Crisóstomo Lima do Nascimento citou o pensador sul-coreano Byung-Chul Han e sua obra A Invisibilidade do Outro

Nesta quarta-feira, 09/09/26, a Rádio UENF 87.1FM recebeu em seu estúdio o professor e pesquisador do programa de pós-graduação em Cognição e Linguagem da UENF e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicologia, Fenomenologia e Filosofias da Existência (NEPPFFE), Crisóstomo Lima do Nascimento. O convidado participou do quadro “Bom Dia UENF Entrevista”, apresentado pelo locutor Giu de Souza.
Na entrevista, Crisóstomo, que também é psicólogo clínico, comentou sobre o fato de a maior parte das pessoas procurarem ajuda psicológica porque não são ouvidas.
— Estas pessoas não são consideradas, elas não são acolhidas nos seus sofrimentos, nas suas dificuldades, porque é como se ninguém tivesse mais tempo para ninguém que não seja a si próprio. Então, o fenômeno da escuta é extremamente importante, só que ele não se restringe a essa situação de clínico ou de sofrimento, ou da psicologia, mas isso tem a ver com o nosso cotidiano — considerou.
Para ilustrar o raciocínio sobre esta falta de escuta que se naturalizou na contemporaneidade, Crisóstomo falou sobre um dos autores que ele e os estudantes mais lêem nas aulas na UENF, o pensador sul-coreano Byung-Chul Han, que tem uma obra chamada A Invisibilidade do Outro.
— Esse outro vai se tornando invisível, porque eu sou tão ocupado comigo mesmo, com as minhas obrigações, com o que eu tenho que dar conta, eu sou tão tomado por isso, que eu não vou percebendo que essas relações vão se fragilizando, que eu tenho mais dificuldade de conseguir estar ali um pouco mais atento ao que você está dizendo, tentando sentir um pouco o que você está tentando dizer com as suas palavras, uma experiência de uma escuta diferenciada mesmo — destacou.
Crisóstomo citou como exemplo o quanto é paradoxal este fenômeno do que chamou de “solidão na multidão”, afinal a maioria das pessoas têm milhares de amigos na rede social, mas poucos com os quais podem interagir de verdade.
— Na ideia de experiência, de não só como eu faço uma coisa, mas como eu vivencio isso, nós precisamos nos atentar mais em uma conversa, ou até mesmo uma relação com um trabalho, com algo. Vamos entendendo que, dentro desse complexo tempo que vivemos, que é de metas, de buscas, de conquistas, do você tem que ser sempre melhor, você tem que apresentar resultado, tudo muito automatizado e veloz. E nós vamos comprometendo a nossa existência enquanto vivência. Faz-se muita coisa, mas vive-se muito pouco do que se faz — explicou.
Em outro momento da entrevista, Crisóstomo anunciou o 3º Congresso de Psicologia, Fenomenologia e Filosofias da Existência do Norte e Noroeste Fluminense. Com o tema “Linguagem, Sentido e Existência: Desafios da ciência no contemporâneo”, o evento será realizado nos dias 23 e 24/09/26, no Centro Convenções UENF, em Campos dos Goytacazes-RJ, com o objetivo de debater a contemporaneidade e as questões mencionadas anteriormente na entrevista.
Confira a programação completa no site do evento (link abaixo):
Serviço – O quadro “Bom Dia UENF Entrevista” vai ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras na Rádio UENF 87.1FM, com direção geral de Vitor Sendra, produção e roteiro de Tatiana Freire, Thiago Henriques no suporte técnico e na cobertura para as redes sociais: Lívia Guimenes e Raquel Carvalho.
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(Jornalista: Wesley Machado — Foto: Lívia Guimenes — Ascom/UENF)



