Conversa sobre autismo no Abril Azul

No mês de conscientização sobre o autismo, ouvimos o egresso e servidor da UENF, Carlos Diego, disgnosticado há um ano com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Neste Abril Azul, Mês Mundial de Conscientização sobre o Autismo, conversamos com o técnico de nível superior da UENF, Carlos Diego de Oliveira Azevedo, de 37 anos, e que há um ano exato recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) com nível 1 de suporte. Carlos Diego é egresso da UENF, graduado em Agronomia em 2011 e com mestrado (2014) e doutorado (2019) em Genética e Melhoramento de Plantas.

O servidor da UENF começou a fazer os exames neuropsicológicos em fevereiro de 2025 e, após dois meses de uma bateria de testes, a neuropsicóloga emitiu um laudo, uma hipótese diagnóstica, que foi confirmada pelo médico psiquiatra.

– O psiquiatra que deu o encaminhamento para eu fazer os testes com a neuropsicóloga e, daí, ele validou a hipótese diagnóstica da neuropsicóloga. Então, eu fiquei enquadrado como autista nível 1 de suporte. Isso acabou fazendo sentido para uma série de questões comportamentais, que eu já vinha observando ao longo da minha vida, mas nunca tive essa oportunidade de levantar essa questão. Como hoje em dia muito se discute, muito se traz informações sobre o autismo e todas as características que envolvem as pessoas dentro do espectro autista, foi isso que me motivou a procurar uma investigação para saber se eu estaria ou não dentro do espectro autista – disse.

Segundo Carlos Diego, sua esposa foi quem mais o motivou a procurar o diagnóstico.

– Ela é nutricionista, trabalha com seletividade alimentar e com crianças no transtorno do espectro autista. Ela começou a fazer percepções dos meus comportamentos com o que se vê no consultório. Faço psicoterapia há três anos, e tratamento psiquiátrico há um ano e meio, sendo que, desse um ano e meio, um ano já focado no autismo. Então, com a medicação, essa questão da rigidez cognitiva, que é essa incapacidade de lidar com quebras de plano ou interrupção de um plano, isso hoje em dia está controlado, mas antigamente era muito difícil – lembrou.

Para Carlos Diego há a necessidade da empatia em qualquer um dos níveis de suporte no espectro autista.

– Muito mais do que vantagens, muito mais do que direitos, nós precisamos de empatia, de entender que pessoas pensam diferente. Então, o Carlos Diego é uma pessoa que funciona e encara situações de forma diferente. E é nessa diversidade que a gente precisa aprender a conviver de forma empática para que todo mundo possa viver da melhor forma possível – considerou.

Lotado na Agência UENF de Inovação (AgiUENF), ele afirma que, com o diagnóstico e os tratamentos, já consegue identificar o que chama de falhas, como de comunicação, e tenta compensá-las de alguma forma, com estratégias que vai aprendendo na psicoterapia.

– Estratégias de não fazer que uma mudança de planos seja o fim de tudo e aprender a abraçar essa alternativa como uma possibilidade. Aprendi na dúvida, perguntar mais e supor menos. Então, não ter vergonha de perguntar. Em vez de eu querer mascarar esse sintoma e tentar adivinhar o que a pessoa quer, eu poderia acabar fazendo errado – explicou.

Carlos Diego informou ainda que o autismo traz algumas comorbidades em termos psiquiátricos.

– Por eu querer ocultar, de repente, o autismo, mas mesmo que voluntariamente, nesses anos todos em que eu não tinha o diagnóstico, mas o autismo sempre existiu, que é uma condição neurológica, de desenvolvimento neurológico, acaba que eu desenvolvi ansiedade por ter que ficar sempre querendo compensar, para estar sempre correndo atrás do prejuízo, para viver dentro da normalidade, entre aspas. Desenvolvi uma hipervigilância, desencadeada por esse senso de ansiedade, de querer estar sempre correndo atrás do prejuízo, vamos dizer assim, e também acabei desenvolvendo transtorno obsessivo-compulsivo, de ficar sempre querendo perfeição nas coisas, de ter problema com erro, e foi isso que me levou, em um primeiro momento, a procurar psicoterapia – contou.

Eventos – Nesta quinta-feira, 09/04/26, às 15h, no IFF Campus Campos Centro, será realizado o 1º Encontro Estudantil Conectando Atipicidades (Atipcon). O evento tem o objetivo de aplicar ações pedagógicas que criem oportunidades para que os estudantes do ensino superior do IFF e da UENF encontrem seus pares em grupos de interesses, afinidades, socializem e estabeleçam amizades. O apoio é do curso de Licenciatura em Teatro do IFF.

No dia 09/05, às 8h30, no Centro de Convenções da UENF, será realizado o II Encontro de Mães Atípicas. Uma realização do Neuruenf e da ProEx/UENF. As vagas são limitadas. mais informações no link a seguir: https://www.instagram.com/neuruenf/

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