Programa associado à UVV tem conceito 5 na CAPES e pesquisa bioinsumos, melhoramento vegetal e conservação da biodiversidade

A pesquisa em biotecnologia vegetal pode ajudar a enfrentar desafios da agricultura regional, da escassez de água à necessidade de reduzir o uso de insumos químicos e conservar espécies nativas. Na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), o Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal (PPGBV) reúne estudos que buscam transformar conhecimento sobre plantas, genes e microrganismos em tecnologias aplicáveis à produção agrícola e à preservação ambiental. Associado à Universidade Vila Velha (UVV), do Espírito Santo, o programa oferece mestrado e doutorado e possui conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
A formação científica do PPGBV combina diferentes áreas do conhecimento para investigar o funcionamento das plantas e desenvolver alternativas para a agricultura. Genética, fisiologia vegetal, microbiologia, proteômica, metabolômica e bioinformática permitem analisar características dos organismos em diferentes níveis, identificar mecanismos biológicos e orientar pesquisas voltadas ao melhoramento vegetal e à produção sustentável.
— A excelência científica do PPGBV permite transformar conhecimentos gerados no âmbito dos projetos de pesquisa das universidades em soluções para os desafios enfrentados pelo setor agrícola — afirma o coordenador do programa, Vanildo Silveira.
Um dos exemplos apresentados pelo coordenador é o desenvolvimento de bioinsumos à base de microrganismos benéficos, capazes de favorecer o crescimento das plantas e contribuir para diminuir a dependência de fertilizantes químicos. Nesse campo, destacam-se as startups iMicroBiotech, vinculada à UENF, e Symbiotech, da UVV, criada a partir de pesquisas de doutorado do programa. Segundo Silveira, tecnologias desenvolvidas nesses projetos foram testadas em propriedades agrícolas, com resultados positivos na produtividade de espécies agrícolas e florestais.
Outra frente de investigação envolve o milho-pipoca. Pesquisadores estudam características relacionadas à tolerância ao déficit hídrico e à eficiência no uso de nutrientes, recorrendo a ferramentas biotecnológicas para identificar genes e proteínas associados a essas respostas. O conhecimento produzido pode contribuir para o desenvolvimento de materiais genéticos mais adaptados às condições ambientais e para o planejamento de estratégias de melhoramento vegetal.

Seleção para 2027 e formação de novos pesquisadores
O PPGBV está com inscrições abertas para o processo seletivo de mestrado e doutorado com ingresso no primeiro semestre de 2027. De acordo com o calendário divulgado pelo programa, os candidatos podem se inscrever até sábado (31), exclusivamente pelo e-mail pgbv.secretaria@uenf.br, com envio da documentação exigida no edital até as 23h59, horário de Brasília. A divulgação do resultado da primeira fase está prevista para terça (1º de dezembro), as entrevistas para quinta (3) e sexta (4) de dezembro e o resultado final para quinta (10) de dezembro. A data da matrícula ainda será definida.
A seleção contempla duas etapas, conforme o cronograma institucional. A primeira fase prevê a análise do currículo e da proposta de pesquisa, enquanto a segunda consiste em entrevista sobre o projeto e a trajetória acadêmica do candidato. Para o mestrado, o público-alvo inclui graduados em Ciências Biológicas, Agronomia, Engenharia Florestal e áreas afins. Para o doutorado, podem concorrer candidatos com título de mestre em programas stricto sensu recomendados pela CAPES, desde que a formação seja compatível com as linhas de pesquisa oferecidas.
A documentação, os critérios de avaliação, as vagas disponíveis por tema e os requisitos específicos devem ser conferidos no edital de 2027/1, disponível na página oficial de inscrições do PPGBV. Como o arquivo vinculado à página apresentou divergência de identificação em relação ao semestre anunciado, é recomendável confirmar com a secretaria do programa se o documento atualizado está disponível antes de concluir a candidatura.
O programa também busca preparar profissionais para atuar além da carreira acadêmica. A formação inclui conhecimentos sobre inovação tecnológica, propriedade intelectual, empreendedorismo e gestão de projetos biotecnológicos. Os estudantes podem participar de colaborações com instituições brasileiras e estrangeiras, desenvolver projetos em parceria com empresas e trabalhar em iniciativas voltadas à criação de produtos e processos biotecnológicos.
— O Programa contribuiu para a geração de importantes Produções Técnicas e Tecnológicas (PTTs), incluindo a criação de startups, o depósito de patentes e o registro de cultivares. Esses resultados demonstram que a formação oferecida vai além da carreira acadêmica, preparando profissionais para atuar também no setor produtivo, na inovação tecnológica e no empreendedorismo — destaca Silveira.

Biodiversidade, infraestrutura e desenvolvimento regional
As pesquisas do PPGBV estão organizadas em três linhas. A primeira, Biologia Integrativa, reúne genômica, proteômica, metabolômica e bioinformática para investigar processos biológicos de plantas e microrganismos associados. A segunda, Caracterização da Biodiversidade Vegetal e Bioprospecção de Compostos Bioativos, estuda a diversidade vegetal e procura identificar moléculas com potencial de aplicação industrial ou farmacêutica. A terceira, Biotecnologia Aplicada à Agricultura e Meio Ambiente, concentra-se no desenvolvimento de ferramentas para ampliar a produtividade agrícola e reduzir impactos ambientais.
Na UENF, as atividades estão relacionadas à infraestrutura do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), que reúne laboratórios e grupos de pesquisa com competências complementares. O Laboratório de Biotecnologia (LBT) atua em áreas como biologia molecular, genética e engenharia genética, com atividades relacionadas à cultura de tecidos vegetais, à micropropagação e à transformação genética. O Laboratório de Biologia Celular e Tecidual (LBCT) reúne pesquisas sobre células, tecidos e processos fisiológicos e moleculares. A participação de cada estrutura depende do projeto e da equipe de orientação.
O programa também conta com infraestrutura científica para análises avançadas. Entre os equipamentos multiusuários citados pelo coordenador estão os espectrômetros de massas Synapt G2-Si, utilizado em análises proteômicas, e Xevo TQ-XS, empregado em análises metabolômicas dirigidas, como a quantificação de hormônios vegetais. Associados à capacidade computacional em bioinformática, esses recursos permitem estudar proteínas, metabólitos e mecanismos moleculares envolvidos no crescimento e nas respostas das plantas ao ambiente.
— Essas ferramentas permitem avançar na compreensão dos mecanismos moleculares das plantas e na identificação de alvos de interesse biotecnológico — explica o coordenador, ao abordar a contribuição da infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisas e tecnologias.
A conservação da biodiversidade é outro eixo de atuação. Pesquisadores investigam técnicas de propagação in vitro e conservação de espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica, incluindo o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), o cedro-rosa (Cedrela fissilis) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata). Os estudos podem contribuir para a conservação de recursos genéticos vegetais e para iniciativas de recuperação de áreas degradadas, articulando pesquisa básica e aplicação ambiental.
A aproximação entre universidade e sociedade também ocorre por meio da extensão. Entre as iniciativas vinculadas ao CBB está o programa “Biotecnologia na Escola”, que promove ações educativas e atividades práticas para aproximar estudantes do ensino básico, especialmente do ensino médio, do conhecimento científico. Projetos associados incluem a divulgação da biotecnologia na Região Norte Fluminense e a “Trilha Biotecnológica”, coordenada por Vanildo Silveira.
Para o coordenador, a contribuição do PPGBV deve ser medida não apenas pelos artigos científicos e pela formação de mestres e doutores, mas também pela capacidade de gerar tecnologias, oportunidades econômicas e benefícios ambientais. A articulação entre pesquisa, formação profissional, inovação e extensão aproxima o conhecimento produzido na UENF das necessidades da agricultura e das comunidades do Norte e Noroeste Fluminense, reforçando o papel da universidade no desenvolvimento científico e tecnológico regional.
(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: Divulgação)



