Meteorologia ganha papel estratégico na prevenção de riscos, na economia e na formação profissional

Professor do LAMET, Ricardo Siqueira, foi o entrevistado do Programa Bom Dia UENF na última sexta-feira, 04/09/26, transmitido pela Rádio UENF 87.1 FM

A meteorologia vai muito além da previsão de chuva ou de sol. Essa foi a principal mensagem apresentada pelo engenheiro meteorologista José Ricardo Siqueira durante entrevista ao programa Bom Dia UENF Entrevista, da Rádio UENF 87,1 FM, na última sexta-feira, 04/09/26. Professor do Laboratório de Meteorologia da UENF (LAMET), instalado em Macaé, ele destacou como o conhecimento meteorológico contribui para a proteção da população, a redução de riscos associados a eventos extremos, o planejamento de atividades econômicas e a formação de profissionais especializados.

Ao longo da conversa, Ricardo ressaltou que a meteorologia ocupa hoje uma posição estratégica em diferentes setores da sociedade. Segundo ele, as informações produzidas pela área auxiliam desde decisões cotidianas até operações complexas ligadas ao transporte e à indústria. 

— A meteorologia é estratégica não apenas no nosso dia a dia, mas também para a produtividade. Ela nos orienta para as diferentes atividades que temos em nosso cotidiano, seja no dia a dia simples, seja na produção — afirmou.

O pesquisador citou como exemplo a Bacia de Campos, onde o monitoramento constante das condições meteorológicas é fundamental para as operações ligadas à produção de petróleo. De acordo com ele, mudanças bruscas no tempo podem afetar atividades marítimas, aéreas e industriais. 

— Se não houver um acompanhamento das condições de tempo, essa produtividade pode ser comprometida a qualquer momento. Então isso tudo impacta muito na otimização do setor produtivo e também na segurança, quando se faz transporte aéreo ou  marítimo — observou.

Outro tema abordado foi o avanço tecnológico aplicado ao monitoramento do clima e do tempo. Ricardo explicou que os satélites meteorológicos atuais conseguem acompanhar a formação e a evolução de tempestades com elevado nível de detalhamento.  Ele acrescentou que os dados obtidos pelos satélites também são utilizados na elaboração de previsões de curto e médio prazo.

— Hoje é possível observar fenômenos atmosféricos praticamente em tempo real e identificar características importantes, como intensidade, extensão e deslocamento das tempestades — disse.

A entrevista também destacou o impacto da inteligência artificial e do aumento da capacidade computacional nas previsões meteorológicas. Segundo Ricardo, essas ferramentas permitem processar grandes volumes de informações em menor tempo, tornando as análises mais precisas. 

— A inteligência artificial melhora especialmente a capacidade de processamento. Os meteorologistas desenvolvem os modelos de previsão, os modelos físicos, e a IA tende a simplificar, a acelerar os processos. Hoje, por exemplo, existem supercomputadores que fazem previsão de tempo e que conseguem fazer milhões de cálculos por segundo, pondendo fazer previsões até mesmo de bairros dos municípios — explicou.

Ao falar sobre a atuação da UENF, o professor ressaltou a importância do Laboratório de Meteorologia para a formação de profissionais e para a produção de conhecimento científico. Criado em 2005, o laboratório reúne atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas ao estudo da atmosfera e de seus impactos na sociedade. 

— Por meio da criação do laboratório nós conseguimos começar a formar engenheiros meteorologistas e criar o curso de pós-graduação com mestrado em Clima e Energia, que é para aprofundar o conhecimento de profissionais, não apenas de meteorologia, mas também de outras áreas — destacou.

Ricardo também chamou atenção para as ações desenvolvidas em parceria com escolas e órgãos públicos. Entre elas estão projetos de extensão, cursos de capacitação para profissionais da Defesa Civil e a instalação de estações meteorológicas em municípios da região. Segundo ele, essas iniciativas ampliam o acesso ao conhecimento científico e fortalecem a capacidade de resposta diante de situações de risco.

— Temos trabalhado para estabelecer os projetos de extensão, para levar um conhecimento de outros profissionais e de alunos também da região. Nós temos recebido visitantes de vários setores da sociedade, especialmente as escolas do Ensino Fundamental e Médio, e falado um pouco mais sobre meteorologia, sobre o tempo, sobre o clima. Nós temos conseguido atrair alunos para o curso de engenharia meteorológica na nossa graduação e professores para o curso de mestrado — afirmou Ricardo.

O pesquisador comentou ainda sobre os impactos previstos para o novo episódio de El Niño e a relação entre fenômenos naturais e mudanças climáticas. Ele alertou para a possibilidade de períodos mais prolongados de calor e estiagem em algumas regiões do país e reforçou a importância da ciência meteorológica diante desse cenário. 

— A meteorologia é uma ciência muito importante para a segurança e que auxilia imensamente na economia. É uma área em ascensão, dado o contexto das mudanças climáticas. A meteorologia protege vidas, auxilia a economia e ajuda a compreender os desafios impostos pelas mudanças climáticas — concluiu.

O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, de 11h às 12h, na Rádio UENF 87.1 FM. A Rádio UENF pode ser ouvida na frequência 87.1 FM do Dial, pela internet (https://radio.uenf.br/) ou pelo aplicativo para Android. A Rádio UENF é a primeira rádio pública do interior do estado do Rio de Janeiro, uma emissora oficial da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerida pela Empresa Brasil de Comunicação.

Equipe: Locutor: Giu de Souza / Produção: Giovanna Toledo, Tatiana Freire e Geovanna Cavoli / Suporte técnico: Thiago Henriques / Cobertura para redes sociais, fotos e vídeos: Lívia Guimenes, Raquel Carvalho, João Marcos Félix e Giulia Maia. Direção geral: Vitor Sendra.

(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: Lívia Guimenes – ASCOM/UENF)

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