Biblioterapia para mães atípicas é tema de entrevista na Rádio UENF

Mestra e doutoranda em Cognição e Linguagem, Mabel Lopes de Azevedo apresentou pesquisa sobre técnica de mediação de leitura literária, que traz benefícios para saúde mental de público diferenciado

Um recurso terapêutico para a saúde mental por meio da leitura de textos literários. Esta é a Biblioterapia, tema da pesquisa da mestra e doutoranda em Cognição e Linguagem na UENF, Mabel Lopes de Azevedo, convidada desta sexta-feira, 10/04/26, do quadro “Bom Dia UENF Entrevista”, apresentado por Giu de Souza na Rádio UENF 87.1FM.

Prática difundida a partir da Segunda Guerra Mundial

Segundo a pesquisadora, estudos relatam a existência da Biblioterapia desde a Antiguidade, sendo que a prática começou a se difundir a partir da Segunda Guerra Mundial.

— No Brasil, o campo tem como uma das maiores referências a professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Clarice Fortkamp Caldin. Mas existem ainda muitas lacunas a serem preenchidas. Meu interesse surgiu a partir do meu mestrado na UENF e decidi dar continuidade no doutorado — afirmou.

Pesquisa desenvolvida em escolas do município de Campos

Mabel destacou a teoria robusta que embasa a sua pesquisa, fundada em psicologia, psicanálise e biblioteconomia.

— Sou mãe atípica e pela minha experiência vivencial, fiquei muito sensibilizada e motivada a trabalhar com maternidade atípica após a experiência em uma oficina que realizei com mães atípicas em uma sala de recursos de uma escola. A pesquisa agora está sendo desenvolvida em escolas do município de Campos. Os resultados têm sido positivos — considerou.

Temáticas específicas trabalhadas em grupo

A doutoranda explicou como é feita mediação técnica de um biblioterapeuta profissional.

— A Biblioterapia se diferencia de uma leitura normal. Na biblioterapia são trabalhadas temáticas específicas em grupo, com reflexões do texto que afetem o autoconhecimento e promovam a subjetividade do leitor. É impossível sair de um encontro sem um afetamento positivo. A pessoa não sai dali da mesma maneira, sai com o pensamento de realizar muitas coisas, através daquele momento, mudar a vida — contou.

Relatos de benefícios à saúde mental

Conversa descontraída com o apresentador Giu de Souza

Para Mabel, muitos não conseguem ter dentro do próprio lar a abertura que têm em uma oficina de Biblioterapia.

— Nas oficinas, as mães atípicas têm oportunidade de fala, de estar com outras mães. São vários os relatos de benefícios à saúde mental. Já tive oportunidade de levar este projeto a diversos estados, São Paulo, Minas. Em Pernambuco, uma pessoa que participou de uma oficina que eu realizei em 2023 na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Petrolina, fez um depoimento emocionante — contou a pesquisadora, que é membra do grupo de estudos da 1ª Associação Brasileira de Biblioterapia.

Livro lanterna e livro giratório

A mestra ressaltou que como mãe atípica, vive uma especificidade no seu lar e que estas crianças precisam de ações positivas.

— Eu vivencio isto. Tenho propriedade para falar muitas coisas. Quero me dedicar a este público diferenciado, de mães atípicas, que é um público carente de ações e projetos. Se a criança não pode ouvir um livro sonoro, penso em um livro lanterna, um livro giratório. Além da análise crítica, acadêmica, é algo que é feito com muito amor — declarou.

Eventos – No dia 09/05, às 8h30, no Centro de Convenções da UENF, será realizado o II Encontro de Mães Atípicas com o tema “Além do cuidado: Reconectando-se com a Mulher que existe em você”. Uma realização do Neuruenf e da ProEx/UENF. As vagas são limitadas. Inscrições no link a seguir: https://doity.com.br/alm-do-cuidado-reconectando-se-com-a-mulher-que-existe-em-voce

No dia 23/09, às 13h, a biblioterapeuta Mabel Lopes de Azevedo ministra a oficina com o tema “Palavra, Sentido e Existência: Contribuições da Biblioterapia para os Desafios Contemporâneos” no III Congresso de Psicologia, Fenomenologia e Filosofias da Existência do Norte e Noroeste Fluminense – CONEPPFFE, que será realizado no Centro de Convenções da UENF. Inscrições no link a seguir: https://doity.com.br/iii-congresso-de-psicologia-fenomenologia-e-filosofias-da-existencia-do-norte-e-noroeste-fluminense-

Thiago Henriques, Mabel Lopes de Azevedo, Thábata Ferreira e Giu de Souza

Serviço:

O quadro Bom Dia UENF Entrevista é apresentado por Giu de Souza e, nas edições especiais, por Thábata Ferreira. Vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, das 11h às 12h. A produção é de Thiago Henriques, Thábata Ferreira, Giovana Toledo e Geovanna Cavoli, com direção de Vitor Sendra.

O programa Bom Dia UENF é transmitido de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h.

A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=hoostcomv2.oawghldq).

A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.

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(Jornalista: Wesley Machado – Fotografias: João Felix / ASCOM UENF)

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