III SIMPROV reúne especialistas para debater inteligência artificial e sustentabilidade no campo

Encontro discute desafios e oportunidades da Agricultura 5.0 para a produção vegetal brasileira

Pesquisadores, estudantes e profissionais do setor agropecuário participam, de terça (29) a sexta (2), do III Simpósio de Produção Vegetal (SIMPROV), realizado no Centro de Convenções da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Promovido pelo Núcleo de Estudos em Produção Vegetal (NEPROV) e pelo Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da UENF, o evento tem como tema “Agricultura 5.0: Desafios e Soluções para um Futuro Sustentável” e reúne especialistas de diferentes instituições para discutir os impactos das novas tecnologias na produção agrícola.

A programação de terça (29) começou pela manhã com minicursos voltados à atualização técnica dos participantes. À tarde, houve a cerimônia de abertura, que reuniu o vice-reitor da UENF, Fábio Olivares, diretor do CCTA, Alexandre Pio Viana, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG), Maria Cristina Canela, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal (PPGPV), Daniela Barros e coordenadora geraal do III SIMPROV, Letícia Moamed.

— O que podemos perceber hoje? Que o campo vira um laboratório para uso e desenvolvimento de tecnologia, principalmente com a aquisição contínua de dados. Então os dados chegam, são processados, e a IA ajuda a enxergar o que é necessário para melhor aproveitamento. Aí aumenta a produtividade, melhora a eficiência do uso da água, diminui o uso de pesticidas. E atividades como esta ajudam a entendermos nosso papel profissional em todo esse cenário — apontou o vice-reitor. 

A primeira palestra da tarde foi conduzida pelo pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Maurilio Fernandes de Oliveira, que abordou a “Integração inteligente de tecnologias na chamada Agricultura 5.0”. Durante a exposição, o pesquisador discutiu a convergência entre ciência de dados, inteligência artificial, sensores e sistemas de monitoramento para ampliar a eficiência dos sistemas produtivos e fortalecer a sustentabilidade da agricultura.

— É importante conhecer as ferramentas disponíveis da Agricultura 5.0, abrir a mente para a diversidade de uso, tudo o que permite a evolução da integração inteligente de todas essas ferramentas. O desafio não é apenas adotar novas tecnologias, mas conectá-las de maneira inteligente para produzir mais, com menor impacto ambiental e melhor uso dos recursos naturais— destacou Maurilio.

O pesquisador também apresentou exemplos de aplicações de Machine Learning e análise preditiva no manejo agrícola, demonstrando como a integração de diferentes ferramentas tecnológicas pode apoiar decisões mais precisas no campo. Formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com doutorado em Produção Vegetal pela UENF e pós-doutorado pela Purdue University, nos Estados Unidos, Maurilio desenvolve pesquisas relacionadas ao manejo de plantas daninhas, qualidade do solo e agricultura sustentável.

Na sequência, o professor Bruno Teixeira Ribeiro, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ministrou a palestra “Sensores proximais para análise de solo e foliar: uma contribuição para a Agricultura Inteligente”. A apresentação destacou o uso de sensores portáteis, fluorescência de raios X portátil, espectroscopia e algoritmos de inteligência artificial para caracterização de solos e plantas. 

Mais tecnologia no campo

Na quarta (30), a programação será aberta pela manhã com minicursos. À tarde, o professor José Bruno Malaquias, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apresentará a palestra “Tecnologias de nova geração para o Manejo de Pragas na cultura do Milho”, abordando o emprego de bioinsumos, sensoriamento remoto, agricultura digital e Machine Learning no controle sustentável de pragas. Em seguida, a mesa redonda “O papel das AGTECHS na construção da Agricultura 5.0” reunirá representantes das empresas Aroma Biotech, iMicroBiotech e MF Papaya, com mediação de Gonçalo Apolinário. O dia será encerrado com a palestra “Valorização dos produtos alimentícios por tecnologias emergentes: Novas possibilidades para Pós-Colheita e desenvolvimento de ingredientes funcionais e nutricionais”, ministrada pelo professor Pedro Henrique Felix, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Na quinta (1), as atividades da manhã terão início com a palestra “Raízes, microbiomas e genética: Estratégias para aumentar a resiliência do milho e do sorgo em solos”, conduzida pela pesquisadora Sylvia Tinoco, da Embrapa Milho e Sorgo. Na sequência, o professor Artur Vitório, do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), discutirá aplicações da robótica, automação, Internet das Coisas e inteligência artificial na agricultura. Durante a tarde, a mesa redonda “Tecnologia no campo, transformação nas relações: A pauta LGBTQIAPN+ na Produção Vegetal” promoverá reflexões sobre diversidade, inclusão e permanência na ciência, reunindo Brunna Morisson, Caetano Monteiro, Leandro Bitencourt e Remu Goitacá. Encerrando a programação do dia, a pesquisadora Veronica Massena, da Embrapa Agrobiologia, apresentará a palestra “Fixação biológica de nitrogênio em gramíneas no contexto da Agricultura 5.0”.

O último dia do simpósio, sexta (2), será dedicado pela manhã à apresentação de banners científicos desenvolvidos por estudantes e pesquisadores. À tarde, o vice-reitor da UENF, Fábio Olivares, ministrará a palestra “Microrganismos benéficos e Agricultura 5.0: da interação planta microrganismo aos bioinsumos do Futuro”. A apresentação discutirá avanços relacionados à microbiologia do solo, biofertilizantes, bioestimulantes e tecnologias baseadas em microrganismos para o fortalecimento de sistemas agrícolas mais sustentáveis. Após a conferência, será realizada a cerimônia de premiação dos trabalhos apresentados durante o evento.

Criado em 2022, após quase três décadas de trajetória do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da UENF, o SIMPROV consolidou-se como um espaço de intercâmbio científico e profissional. Nesta terceira edição, o encontro reforça o compromisso com a construção de soluções inovadoras para os desafios contemporâneos da agricultura, reunindo diferentes áreas do conhecimento em torno de um objetivo comum, produzir alimentos de forma mais eficiente, sustentável e alinhada às transformações tecnológicas do setor.

(Jornalista: Jorge Rocha – Foto: João Félix)

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