Em entrevista à Rádio UENF, presidente e coordenadora da Firjan Norte Fluminense falam sobre o aumento da participação de empresas locais no complexo portuário, os gargalos de infraestrutura e a falta de mão de obra qualificada

A UENF recebe em 05/11/26 a 4ª rodada de negócios promovida pela Firjan Norte Fluminense e pelo Porto do Açu, que aproxima fornecedores da região das grandes empresas do complexo portuário. O evento será no Centro de Convenções da UENF, a partir das 13h30. Esse foi o tema da entrevista de Francisco Roberto de Siqueira, presidente da Firjan Norte Fluminense, e de Patrícia Daldegan, coordenadora de relacionamento da entidade, ao programa Bom Dia UENF Entrevista, da Rádio UENF 87,1 FM, na manhã desta quarta-feira, 28/10/26.
Segundo Patrícia, a iniciativa nasceu em 2020, após uma escuta com empresários locais que revelou a distância entre eles e as companhias que se instalavam na região. Antes das rodadas, a Firjan e o Porto promoveram, em 2021 e 2022, workshops de capacitação sobre temas exigidos por grandes contratantes, como compliance, ESG e questões tributárias.
— Só depois desse trabalho prévio é que a gente começou a promover as rodadas — explicou.
Nos últimos cinco anos, a participação de fornecedores locais nas empresas do Grupo Prumo passou de 7% para 23%, de acordo com a coordenadora. No total, foram 14 ações, que alcançaram mais de 1.350 empresas. Para Francisco de Siqueira, as rodadas têm sido “muito impactantes” por fazerem a interface entre as empresas que querem atuar no Porto do Açu e o próprio complexo.
Já são quase 180 empresas inscritas. Todas passam por uma avaliação das equipes técnicas da Firjan e do Porto, que cruzam o produto ou serviço oferecido com a lista de demandas do complexo. A média é de cerca de 100 empresas atendidas por rodada, de portes variados.
— Não há um recorte por tamanho, e sim por produto ou serviço — afirmou Patrícia.
Na quarta edição, haverá dez empresas âncoras: nove do complexo portuário e a UENF. Cada participante tem horário marcado e pode ser atendido por até três âncoras, com alguns minutos para apresentar a empresa, trocar contatos e tirar dúvidas sobre cadastro de fornecedores. Segundo Patrícia, a rodada não garante contratos imediatos, mas torna as empresas conhecidas na cadeia de fornecimento. Ela citou casos de empresas que só se tornaram fornecedoras na terceira participação.
Patrícia destacou ainda o lounge onde os participantes aguardam o atendimento, que funciona, nas palavras de Francisco, como “um workshop ali fora”: há relatos de empresas que fecharam negócios e parcerias entre si. Ela também agradeceu o apoio da UENF, que abraçou a ideia desde o início e participa como âncora.
Entre os entraves ao desenvolvimento regional, os dois entrevistados apontaram a infraestrutura como o mais importante. Patrícia citou a BR-101 “no limite”; a retirada do contorno de Campos do novo contrato da concessionária, que tiraria da cidade o tráfego pesado rumo ao Porto do Açu; a RJ-244, rodovia ainda sem traçado e de responsabilidade do governo estadual; e a perda dos voos comerciais em Campos. Para ela, a questão mais relevante é a ferrovia EF-118: “Não existe porto sem ferrovia”. Ela defendeu que a sociedade e as instituições se mobilizem para cobrar os governos federal e estadual. Francisco acrescentou que a questão tributária também pesa e que a segurança jurídica é condição para atrair investimentos em energia.
Sobre a reforma tributária, Patrícia disse que a Firjan a vê com bons olhos para o estado do Rio, já que a cobrança passa a incidir sobre o consumo, e a região tem um grande mercado consumidor. Ela ressalvou que a atração de empresas depende também da infraestrutura.
A falta de mão de obra qualificada foi apontada por Patrícia como um dos maiores problemas hoje. Ela relacionou o quadro à migração de trabalhadores para plataformas de entrega e transporte e defendeu a reindustrialização do estado, já que o emprego industrial oferece melhores salários e condições de trabalho. Nesse cenário, destacou o papel do Senai, da UENF e do IFF.
Patrícia antecipou que, a partir de 2027, a Firjan, o Porto, instituições de ensino, o Senai e a equipe de estudos econômicos da federação vão mapear as “profissões do futuro” do Norte Fluminense, com base nos investimentos previstos. Um exemplo são as possíveis usinas eólicas offshore, que demandarão profissionais técnicos ainda inexistentes na região. A ideia é que as instituições se preparem com antecedência. Neste ano, a Firjan também ofereceu workshops sobre inteligência artificial e sobre a NR-1, e planeja ações sobre a reforma tributária.
Entre as oportunidades de diversificação, Francisco citou o polo cerâmico e o polo energético do Porto do Açu, voltado a óleo e gás e hidrogênio verde. Ele se mostrou otimista com o futuro da região e com o trabalho conjunto das instituições de ensino; Patrícia reforçou a necessidade de apoio do poder público.
Serviço
O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, de 11h às 12h, na Rádio UENF 87.1 FM. A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android. A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.
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