
O doutorando Thiago Cézar de Pádua Rosa, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais da UENF (PPGCN), ganhou a medalha de ouro na Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio no Brasil (OPMbr). É a segunda vez que Thiago — que atua como professor de Matemática em Guaçuí, sul do Espírito Santo — é finalista na Olimpíada. A primeira foi em 2023, quando ele recebeu a medalha de prata.
Os premiados com medalha de ouro ganharão uma viagem à China, onde conhecerão a Shanghai Normal University, com apoio do Centro de Educação de Professores da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e das Embaixadas do Brasil e da China; intercâmbio em Xangai; e recursos de capacitação em seus estados e cidades.
Formado em Matemática pela UFF (CEDERJ) e mestre em Educação de Ciências e Matemática pelo IFES, Thiago, 37 anos, criou o Banco Imobiliário Capixaba, proposta que une matemática financeira, história e cultura capixaba, e funciona como uma válvula de escape quando o professor identifica que um conteúdo matemático está se tornando cansativo em sala de aula.
— Sempre que vejo que a aula está se tornando cansativa, reservo um momento para estimulá-los a trabalhar em grupo e continuar aprendendo a matemática de forma diferente, brincando e jogando. O banco imobiliário capixaba é um dos jogos que eu utilizo para relacionar matemática com outros assuntos de interesse dos alunos, fazendo com que eles venham para a aula de matemática mais empolgados e interessados — diz.
Além deste jogo, que já virou febre na escola onde atua, Thiago também criou um livro que funciona como um guia prático para que outros professores possam replicar suas ideias, ensinando matemática através de jogos em sala de aula.
— Esse livro é dividido por temas matemáticos e cada um deles traz uma ideia de jogo ou brincadeira que o professor pode usar como forma de sintetizar a aprendizagem dos alunos, após o conteúdo ter sido explicado em sala de aula — conta.

Thiago ressalta que os jogos e brincadeiras não substituem os exercícios, mas propiciam um ambiente mais acolhedor, inclusivo e divertido para o ensino e aprendizagem da matemática.
— É um trabalho de formiguinha, mas acredito que, a partir do momento em que o aluno começa a vir para aula de matemática mais interessado, animado e com boa vontade, todo o processo de ensino e aprendizagem se torna mais fácil. Por isso, entendo que o grande desafio dos professores é descobrir como fazer este aluno vir para aula de matemática mais animado e gostar do que é trabalhado e ensinado em sala de aula — afirma.
Ao longo de sua trajetória como professor de Matemática, Thiago atuou tanto em escolas públicas como privadas, para alunos do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da Educação de Jovens e Adultos. E também como professor da Universidade Federal Fluminense (UFF-CEDERJ) e coordenador do Programa de Iniciação Científica Jr. da OBMEP (PIC), que prepara os alunos para a competição. Ele se considera, acima de tudo, um facilitador na aprendizagem da matemática.
— Meu objetivo como professor é derrubar o tabu de que a matemática é uma disciplina difícil. Não é. Aprender matemática é divertido, e pode se tornar cada vez mais fácil à medida que transformamos a forma de apresentar os conteúdos — afirma.
Olimpíadas integram Compromisso Nacional Toda Matemática do MEC
As olimpíadas integram o Compromisso Nacional Toda Matemática, política do MEC voltada ao fortalecimento do ensino e da aprendizagem desse componente na educação básica. O evento ocorreu em 30/03/26, no auditório do edifício anexo do MEC, em Brasília (DF), e foi transmitido pelo canal do MEC no YouTube.
A iniciativa tem como objetivo reconhecer professores medalhistas da OPMbr e valorizar práticas pedagógicas inovadoras e de excelência no ensino de matemática. A olimpíada busca destacar experiências que contribuam para tornar o ensino de matemática mais significativo, incentivando metodologias que ampliem o engajamento dos estudantes e os resultados de aprendizagem.
A olimpíada contou com 1.209 inscritos e as cinco regiões do país foram representadas entre os 81 medalhistas, sendo 37 do Nordeste; 32 do Sudeste; nove do Sul; dois do Norte; e um do Centro-Oeste. Desses, 20 professores de três regiões do Brasil (SE, com 11; NE, com oito; e Sul, com um) receberam medalhas de ouro. Além disso, 19 professores foram premiados com medalhas de prata, 42 de bronze e 41 com menções honrosas.
Cerimônia
A mesa de abertura contou com a presença da secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt; do secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli; do coordenador-geral de Ensino Fundamental do MEC, Victor Eyng; do embaixador da China no Brasil; Zhu Qingqiao; do vice-diretor do Centro de Formação de Professores da Unesco em Xangai, Hu Guoyong; da coordenadora do Setor de Educação da Unesco no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes; da presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, Jaqueline Godoy Mesquita; do representante do Conselho Gestor da OPMBr, José Antônio Puppim; e da gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sônia Dias.
Na ocasião, a secretária de Educação Básica agradeceu a parceria da Unesco e da República da China nas olimpíadas e destacou que, assim como o país asiático, o Brasil colocou a educação como prioridade para construção de políticas públicas. Ela parabenizou os professores premiados e agradeceu a presença dos docentes medalhistas da primeira olimpíada, realizada em 2023.

— Essa medalha é o compromisso com a educação pública brasileira, é o compromisso com a visão sistêmica da educação básica e com a matemática, como um eixo estruturalmente de todos os demais saberes. Com vocês, honramos a educação pública brasileira — destacou Kátia Schweickardt.
O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli, observou que essa olimpíada tem um formato diferente, porque envolve docentes, além de ser essencial para conhecer boas experiências.
— O MEC vai fazer essa ação de disseminação das boas práticas, dentro desse compromisso tão importante, que é o Compromisso Nacional Toda Matemática. Em um momento de tanta instabilidade no mundo, Brasil e China podem dar o exemplo por meio da transferência tecnológica, do processo do intercâmbio cultural, mas, sobretudo, através de um produto proveniente de um processo educacional efetivo. Esse momento representa isso — observou.
Já o coordenador-geral de Ensino Fundamental do MEC, Victor Eyng, falou que a matemática, às vezes, é lida e interpretada como algo distante, difícil e para poucos. Nesse sentido, disse ele, o compromisso busca gerar um encantamento pelo componente, com o intuito de que a matemática seja para todos e todas.
— Precisamos, em nossa prática cotidiana e de nosso dia a dia, transformar essa visão que muitos de nossos estudantes ainda carregam do que é a matemática e do que é aprender matemática. Esse papel não tem como ser executado sem passar pela figura do professor e da professora. Esse evento, hoje, está sendo protagonizado por 20 professores medalhistas de ouro, em uma celebração de reconhecimento de suas práticas de excelência. Que ele sirva de inspiração para muitos outros professores e profissionais, de que é possível ter uma matemática acessível, uma matemática que seja para todos e todas — considerou.
A olimpíada é realizada em parceria com instituições de referência na área, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA/ITAEx); a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM); e a Universidade Federal do Ceará (UFC).



