PIBi-UENF tem nova coordenadora

A professora Marilvia Dansa de Alencar, do Laboratório de Química e Função de Proteínas e Peptídeos do CBB (LQFPP) é a nova coordenadora institucional do PIBi-UENF (Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação da UENF). Ela assumiu o cargo no início de abril, em substituição à professora Maria Cristina Gaglianone, que passa a ser a coordenadora da recém-criada Comissão das Coleções Biológicas da Universidade. Ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, o PIBi abrange dois Programas: o PIBIC (Iniciação Científica) e o PIBITI (Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação).

Marílvia Dansa de Alencar

Marílvia, que retornou à UENF em 2020 depois de passar três anos e meio cedida à Fundação Cecierj, ingressou como professora na Universidade em 1994. Ela é graduada e mestre em Ciências Biológicas e doutora em Ciências na área de Química Biológica pela UFRJ, além de pós-doutora em Virologia na Colorado State University.

 “O PIBi é uma joia da nossa Universidade e, desde o início da UENF, sempre foi cuidado com muito carinho por todas as gestões. Estar à frente deste programa, que já é excepcional, é muito desafiador, especialmente em substituição à professora Maria Cristina Gaglianone, que fez um trabalho belíssimo nos últimos anos como coordenadora”, diz.

Segundo Marílvia, no momento atual é difícil propor metas muito ousadas. “O importante será manter o programa, procurando encontrar saídas para que a formação científica dos estudantes não seja abruptamente interrompida como resultado da pandemia. Vamos continuar construindo  com a Comissão Institucional, os orientadores e os estudantes de IC e IT os próximos movimentos, percebendo onde podemos ajudar e onde podemos avançar”, afirma.

Ela reconhece que deverá enfrentar, porém, muitos desafios por conta da pandemia. “Mas felizmente encontro a casa arrumada, com todo o apoio da ProPPG e de muita gente que torce pela UENF e para que superemos essa fase sem o menor trauma possível”, diz. “Nesse momento, muito pior que a pandemia, certamente é enfrentar o retrocesso, o negacionismo e a anticiência. Como comunidade universitária, devemos estar unidos para superar essas dificuldades. Nesse sentido, nosso papel como programa de IC é mais do que importante, é absolutamente fundamental. E é isso que me faz aceitar o desafio”.

Na opinião da professora, a Iniciação Científica sempre foi uma “marca registrada” da UENF. “Estimulamos nossos alunos desde os primeiros dias de curso a se engajarem em atividades científicas. Esta é uma característica nossa desde a criação da UENF. A atividade de IC é orgânica e a UENF obteve resultados impressionantes até aqui, como o Prêmio Destaque do Ano da Iniciação Científica, conferido à UENF em 2003, 2009 e 2016 pelo CNPq na categoria Mérito Institucional”, afirma.

No âmbito social, segundo Marílvia, a Iniciação Científica feita pela UENF vai além da formação de profissionais para as áreas científicas. Ela acredita que mesmo profissionais que não atuarão diretamente em pesquisa adquirem uma formação diferenciada.

“Por receberem letramento científico, são profissionais que sabem produzir e buscar conhecimento de qualidade para nortear suas atividades. Isso significa formar profissionais mais capacitados para os tempos atuais, em que a exigência de estar sempre aprendendo e saber aprender sempre é uma condição para o sucesso profissional”, disse. “Mas, além disso, no momento em que vivemos, talvez o mais importante é que formamos pessoas capazes de pensar. Este é o nosso maior patrimônio e o nosso maior legado para a sociedade”, diz.

Marílvia conta que se apaixonou pelo projeto da UENF desde a primeira vez em que ouviu falar da “Universidade do terceiro milênio” — como Darcy Ribeiro, seu idealizador, definia a universidade que estava sendo criada. 

“Defendi o doutorado e no ano seguinte já estava trabalhando aqui, em um prédio que ficava literalmente na lama. Eu já era concursada do IFRJ e pedi exoneração para vir me aventurar em Campos dos Goytacazes. Ajudei a construir a UENF. Alguns professores atuais da UENF e de outras universidades foram meus alunos. Muitos professores que povoam as escolas da região, veterinários, agrônomos, biólogos, zootecnistas também foram. A parte mais importante da minha trajetória profissional são eles.  Formar gente é a minha missão. Com 30 anos de estrada, não me interessa nada além de me dedicar às coisas em que eu acredito’, conclui.

Maria Cristina assume Comissão das Coleções Biológicas da UENF

Depois de passar 63 meses à frente do PIBi, a professora Maria Cristina Gaglianone está assumindo outra missão importante dentro da Universidade: a coordenação da Comissão das Coleções Biológicas. A comissão vai elaborar um planejamento para a institucionalização das coleções biológicas da UENF, a fim de que sejam reconhecidas interna e externamente. “As coleções são patrimônio da Instituição e devem seguir normas levando em consideração padrões internacionais e particularidades de cada acervo. Assim, essa comissão tem a tarefa de propor um plano para atingirmos esta meta”, afirma.

Na sua avaliação, o PiBi teve importantes conquistas nos últimos cinco anos, apesar de tantos desafios com os cortes de recursos para ciência e tecnologia e a pandemia iniciada no início do ano passado. “Nossos projetos institucionais junto ao CNPq foram sempre aprovados e, apesar de cortes nacionais em alguns momentos, nossos pedidos de recursos foram atendidos e tivemos um aumento de 9% nas cotas de bolsas CNPq considerando esse período de cinco anos’’, diz.

Ela cita como uma das conquistas de sua gestão a criação do Programa PIBIC Nota 10, que teve um caráter inovador ao valorizar estudantes com coeficiente de rendimento acadêmico mais alto, através de bolsas de maior valor. O programa, que teve início em 2016 com 12 bolsas, hoje oferece 44 bolsas.

No período 2016-2021, foram publicados 23 editais de bolsas IC/IT, Nota 10 e voluntários, com aumento geral de 13,2% nas cotas de bolsas. “O número de voluntários hoje é mais do que 3 vezes maior do que o número que tínhamos em 2016”, pontua a professora, acrescentando que outro ponto bastante positivo foi o aumento de 24% na participação de orientadores. Isso se deve, na sua opinião, à inserção de pós-doutorandos (bolsistas dos editais Recem-Doutor da ProPPG) na orientação dos estudantes de Iniciação.

Outra conquista, segundo ela, foi o recebimento do Prêmio Mérito Institucional do CNPq pela terceira vez em 2016, “coroando o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo do tempo no PIBIC-UENF, com a alta qualidade dos projetos e competência dos estudantes e orientadores”.

Em sua gestão, foram realizadas as edições 21 a 25 do Encontro de Iniciação Científica junto com as IES públicas de Campos dos Goytacazes (UFF e IFF) dentro do CONFICT. E, a partir de 2017, o evento da Pós-Graduação também se agregou ao Congresso Fluminense de Pós-Graduação (CONPG), em uma mesma semana com programação única. “Esta nova abordagem foi muito importante para ampliar a integração entre os estudantes de Iniciação Científica e Tecnológica e os de pós-graduação”, diz.

“Em 2020, nosso grande desafio foi realizar pela primeira vez um congresso totalmente remoto e tivemos a satisfação de ter uma participação muito grande de estudantes e orientadores, com a apresentação de 357 trabalhos da Iniciação Científica e Tecnológica da UENF, que foram avaliados por 67 avaliadores internos e externos. Foi uma grande mobilização virtual, de toda a comunidade científica”, lembra  a professora.

Segundo Cristina, no período, foi possível dar maior visibilidade aos trabalhos dos estudantes do Programa através da “Revista Conhecendo a Ciência” e no instagram @conhecendoaciencia). “Ela é uma revista de divulgação científica voltada principalmente para estudantes de diversas áreas e de ensino médio, e que busca aproximar as pessoas da Ciência e despertar a vocação científica”, conta Cristina, que continua na Editoria da Revista.

Para a professora, as maiores dificuldades no período em que esteve à frente do PIBi foram os cortes de bolsas do CNPq e as mudanças em toda a política de financiamento da pesquisa no País. “Estas alterações geram grandes incertezas na continuidade dos projetos dos pesquisadores e na aceitação de novos estudantes no Programa”, diz. Já a pandemia trouxe, segundo ela, novos desafios para o desenvolvimento dos projetos  devido à necessidade de distanciamento social, dificultando muitas atividades nos projetos de pesquisa em execução.

Formada em Ciências Biológicas pela USP, mestre e doutora em Entomologia, Maria Cristina ingressou na UENF em 2002.  “Sinto-me com o dever cumprido e feliz pelo Programa ter alcançado bons índices em um período tão difícil que estamos enfrentando. Agradeço muito à equipe da ProPPG pela parceria e confiança; e aos integrantes da Comissão Coordenadora”, disse.

Pró-reitora agradece dedicação

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Maura da Cunha, agradeceu à professora Maria Cristina por toda a dedicação ao PIBi. “Além de ter se tornado uma grande amiga conquistada no convívio diário na ProPPG, ela me ensinou muito sobre o nosso Programa. Vivenciar de perto todo o dinamismo com que este Programa oferece aos seus participantes é uma verdadeira vitória nestes tempos difíceis. Este programa tem a personalidade da UENF, isso devido a todos os antigos Coordenadores do PIBIC, mas com um toque dinamismo da professora  Maria Cristina”, disse.

Segundo a pró-reitora, o PIBi-UENF conta com a participação de 184 bolsistas CNPq e uma contrapartida da Universidade de 90 bolsistas e 38 bolsistas 10 (modalidade que oferece bolsa a alunos com critérios acadêmicos mais rígidos e um valor de bolsa maior), além de 41 voluntários.

Ela ressaltou a importância da conquista, pela UENF, nos anos de 2003, 2009 e 2016, do Prêmio Destaque do Ano da Iniciação Científica do CNPq, por ter obtido o maior percentual de egressos da Iniciação Científica concluindo mestrado e doutorado.

“Estes prêmios e a experiência nos programas de Iniciação Científica têm fortalecido novas ações para a melhoria deste programa visando à entrada destes alunos em nossos programas de Pós-graduação. Além do orgulho da UENF de ter porcentagem de 39% dos cotistas da graduação com ingresso nos Cursos/Programas de pós-graduação”, disse.

Segundo Maura, a indicação da professora Marílvia para a Coordenação do PIBi e assessoria da ProPPG se embasa em sua trajetória na UENF desde os primórdios de sua criação. “A professora Marílvia é um marco de dedicação e comprometimento com a UENF”, afirmou.

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