Gustavo Cabral, coordenador do Pré-Vest UENF, concedeu entrevista à Rádio UENF nesta sexta-feira (06/11)

O Enem 2026 começa neste domingo (08/11), e a última semana antes da prova deve servir mais para revisar pontos-chave e descansar do que para tentar aprender conteúdo novo. A orientação é do coordenador do Pré-Vest UENF, Gustavo Cabral, que foi o convidado do quadro “Bom Dia UENF Entrevista” desta sexta-feira (06/11), na Rádio UENF 87.1 FM.
O Pré-Vest UENF é um curso preparatório gratuito e voluntário, voltado a estudantes em situação de vulnerabilidade social que concluíram ou estão cursando o terceiro ano do ensino médio. Criado em 1995 por iniciativa de estudantes de graduação, o projeto funciona com aulas ministradas por voluntários da comunidade universitária. Neste ano, as aulas começaram logo após o Carnaval.
A última semana
Gustavo explicou que a insegurança nessa reta final é normal, inclusive entre quem já fez a prova outras vezes:
— O primeiro passo é entender que essa sensação de insegurança é bastante comum, até mesmo para os estudantes mais experientes, que já estão na terceira, quarta versão do Enem. — afirmou.
Segundo o professor, o estudante deve confiar que a preparação já foi feita. Na véspera, tentar estudar um assunto novo pode atrapalhar mais do que ajudar. O mais indicado é revisar os temas-chave e descansar.
Primeiro domingo: resistência e estratégia
No dia 08/11, os candidatos fazem as provas de Linguagens e Ciências Humanas e a redação, das 13h30 às 19h. Para Gustavo, o Enem também testa a capacidade de manter o foco por muitas horas:
— O Enem também é uma prova de resistência e de administração do tempo. — destacou.
Sobre por onde começar, ele ressaltou que não há estratégia única, mas sugeriu, com base na própria experiência, começar pela redação:
— A redação vale mil pontos. No início da prova, é importante que ele esteja com a cabeça fresca, bastante tranquilo. — orientou.
Depois da redação, a recomendação é escolher a área em que o candidato se sente mais seguro e resolver primeiro as questões fáceis. Isso ajuda a ganhar confiança e a avançar com mais calma.
Como a TRI entra na conta
Gustavo também explicou como funciona a Teoria de Resposta ao Item (TRI), método estatístico usado na correção do Enem. Na correção tradicional, o resultado é a soma dos acertos. Na TRI, cada questão tem um grau de dificuldade, uma capacidade de diferenciar quem domina o conteúdo de quem não domina e uma chance de ser acertada no “chute”. O que pesa é a coerência do conjunto de respostas.
Na prática, acertar uma questão difícil depois de errar várias fáceis do mesmo assunto tem menos peso, porque o modelo interpreta o acerto como possível “chute”.
Redação: cinco competências e proposta de intervenção
A redação vale até 1.000 pontos, divididos em cinco competências de 200 pontos cada. Segundo o professor, é preciso entender o tema, defender uma tese com argumentos consistentes e encerrar com uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos, indicando quem fará o quê, como e para quê.
Se o tema parecer desconhecido, Gustavo recomendou calma:
— O primeiro passo é o estudante não entrar em desespero por conta de um tema que talvez ele não tenha se preparado anteriormente. — disse.
Segundo ele, os textos motivadores servem de apoio, e uma leitura atenta pode indicar o ponto de partida para o texto.

Segundo domingo e logística
No dia 15/11, os candidatos fazem Matemática e Ciências da Natureza, com 45 questões de cada área, das 13h30 às 18h30. A estratégia é a mesma: começar pela área mais confortável e deixar para o final as questões que travam, em especial as de cálculo longo, retomando-as se sobrar tempo.
Para quem não conseguir responder a todas, o professor alertou que uma questão difícil não pode virar obstáculo, já que a tensão do momento pode atrapalhar o restante da prova.
Gustavo também reforçou cuidados práticos. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h, e quem chegar depois não entra. O documento oficial com foto deve ser levado na versão física, sem depender do celular:
— Se ele chegar a um local de prova sem o seu documento oficial, de fato, ele não consegue fazer a prova. — alertou.
Além do documento, é preciso levar caneta esferográfica de tinta preta e corpo transparente. O cartão de confirmação não é obrigatório, mas ajuda em escolas grandes, com vários blocos, onde o candidato pode perder tempo até achar a sala. Ele também recomendou conhecer o trajeto com antecedência e prever imprevistos, como chuva.
Momentos como esse reforçam o papel dos projetos de extensão da universidade no apoio a estudantes que buscam uma vaga no ensino superior.
Serviço
O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, de 11h às 12h, na Rádio UENF 87.1 FM. A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android. A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.
Equipe: Locutor: Giu de Souza / Produção: Giovanna Toledo, Tatiana Freire e Geovanna Cavoli / Suporte técnico: Thiago Henriques / Cobertura para redes sociais, fotos e vídeos: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho, João Marcos Félix, Anna Letícia Bila e Giulia Maia. Direção geral: Vitor Sendra.
(Felipe Paes – Fotos: Giulia Maia – ASCOM/UENF)



