras e oferecer alternativas econômicas aos agricultores. Em outra frente, pesquisas com inoculantes microbianos, biofertilizantes e bioestimulantes buscam ampliar as possibilidades de manejo e nutrição das plantas.
A transformação de resíduos em produtos de interesse econômico é outro exemplo da relação entre pesquisa e desenvolvimento regional. O Projeto Extrair desenvolveu uma tecnologia para separar e purificar sementes e mucilagem do maracujá, com possibilidades de aplicação nos setores de cosméticos, alimentos e rações. A iniciativa recebeu reconhecimento no Green Project Awards Brasil, na categoria “Gestão eficiente de recursos”, e está associada à perspectiva de reduzir o impacto ambiental do descarte de resíduos da cadeia produtiva da fruta.
— Mais do que quantificar indicadores acadêmicos, essa produção orienta-se à excelência na formação qualificada de mestres e doutores, capacitando recursos humanos de alto nível para os desafios do setor agrário. Paralelamente, ao integrar a inovação com o desenvolvimento tecnológico científico às demandas do campo, o Programa assegura o retorno social de suas pesquisas, gerando soluções sustentáveis e promovendo o avanço socioeconômico e científico da sociedade — ressaltou a coordenadora.

Formação avançada com alcance nacional e internacional
O reconhecimento acadêmico do PPGPV é acompanhado pela atração de estudantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior. De acordo com Daniela, cerca de 60% dos ingressantes brasileiros vêm das regiões Norte e Nordeste. No doutorado, estudantes de origem africana representam aproximadamente metade do corpo discente estrangeiro, um perfil que a coordenadora relaciona à convergência entre condições de cultivo em regiões tropicais e à experiência científica acumulada pela UENF.
O programa mantém o compromisso de fortalecer a cooperação científica, ampliar sua inserção internacional e formar pesquisadores preparados para atuar em universidades, instituições de pesquisa, empresas e organizações ligadas à agricultura. A proposta também valoriza a integração entre ensino, pesquisa, extensão e inovação, de modo que o conhecimento produzido na pós-graduação possa contribuir para decisões e práticas do setor produtivo.
A avaliação da CAPES integra os indicadores utilizados para acompanhar a qualidade da formação e da produção científica. Segundo a coordenação, o PPGPV mantém o conceito 5 e trabalha para superar desafios acadêmicos e institucionais, com atenção à produção intelectual, à formação discente e à relevância dos resultados alcançados. A trajetória do programa combina, assim, a qualificação científica com a busca por soluções para a agricultura tropical e para as demandas sociais da região.
Para quem deseja ingressar nessa área, o processo seletivo para 2027 oferece oportunidades nos dois níveis de formação. As inscrições foram prorrogadas até quarta-feira (4 de novembro), conforme a página oficial do PPGPV. Do total de 38 vagas, 17 são destinadas ao mestrado acadêmico e 21 ao doutorado, com distribuição entre ampla concorrência e modalidades de reserva de vagas. Os candidatos devem consultar o edital retificado, verificar os requisitos de formação e identificar a área de pesquisa e o possível orientador antes de concluir a inscrição.
A seleção prevê duas etapas, análise curricular e prova oral, com possibilidade de redação relacionada à área pretendida, conforme os critérios do edital. A documentação inclui currículo comprovado, memorial, cartas de referência e documento ou carta de aceite de possível orientador, além dos demais itens exigidos para cada modalidade. As provas orais estão previstas para novembro de 2026, por videoconferência, e o resultado final está previsto para até 14 de dezembro. A aprovação e a matrícula não garantem automaticamente bolsa de estudos, cuja concessão depende da disponibilidade de recursos e das normas do programa. O edital, os formulários e as atualizações do cronograma estão disponíveis na página oficial do processo seletivo do PPGPV. Dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail posgpveg@uenf.br.
Ao articular formação avançada, infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, o PPGPV contribui para aproximar a ciência das necessidades de produtores, empresas e comunidades. A continuidade desse trabalho fortalece o papel da universidade pública na produção de conhecimento, na inovação agrícola e na construção de alternativas sustentáveis para o Norte e Noroeste Fluminense, sem perder de vista a inserção da pesquisa regional nos debates científicos nacionais e internacionais.
(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: Divulgação)



