Pesquisadora da UENF desenvolve startup de biotecnologia para aumento da produção de soja e milho

Na terceira reportagem da série “Empresas ‘filhas’ da UENF: da pesquisa ao mercado”, ouvimos a CEO da iMicro-Biotech, Júlia Rosa Moreira

Júlia Rosa

Júlia Rosa Moreira fez sua graduação em Biotecnologia na Universidade Estadual de Maringá. Mas foi quando cursou o doutorado em Biotecnologia Vegetal na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) que teve contato com disciplinas obrigatórias, como empreendedorismo, inovação, gestão de projetos e propriedade intelectual.

As disciplinas de empreendedorismo e inovação ampliaram sua visão sobre os diferentes caminhos que um pós-graduando pode seguir ao concluir sua formação, o que incluía a carreira empreendedora.

Após concluir o doutorado na UENF em 2022, no ano seguinte, 2023, Júlia Rosa, em parceria com Rafael Chaves Ribeiro, doutor em Produção Vegetal pela UENF, fundou a iMicro-Biotech, uma startup de biotecnologia para agricultura, que desenvolve bioinsumos inovadores.

Júlia disse seu primeiro contato com o empreendedorismo científico e com a possibilidade de transformar o conhecimento adquirido na universidade em soluções capazes de gerar impacto para a sociedade ocorreu em sala de aula.

Atualmente, as atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e de Bioprocessos são desenvolvidas em parceria com dois laboratórios da UENF: o Laboratório de Biotecnologia e o Laboratório de Biologia Celular e Tecidual.

A empresa também conta com o apoio de dois conselheiros — os professores Fábio Lopes Olivares e Gonçalo Apolinário de Souza Filho — que incentivaram o desenvolvimento da startup, ao instigarem a seguinte reflexão: por que não transformar o conhecimento adquirido na pós-graduação em um empreendimento próprio?

Para a CEO, aquele momento representou uma oportunidade promissora, impulsionada pelo potencial das pesquisas desenvolvidas pelos dois professores.

— De maneira conjunta, o mercado de bioinsumos apresentava um forte crescimento. Havia um aumento das oportunidades de fomento público voltadas à inovação, e o Norte Fluminense retomava o cultivo de soja, o que tornou o ambiente propício para as primeiras validações das tecnologias desenvolvidas pela startup — destacou Júlia.

Equipe da startup

A iMicro-Biotech foi aprovada no edital de hospedagem residente do Parque Tecnológico Agropecuário Johanna Döbereiner, em Campos dos Goytacazes (RJ), onde instalará sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento.

A CEO informou que a iMicro-Biotech é uma deeptech de biotecnologia voltada ao desenvolvimento de soluções para a agricultura.

— A startup atua no desenvolvimento de bioinsumos para gramíneas e leguminosas, à base de microrganismos benéficos, com foco no aumento da produtividade e em soluções microbiológicas mais adaptadas aos desafios do campo, como altas temperaturas e estresse hídrico — explicou Júlia.

De acordo com Júlia, as tecnologias desenvolvidas pela startup foram aplicadas nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso.

— Ao todo, mais de 1.000 hectares já foram beneficiados com o uso das soluções desenvolvidas pela empresa. No Norte Fluminense, as principais fazendas produtoras de soja e milho já utilizam as tecnologias da startup, obtendo resultados produtivos compatíveis com a média das principais regiões produtoras do país — informou Júlia.

A startup possui dois produtos em estágio mais avançado de desenvolvimento tecnológico: os bioinoculantes iMicroFix Soja e iMicroFix Milho. Ambos apresentam uma formulação inovadora, composta por microrganismos, incluindo cepas exclusivas, com características que favorecem a dispersão, aumentam a sobrevivência em condições de campo e potencializam a promoção do crescimento vegetal.

Ainda segundo a CEO, os produtos são formulados na forma líquida e podem ser aplicados via tratamento de sementes, sulco de plantio ou pulverização foliar.

— As tecnologias da iMicro-Biotech proporcionam incrementos de produtividade de até 6% na soja e 15% no milho. Em termos econômicos, podem representar um aumento de faturamento de até R$1.000,00 por hectare de soja e R$1.200,00 por hectare de milho, dependendo das condições de cultivo e do desempenho da lavoura — concluiu.

Conheça a startup pelos canais oficiais:

https://imicrobiotech.com

https://www.instagram.com/imicrobiotech

(Wesley Machado e Paulo Vitor de Almeida — ASCOM UENF — Fotos: Divulgação)

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