Ciência no combate à extinção e ao tráfico animal: tema do ‘Bom Dia UENF Entrevista’ desta sexta

Responsável pelo Setor de Etologia, Reintrodução e Conservação de Animais Silvestres (SERCAS), professor Carlos Ramón Ruiz Miranda foi o entrevistado do programa

Durante sua participação no programa ‘Bom Dia UENF Entrevista’, da Rádio UENF, desta sexta-feira, 28/08/2026, o professor Carlos Ramón Ruiz Miranda, responsável pelo Setor de Etologia, Reintrodução e Conservação de Animais Silvestres da UENF (SERCAS), apresentou dados do trabalho realizado, explicando como a ciência auxilia no combate à extinção e ao tráfico animal. Ele revelou haver registros de crescimento considerável da população de algumas espécies, dentre elas a do mico-leão-dourado, e atribuiu o aumento aos programas de reintrodução de animais ao ambiente silvestre.

Este trabalho é feito pelo SERCAS de forma minuciosa e criteriosa. Todo conhecimento científico é transformado em ferramentas para proteger espécies ameaçadas de extinção, promover a reabilitação de cada um dos seres e avaliar a possibilidade de reinserção deles em seu ambiente natural. Tudo isso envolve pesquisa sobre o comportamento dos animais, desenvolvimento de protocolos de reabilitação e estratégias para aumentar as chances de sobrevivência de indivíduos devolvidos à natureza.

As pesquisas realizadas também buscam responder a uma demanda relacionada ao tráfico de animais silvestres. Quando apreendidos, eles são frequentemente encaminhados a centros de triagem, mas nem sempre existem protocolos suficientes para prepará-los para um retorno seguro à natureza. O SERCAS desenvolve esta função.

O setor trabalha, portanto, desde a compreensão do comportamento das espécies até estratégias de adaptação e preparação dos indivíduos. Nem todos os animais que passaram por cativeiro podem ser devolvidos à natureza, o que torna a pesquisa fundamental para avaliar as condições e os procedimentos necessários em cada caso.

Entre as espécies estudadas está a jacutinga, ave ameaçada que desapareceu da natureza no estado do Rio de Janeiro e atualmente mantém populações livres em áreas de São Paulo e Paraná. A espécie sofreu historicamente com a caça e a perda de habitat.

Há dez anos, o SERCAS funciona como criadouro científico focado na pesquisa de espécies ameaçadas (atualmente com foco na jacutinga) e na elaboração de protocolos de reintrodução e reabilitação para animais apreendidos do tráfico ou nascidos em cativeiro.

Para isso, vem implantando espécies nativas da Mata Atlântica no entorno da estrutura, permitindo o fornecimento de galhos, folhas e frutos aos animais. Entre as espécies plantadas estão variedades de araçá e grumixama. Também estão sendo preparadas mudas de palmito, alimento importante para a jacutinga.

A iniciativa conta com apoio do Viveiro de Mudas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Campos dos Goytacazes, que forneceu e realizou o plantio de espécies nativas na área do SERCAS, que conta com a participação ativa de estudantes de Veterinária, Zootecnia e Biologia.

Resgate de animais — Durante a entrevista, Ruiz lembrou que animais das áreas de atuação do SERCAS foram apreendidos durante uma operação da Polícia Federal. Levados do Brasil para a África, eles fizeram uma viagem de duas semanas em veleiros. Quando resgatados, estavam com estado de saúde precário. Foi possível identificá-los através das marcações permanentes. Os animais foram colocados em UTI e reabilitados.

Mico-leão dourado — O professor participou das atividades da fundação na década de 1990. Ele lembrou que, à época, a população era de aproximadamente 400 animais. Hoje são mais de 4,8 mil micos-leões-dourados vivendo livres em seus habitats. Este crescimento também está atribuído ao programa de reintrodução destes animais ao meio ambiente.

Ciência cidadã — Ruiz destacou que poder contar com a colaboração da sociedade, principalmente da população que reside em área rural, tem sido muito importante para o trabalho desenvolvido.

— Não podemos fazer conservação numa área, se as pessoas dali não querem se engajar com isso. Mas a maioria das pessoas quer fazer, principalmente nas áreas rurais. Isso é muito importante para o resultado alcançado — disse o professor.

Estas pessoas tornam-se agentes multiplicadores da ciência. Informam ao SERCAS, via WhatsApp, sobre os animais avistados. A fim de viabilizar o monitoramento participativo, elas permitem a instalação, por exemplo, de armadilhas fotográficas em suas propriedades, permitindo o acompanhamento dos animais

Ao unir pesquisa, manejo, formação acadêmica e parcerias institucionais, o SERCAS busca transformar conhecimento em ferramentas concretas para a conservação da fauna. O objetivo final é que animais ameaçados não apenas retornem à natureza, mas tenham condições de permanecer nela.

(Jornalista: Tatiana Freire – Fotos: Lívia Gimenez – ASCOM / UENF)

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