Aluno da UENF ganha Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica do CNPq

Felipe Rimes Ferreira Casais, de 22 anos, passou da graduação direto para o doutorado e estuda o potencial biotecnológico das bactérias do gênero Pantoea, com vistas à sua utilização como um bioinoculante na agricultura

Felipe Rimes Ferreira Casais (Foto: Clara Freitas – ASCOM/UENF)

Pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq foi concedido a um estudante da UENF. Felipe Rimes Ferreira Casais foi o vencedor do prêmio na categoria Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC e PIBIC-Af) – Ciências da Vida (CV), com o projeto “Análises genômicas do gênero Pantoea: potencial biotecnológico e diversidade de estilos de vida”, orientado pelo professor Thiago Venâncio, do Laboratório de Química e Função de Proteínas e Peptídeos do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (LQFPP/CBB).

O resultado do 23º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica e Tecnológica foi divulgado pelo CNPq na última terça-feira, 02/06/26. O Prêmio tem por objetivo reconhecer bolsistas que se destacam pela relevância, qualidade e contribuição de suas pesquisas no âmbito dos programas institucionais de iniciação científica e tecnológica do CNPq. Em 2025, o prêmio foi concedido à aluna Luciele de Léo Cardozo, orientanda da professora Clicia Grativol (Veja AQUI: https://uenf.br/portal/noticias/mestranda-da-pos-graduacao-na-uenf-e-1a-aluna-a-receber-premio-destaque-de-iniciacao-cientifica-do-cnpq/.)

Ainda surpreso pelo resultado, Felipe só pôde concorrer porque seu trabalho foi um dos premiados durante o Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica (CONFICT) em 2025.

— Eu não imaginava sequer ganhar o prêmio no CONFICT, quanto mais no CNPq. Foi uma grande surpresa para mim — afirma.

A vida acadêmica de Felipe se destaca pelo fato de ter saído da graduação — que terminou no ano passado — direto para o doutorado, pulando o mestrado. Incentivado pelo seu orientador, ele participou, no final de 2025, de um Edital do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal com este objetivo.

— Meu orientador me estimulou muito, dizendo que eu já tinha competência e maturidade para guiar um projeto científico no nível de doutorado — conta.

O trabalho premiado está situado na área de Bioinformática. O objetivo da pesquisa era elucidar o potencial biotecnológico das bactérias do gênero Pantoea, com vistas à sua utilização como um bioinoculante na agricultura.

— É um trabalho de bioprospecção para novos produtos de biotecnologia para a agricultura. Esse gênero é marcado por bactérias patogênicas a humanos e plantas, então eu pesquisei, com base nos genes, diferenciais entre esses tipos de vida para que se possa saber quais espécies são seguras para serem utilizadas na biotecnologia — explica, acrescentando que o trabalho gerou um artigo científico publicado.

No doutorado, Felipe está dando continuidade à pesquisa iniciada na graduação. O projeto de doutorado busca desenvolver uma ferramenta para ajudar na questão da briopospecção de bioinsumos.

— O Brasil é um dos protagonistas mundiais na área de bioeconomia e desenvolvimento de bioinsumos. Com essa ferramenta, esperamos acelerar esse desenvolvimento tecnológico — diz.

Ele explica que o uso de bioinsumos ou bioinoculantes é basicamente a utilização de microrganismos que substituem os fertilizantes químicos. Estas formas de vida já habitam as plantas e favorecem o seu crescimento.

Felipe conta que iniciou a graduação em Biociências e Biotecnologia em 2022. Entrou no Laboratório do professor Thiago em maio do mesmo ano e, em janeiro, iniciou a bolsa de Iniciação Científica (IC).

Nascido no Rio de Janeiro, Felipe saiu da cidade aos cinco anos e passou a maior parte da vida morando em Rio das Ostras. O ensino fundamental foi realizado em escola pública e o ensino médio em uma escola particular.

— Eu gostava de ciências em geral. Na verdade, sempre fui muito curioso. Meus pais sempre me estimularam durante a infância. Sempre fui o garoto que gostava de estudar. Eu tinha dúvida em fazer biologia ou geologia, mas acabei optando por biologia — conta.

Felipe ao lado de seu orientador, professor Thiago Venâncio

Aos 17 anos, Felipe saiu de Rio das Ostras e veio morar em uma república em Campos dos Goytacazes, iniciando o curso na UENF. Ele conta que o início foi difícil devido ao distanciamento da família. Chegou a pensar em desistir, mas a responsabilidade de ter entrado na universidade, o apoio dos pais e o gosto pelos estudos o fizeram permanecer na Universidade.

— Fui me adaptando à cultura da Universidade, professores, colegas. Uma das coisas que mais gostei e me ajudaram a prosseguir foi o estímulo à pesquisa. Tive muitos professores que eram bem lúdicos na explicação e que estimulavam a pesquisa. Isso me brilhava os olhos — conta Felipe.

Aos 22 anos, Felipe ainda não tem planos para depois do doutorado. Mas diz que gostaria de continuar na vida acadêmica, quem sabe chegando a ser professor. Segundo conta, a vontade de ensinar vem desde a infância, quando chegava da escola e explicava tudo que tinha aprendido para os pais.

— Fiquei muito feliz com o Prêmio do CNPq, porque não foi algo que corri atrás. Foi algo natural por eu gostar do meu projeto e do que estou fazendo. O conselho que dou para os outros jovens é focar na sua história. É importante sentir-se bem naquilo que se faz, pois, querendo ou não, vai vir a recompensa, mais cedo ou mais tarde — diz.

Para Felipe, é primordial para o aluno estar em um grupo no qual se sente estimulado.

— Quero agradecer a todo mundo que me incentivou, tanto o professor Thiago, meu orientador, quanto o pessoal do laboratório. Acho que uma coisa importante para o jovem se desenvolver é estar em um grupo onde as pessoas te estimulam a fazer ciência de verdade. Isso é algo presente no laboratório onde estive — afirma.

O professor Thiago Venâncio disse que a premiação de Felipe foi motivo de muita alegria para todo o grupo de pesquisa. Segundo ele, trata-se de um reconhecimento nacional extremamente concorrido.

— Ver o nome de um aluno nosso entre os destaques do país é algo que muito nos orgulha. O Felipe se dedicou com seriedade e maturidade ao longo de toda a sua trajetória no laboratório. A premiação é, antes de tudo, um reflexo do esforço e da competência dele — afirma.

Segundo Thiago, o resultado é um estímulo para continuar investindo em jovens talentos e oferecendo um ambiente onde ideias boas têm espaço para se desenvolver.

— Para a UENF, é mais uma demonstração de que a universidade forma pesquisadores de alto nível. Vale destacar que o Felipe já ingressou diretamente no doutorado, sem passar pelo mestrado, o que também reflete o potencial que sempre enxergamos nele. Tenho grandes expectativas para o projeto dele nos próximos anos — diz o professor.

Para o vice-reitor da UENF, professor Fábio Lopes Olivares, a conquista de Felipe é motivo de orgulho para a instituição. Ele destacou que o projeto premiado, “Análises genômicas do gênero Pantoea: potencial biotecnológico e diversidade de estilos de vida”, alia bioinformática, bioprospecção e segurança biotecnológica para identificar linhagens com potencial de uso como bioinoculantes agrícolas.

— Parabenizo Felipe por sua trajetória destacada, marcada por maturidade científica, dedicação e pelo ingresso direto no doutorado, e cumprimento seu orientador, professor Thiago Venâncio, pelo trabalho qualificado de formação e pelo estímulo a jovens talentos. Trata-se de mais um reconhecimento nacional da excelência institucional da UENF, cujo programa de Iniciação Científica já acumula três prêmios institucionais e alcança agora seu segundo prêmio individual na área de Ciências da Vida, reafirmando nossa capacidade de formar pesquisadores de alto nível desde a graduação — afirma.

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – ASCOM/UENF)

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