ProAC realiza nova capacitação para professores

Tema abordado em encontro realizado na última quinta foi “Transtornos de Aprendizagem, Altas Habilidades/Superdotação, Legislação e Educação Inclusiva

Dando continuidade às capacitações voltadas à docência em educação inclusiva, a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários da UENF (ProAC) realizou na tarde da última quinta-feira,  08/05/26, no auditório IV do Centro de Convenções, o evento “Transtornos de Aprendizagem, Altas Habilidades/Superdotação, Legislação e Educação Inclusiva”. Voltado aos professores da UENF e também ao público externo, o evento teve por objetivo promover reflexões e apresentar estratégias práticas que contribuam para um ambiente de aprendizagem mais acessível, acolhedor e eficaz para todos os estudantes.

O pró-reitor de Assuntos Comunitários da UENF, professor Milton Kanashiro, ressaltou a importância da capacitação dos professores no processo de inclusão de todos os tipos de alunos na Universidade.

— É muito importante que cada um de nós tenha o direito de exercer sua cidadania e ocupar seu espaço na sociedade. Eu acredito que grande parte dos professores não teve essa formação em inclusão. Somos despreparados, e eu me incluo nisso. Estamos aprendendo juntos. O mais importante é ter boa vontade — afirmou, ao abrir o evento.

O evento teve a participação da psicóloga da ProAC Mayra Silva de Souza, que abordou os “Transtornos de Aprendizagem e Altas Habilidades/Superdotação”, e também do assessor jurídico do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Pedro Henrique Lima Gomes, que falou sobre “Legislação e  Educação Inclusiva”.

Mestre e doutora em Psicologia na área de Avaliação Psicológica e especialista em Psicopatologia em Educação Inclusiva, Mayra Silva de Souza explicou que o transtorno específico de aprendizagem não é tão prevalente na universidade, uma vez que  muitos acabam desistindo da escolarização. Já em relação às altas habilidades/superdotação, ela informou que existe um subdiagnóstico. Trata-se, segundo afirmou, de um campo ainda novo, que precisa de mais estudos.

Mayra Silva de Souza

O transtorno específico de aprendizagem é conhecido, segundo Mayra, como um transtorno persistente, em que o indivíduo apresenta um dos seguintes sintomas por pelo menos seis meses, depois de intervenções dirigidas: leitura imprecisa, lenta e com esforço e dificuldades na ortografia, na expressão escrita, no domínio do senso numérico ou cálculo, no raciocínio e na dificuldade de aplicar conceitos, fatos ou operações matemáticas na resolução de problemas quantitativos.

— O segundo critério fala de um déficit que causa interferência significativa no desempenho acadêmico ou profissional  ou nas atividades cotidianas. Não é, por exemplo, uma simples dificuldade na leitura que não implique em prejuízos — acrescentou.

Segundo a psicóloga, as características podem se manifestar apenas quando as exigências na escola se tornam maiores, não sendo percebido nos primeiros anos escolares. Além disso, as dificuldades não podem ser explicadas por deficiência intelectual, problemas visuais ou auditivos não corrigidos, outros transtornos mentais ou neurológicos, adversidade psicossocial e falta de proficiência na língua ou instrução inadequada.

Um dos problemas mais comuns é a dislexia, um transtorno de aprendizagem com base neurobiológica que caracteriza-se por dificuldades na acurácia e/ou fluência no reconhecimento de palavras, envolvendo também pobres habilidades de soletração e decodificação.

Em relação à superdotação, Mayra afirmou que, segundo o Conselho Nacional de Educação, refere-se a indivíduos que possuem grande facilidade de aprendizagem, que os leva a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes.

— Por terem condições de aprofundarem e enriquecerem esses conteúdos, estas pessoas devem receber desafios suplementares em sala de recursos ou espaços definidos pelo sistema de ensino, inclusive para concluir em menor tempo a sério ou etapa escolar — disse.

Ela citou a Teoria dos Três Anéis, de Joseph Renzulli, segundo a qual os indivíduos com superdotação/altas habilidades possuem capacidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa.

— A criança, entre outras coisas, pode ter um repertório verbal que chama a atenção. Possui memória destacada, especialmente em assuntos que lhe interessam. Aprende fácil e rapidamente coisas que interessam, tem capacidade de generalização destacada e é uma criança extremamente curiosa. Muitas vezes suas ideias são vistas como diferentes ou esquisitas para os demais — afirmou.

Segundo Mayra, a OMS estima que a prevalência de pessoas altas habilidades/superdotação seja de 5% em todo o mundo. 

Pedro Henrique Lima Gomes

(Jornalista: Fúlvia D’Alessandri – Fotos: Clara Freitas – ASCOM/UENF)

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