Projeto de divulgação científica da UENF atua no combate às fake news

Professor João Almeida, coordenador do projeto

 Dentre as inúmeras consequências negativas que a divulgação de informações falsas pode causar, destacam-se os riscos relacionados à saúde. A pandemia do coronavírus tem mostrado que comportamentos baseados em ideias contrárias à ciência — como a não utilização de máscaras, por exemplo — muitas vezes podem significar a diferença entre a vida e a morte. Combater as chamadas fake news através da divulgação científica vem sendo um dos focos principais do projeto de extensão “Educação, Ciência e Saúde”, coordenado pelo professor João Almeida, do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica de Microrganismos (LFBM) do Centro de Biociências e Biotecnologia da UENF (CBB/UENF). 

O projeto foi criado para atender pessoas em situação de vulnerabilidade social e de saúde, promovendo aulas presenciais sobre educação sanitária e geração de renda em escolas e organizações não governamentais, mas, com a pandemia, teve que se readaptar, passando a funcionar em um ambiente totalmente virtual. Desde então, o principal foco do projeto tem sido a realização de transmissões ao vivo de entrevistas com especialistas de diversas áreas do conhecimento, brasileiros e estrangeiros, sobre os mais diversos temas ligados à ciência,  ambiente, saúde, arte e cultura. 

Segundo João,  mais do que nunca, a divulgação científica tem sido fundamental. “No período de obscurantismo em que vivemos, com a propagação de teorias pseudocientíficas, terraplanismo, movimentos pró-cloroquina e antivacina, divulgar a ciência se tornou algo ainda mais necessário”, afirma. “Está em curso uma revolução cultural, na qual a ciência perdeu, de certa forma, o seu referencial de credibilidade, devido à facilidade com que qualquer pessoa, sem nenhum conhecimento técnico, pode postar conteúdos na internet”. 

“Qualquer um hoje publica informações falsas como se fossem verdades científicas.  E muitas pessoas aderem a essas falsas informações, as famosas fake news, simplesmente porque elas corroboram seus gostos e opiniões pessoais. E estas informações passam a ser ‘verdades’ para essas pessoas. Acho que a ciência tem que se apoderar da linguagem das mídias sociais para voltar a mostrar o seu valor e a sua importância, e para isso cabe a nós ocupar esses espaços e combater as fake news, que podem, em última instância, custar a vida de pessoas”, diz o professor. 

O projeto deriva do Programa Parasitoses do Norte Fluminense, que surgiu há cerca de 12 anos, trabalhando com educação sanitária na região e, mais tarde,  também com arte cerâmica e geração de renda. A princípio, havia a parceria com outras instituições, como a Fiocruz e a Faculdade de Medicina de Campos, fazendo um trabalho de prospecção de dados de saúde, analisando a qualidade da água, fazendo exames parasitológicos na população, entre outras ações.  

“Com o tempo e o término de algumas dessas parcerias, resolvemos nos concentrar mais nas ações educativas e em um projeto, já que ficava difícil gerenciar um programa como o Parasitoses. Então, passamos a coordenar apenas o PECS, antes integrado a ele”, conta. 

Atualmente, o foco tem sido a divulgação, através do Facebook, Instagram e YouTube, de temas relacionados à Covid-19, de modo a diminuir o efeito das fake news e conceitos de pseudociência, além de outros temas correlatos, como saúde mental e gravidez durante a pandemia, preservação ambiental e outros”, explica o professor. O projeto migrou para as redes sociais (Facebook, Instagram e YouTube) e, com a mudança,  ganhou um subtítulo, passando a se chamar: “Educação, Ciência e Saúde: Derrubando Mitos”. 

Segundo João, o projeto também continua realizando cursos, como de uso racional da água, artesanato com aproveitamento de materiais, cerâmica e outras atividades de geração de renda. No momento, estas atividades estão sendo feitas apenas de modo on-line, até que haja condições de retornar de forma segura para o ambiente presencial ou semi-presencial.  

Página do projeto “Educação, Ciência e Saúde” no YouTube

Abertas ao público em geral, as lives têm sido realizadas a  cada 15 dias e garantem uma declaração de presença para quem se inscreve através de um formulário. Até o momento, já foram abordados os seguintes temas:  Desafios da ciência frente à pandemia; Raiva em humanos e animais; Florestas Brasileiras: problemas e soluções; A conectividade da natureza e como ela nos ajuda a entender a dispersão da covid-19; Educação: prática dialógica e mediada; Ciência e opinião em tempos de pós verdade; Grávidas em tempos de covid-19; Covid-19 : mitos e fatos; Bases genéticas da resistência bacteriana; Games e educação; Jornalismo durante a pandemia; Revelando o patrimônio cultural campista; Ansiedade, depressão e suicicio de adolescentes; Saúde é vida: capoeira pelo mundo; Ciência, tecnologia e sociedade; Os grandes vultos da história campista; Arte e cerâmica; A importância das organizações da sociedade civil durante a pandemia; Espiritualidade e saúde mental; Decolonização da arte brasileira; Arte em tempos de pandemia; Refletindo sobre uma conexão essencial: ciência e arte; UENF vencendo a pandemia; Projeto unidos para a natureza; Alfabetização ambiental; Humanização no tratamento do câncer; O que nos leva a fazer arte; Educação pela natureza; O meio científico é de fato diverso?!; Projeto mar sem lixo e conscientização ambiental; Minha jornada na fotografia:educação, ciência e arte.

A participação do público tem sido, segundo João, muito boa. “Algumas vezes a participação tem sido surpreendente pela adesão e participação. Como as lives ficam gravadas, temos também um número muito significativo de visualizações posteriores”, afirma. 

Participam do projeto a pós-doutoranda na área de meio ambiente, Vanessa Trindade Bittar, que atua como voluntária; a especialista em educação ambiental Clícia Pinto das Dores Barcelos, bolsista do projeto; e também a mestra em biociências e biotecnologia Deise Fernandes Paes. Todos auxiliam na coordenação e organização do projeto e na produção de material didático, como vídeos,cartazes e slides digitais sobre os temas abordados. Também há outros bolsistas voluntários: Elaine Alves de Souza, Xaiene dos Santos Martins, Patricia Mirian Matias Carvalho, Samara Linhares Pereira e Maicley Ferreira Pereira.

Assista AQUI a todas as lives.

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