Programa reúne infraestrutura experimental e duas linhas voltadas à produção animal no trópico úmido

Para um programa de pós-graduação, excelência não se resume a uma nota. Ela também envolve a capacidade de formar pesquisadores, produzir conhecimento aplicável e reconhecer os pontos que ainda precisam avançar. Com conceito 4 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PGCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em associação com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), trabalha para alcançar o conceito 5 e ampliar o impacto de suas pesquisas sobre a produção animal e o desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense.
A trajetória ajuda a explicar a dimensão do programa. Tanto o mestrado quanto o doutorado são credenciados pela CAPES desde 1997, e a estrutura atual surgiu em 2021, com a fusão do antigo Programa de Ciência Animal da UENF com o antigo Programa de Zootecnia da UFRRJ. A organização em rede passou a reunir docentes, orientadores, disciplinas e estruturas das duas universidades, ampliando as possibilidades de formação dos estudantes.
A experiência acumulada também está relacionada a demandas históricas da região. Entre as primeiras pesquisas desenvolvidas na UENF aparecem estudos sobre pastagens, bovinos de corte, piscicultura, sanidade animal, reprodução e biotecnologia. Atualmente, o programa mantém como área de concentração a Zootecnia e atua em duas linhas de pesquisa, Produção de Ruminantes no Trópico Úmido e Produção de Não Ruminantes no Trópico Úmido.

Ciência voltada às condições da região
A especificidade regional aparece no próprio objeto de pesquisa. Segundo o coordenador do PGCA, Ricardo Augusto Mendonça Vieira, os estudos consideram as características ambientais e produtivas do território, em vez de simplesmente reproduzir modelos desenvolvidos para outras condições climáticas.
— O PGCA trabalha com produção animal no trópico úmido, que é o clima do Norte Fluminense e de boa parte do estado. A pesquisa não parte de pacote importado de região temperada. Parte do que o produtor tem: forragem tropical, estação das águas concentrada, calor, solos e rebanhos de corte, leite, aquicultura e não ruminantes — declarou Ricardo.
Essa orientação alcança diferentes etapas da cadeia produtiva. As pesquisas envolvem alimentação, aproveitamento de forragens, reprodução, bem-estar, melhoramento genético, desempenho animal e modelagem, entre outros temas. Na avaliação de Ricardo, a combinação entre conhecimento sobre os recursos disponíveis e capacidade de mensurar resultados pode contribuir para reduzir desperdícios, controlar custos e aumentar a eficiência dos sistemas de produção.
Outro diferencial está na infraestrutura disponível na UENF. O PGCA está inserido no Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA), que reúne laboratórios e unidades experimentais utilizados em pesquisas relacionadas à produção e à saúde animal. Entre eles estão o Laboratório de Zootecnia (LZO), o Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético Animal (LRMGA), o Laboratório de Sanidade Animal (LSA), o Laboratório de Morfologia e Patologia Animal (LMPA) e o Laboratório de Clínica e Cirurgia Animal (LCCA), além do Hospital Veterinário e de outras estruturas de apoio.
A dimensão regional do programa também está associada à formação de recursos humanos. Mestres e doutores podem atuar em universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos, assistência técnica, laboratórios, empresas e propriedades rurais. Para o coordenador, formar profissionais capazes de interpretar dados e transformar resultados científicos em soluções é parte da infraestrutura necessária ao desenvolvimento da atividade agropecuária.
— O desafio atual é a falta de gente capaz de medir, testar e transferir. A produção animal nos trópicos enfrenta clima instável, preços de insumos com alta volatilidade, exigência sanitária e pressão por menos impacto ambiental por unidade de alimento. Isso não se resolve com receita genérica — pontuou.

Pesquisa, produção e desenvolvimento
A inserção do PGCA nas cadeias produtivas alcança atividades relevantes para o território fluminense, como a pecuária de leite e corte, a produção de forragens, a aquicultura e a criação de animais não ruminantes. O programa também busca aproximar os resultados científicos de produtores, empresas e instituições que possam utilizar esse conhecimento em processos de manejo, alimentação, reprodução, melhoramento e gestão.
A formação oferecida pelo programa acompanha essa perspectiva. Entre os estudantes estão profissionais de áreas como Zootecnia, Medicina Veterinária, Agronomia e Biologia, além de trabalhadores ligados ao serviço público, à assistência técnica, a laboratórios e empresas. A proposta é que a qualificação possa resultar tanto em carreiras acadêmicas quanto em atuação direta no setor produtivo.
— Mestres e doutores formados no PGCA são formados para encarar esse desafio, seja por meio de suas competências para planejar experimentos de envergadura, simular os sistemas de produção animal, analisar dados e saber comunicar os resultados. Também desenvolvem competências para traduzir isso em protocolo de manejo, laudo, consultoria nos âmbitos público ou privado e do produto em si — acrescentou Ricardo.

A busca pelo conceito 5 integra esse processo de consolidação. Na avaliação interna realizada em setembro de 2026, o programa identificou como pontos a serem aprimorados a internacionalização, o impacto social, a visibilidade institucional e a documentação da infraestrutura, além do registro das ações de extensão e transferência de tecnologia. O diagnóstico mostra um programa consolidado, mas que estabelece metas para ampliar o alcance de sua produção científica.
A seleção para ingresso em 2027 já está aberta e encerra uma das etapas de expansão da formação oferecida pelo PGCA. O processo unificado entre UENF e UFRRJ oferece 31 vagas de Mestrado e 12 de Doutorado. Na UENF, são nove vagas de Mestrado e cinco de Doutorado, com inscrições abertas até o da 8 de novembro. Na universidade, os candidatos devem enviar a documentação para pga@uenf.br, sem cobrança de taxa, e passam por arguição e avaliação curricular. A aprovação exige nota final igual ou superior a 7.
(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: ASCOM UENF/Divulgação)



